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AMAZOÉ-DEZ 2009/JAN 2010
ÍNDIOS ISOLADOS EM RONDÔNIA E NO BRASIL: ALERTA DE GENOCÍDIO
Exmo Senhor Luís Inácio Lula da Silva, Presidente da República Federativa do Brasil
Exmo Senhor Tarso Genro, Ministro da Justiça do Brasil
Exmos. Senhores Procuradores do Ministério Público Federal –Procuradoria Geral da República - 6ª Câmara de Coordenação e Revisão/Índios e Minorias, e MPF do Estado de Rondônia
Nós, indivíduos e agentes sociais de diversas áreas de atuação, cidadãos brasileiros e do mundo envolvidos e comprometidos com os direitos humanos e das minorias étnicas, tanto da proteção de suas vidas físicas quanto da continuidade de seu patrimônio ambiental, cultural, social e imaterial, manifestamos aqui nosso clamor e profunda preocupação quanto às críticas condições de sobrevivência dos povos indígenas em isolamento voluntário e recentemente contatados no Brasil, em especial àqueles remanescentes no Estado de Rondônia, Amazônia Brasileira. Por seu distanciamento da sociedade majoritária e ausência de voz nos fóruns de discussões públicas e políticas, tais povos subsistem em condições de tamanha invisibilidade social, que os torna vítimas preferenciais de uma série de ações deletérias levadas a cabo pelas vorazes frentes de expansão, sobretudo em território amazônico.
A grande mobilidade à qual estes pequenos grupamentos humanos foram obrigados ao longo de décadas ou séculos, ocultando-se e camuflando-se como única via de sobrevivência, tem repetidamente sido argumento dos invasores dos territórios indígenas da “inexistência” ou “implante de índios”, sobretudo daqueles que se beneficiaram de titulações governamentais nos idos das décadas de 70/80 - justamente o período em que as ações genocidas sobre tais povos demonstraram-se mais sanguinárias no Estado de Rondônia. À época, a perspectiva desenvolvimentista da Amazônia como uma “terra sem homens”, para a qual seria necessário alocar “homens sem terra”, ignorando a milenar presença indígena, promoveu a ocupação ilegal e grilagem por parte de latifundiários e exploradores egressos em sua maioria do centro-sul do país, que rapidamente subverteram a lógica do assentamento de trabalhadores rurais trasladados pelo estímulo oficial. Concomitantemente, realizaram uma brutal “limpeza territorial e étnica” através de repetidas chacinas sobre inúmeros povos indígenas nativos. Métodos facínoras com requintes de crueldade, como o incêndio de aldeias, derrubada de moradias com tratores de esteira, envenenamento com raticida misturado à alimentos ofertados, escravismo e abusos sexuais, execuções sumárias por armas de fogo, caçadas humanas e torturas de todo tipo são resguardados por testemunhos silenciados pelo medo e pela memória dos últimos sobreviventes de etnias indígenas recentemente contatadas em Rondônia. Para nossa vergonha e espanto, não são fatos remotos, e sim eventos históricos registrados nas últimas décadas, quando deveria o Brasil vivenciar o pleno estado democrático de direito!
Recentemente, o último sobrevivente conhecido de uma etnia massacrada em Rondônia, denominado como “Índio do Buraco”, sofreu atentado à bala por pistoleiros, apesar de protegido legalmente pela interdição federal da “Terra Indígena Tanarú”(municípios de Corumbiara, Chupinguaia, Parecis e Pimenteiras do Oeste-RO), e monitorado por equipe local da Coordenação Geral de Índios Isolados, da FUNAI. O posto local da FUNAI foi atacado e teve seus parcos equipamentos destruídos, exemplificando a ação intimidatória criminosa que a impunidade vigente permite aos mandatários regionais. Não distante dali, na Terra Indígena Omerê, os últimos Akuntsú e Kanoê, etnias as quais, somadas, restam apenas oito sobreviventes, além de terem suas terras invadidas, têm apresentado graves deficiências de saúde que podem inviabilizar sua sobrevivência imediata , o que exige ação urgente e assistência modelar por parte do Estado Brasileiro.
É necessário reafirmar que constam evidências ou informes da existência de diversos povos indígenas isolados no Estado de Rondônia: Povo Isolado da cabeceira do rio Formoso; Povo Isolado do rio Candeias; Povo Isolado do rio Karipuninha; Povo Isolado do rio Jaci-Paraná; Povo Isolado do rio Jacundá; Povo Isolado das cabeceiras dos rios Marmelo e Maicizinho; Povo Isolado do rio Novo e Cachoeira do rio Pacaas Novas; Povo Isolado da Rebio Jaru; Povo Isolado da Serra da Cutia; Povo Isolado do Parque Estadual de Corumbiara; Povo Isolado do chamado "Índio do Buraco", quase extinto no rio Tanarú. Há registros do povo isolado conhecido por JURUREÍ há menos de 5 km do trecho de pavimentação previsto da BR 429 , e relatórios internos da FUNAI indicam pelo menos cinco grupos de índios isolados na área de abrangência da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira. A Terra Indígena Massaco, também habitada por índígenas não-contatados, é igualmente território ameaçado por invasões e conflitos fundiários que podem se traduzir em genocídio iminente.
É intolerável à sociedade e ao Estado Brasileiro compactuarem ou demonstrarem-se omissos diante do flagrante descaso, opressão e genocídio expresso em pleno século XXI, que tem se configurado sobre os últimos povos nativos livres em território nacional. Tais povos, independentemente de sua fragilidade demográfica – fruto de séculos de extermínio silencioso no país – são parte crucial da matriz cultural, social e humana da nação brasileira. São sobreviventes meritórios de nossa resistência nativa, e constituem-se em patrimônio humano , biológico, cultural, histórico e espiritual do povo brasileiro e da Humanidade. Têm tido seus direitos mais elementares, sobretudo à vida, vilipendiados e ignorados ao longo da história de brutalidade pretensamente civilizatória na ocupação territorial do Brasil.
Reivindicamos aos últimos povos nativos livres no Brasil o direito de VIVEREM EM PAZ, sob a PROTEÇÃO EFETIVA DO ESTADO e do modo que sua perspectiva humana lhes indique que seja a FORMA DIGNA DE CONTINUAR A VIVER. É inaceitável que, ainda que juridicamente protegidos pelo Estado, os povos indígenas em isolamento no Brasil subsistam ignorados pelos investimentos desenvolvimentistas, pressionados e executados pela exploração desmedida dos últimos nichos preservados de suas florestas e vitimados, ainda, pelos mais torpes métodos de extermínio que a impunidade estimula.
-PELO COMPROMISSO DO ESTADO BRASILEIRO COM A SALVAGUARDA PÚBLICA , PROTEÇÃO ESPECIAL E DEFESA INTRANSIGENTE DOS DIREITOS ÉTNICOS, SOCIOCULTURAIS, TERRITORIAIS E À VIDA DOS POVOS INDÍGENAS EM ISOLAMENTO VOLUNTÁRIO E RECENTEMENTE CONTATADOS NO BRASIL.
-PELA URGENTE REGULARIZAÇÃO E DESINTRUSÃO DA TERRA INDÍGENA TANARÚ (RO), COM EFETIVA PROTEÇÃO AO ÚLTIMO REMANESCENTE DO POVO DO CHAMADO “HOMEM DO BURACO”, BEM COMO PUNIÇÃO LEGAL DOS RESPONSÁVEIS POR AÇÕES INTIMIDATÓRIAS E CRIMINOSAS NA TERRA INDÍGENA TANARÚ.
- POR UMA ATENÇÃO MÉDICA DIFERENCIADA, URGENTE , EFICIENTE E ADEQUADA ÀS NECESSIDADES CRÍTICAS DOS ÚLTIMOS AKUNTSÚ E KANOÊ NA TERRA INDÍGENA RIO OMERÊ (RO), E TOTAL DESINTRUSÃO DE SUAS TERRAS.
- PELA URGENTE REAVALIAÇÃO E CONSIDERAÇÃO DE FATO DA PRESENÇA INDÍGENA DE GRUPOS AUTÔNOMOS EM ISOLAMENTO NAS ÁREAS AFETADAS POR OBRAS GOVERNAMENTAIS DE INFRAESTRUTURA, TAIS COMO RODOVIAS INTERESTADUAIS E TRANSNACIONAIS, BARRAGENS HIDRELÉTRICAS, HIDROVIAS E OUTROS PROJETOS DE ALTO IMPACTO SOCIOAMBIENTAL, COMO A RODOVIA BR 429 E AS USINAS HIDRELÉTRICAS NA BACIA DO RIO MADEIRA, ENTRE OUTROS.
A sociedade civil espera do Estado Brasileiro atitudes à altura da urgência e importância social e política na proteção à sobrevivência e continuidade dos últimos povos indígenas autônomos no Brasil, bem como a conservação e proteção de seus territórios, esteio de suas vidas e de suas possibilidades de futuro.
Mui atenciosamente,
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Blog da Amazônia- Terra Magazine: 23-12-09
Expedição confirma presença de índios isolados perto de hidrelétrica em RO
Uma expedição que percorreu a Estação Ecológica Mujica Nava, em Porto Velho (RO), constatou vestígios da presença de índios isolados numa faixa entre 10 e 30 quilômetros do canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau. Realizada entre os dias 26 de novembro e 10 de dezembro, a expedição também encontrou dois garimpeiros que avistaram oito indígenas na margem da estrada de um garimpo. Os depoimentos deles foram gravados em áudio e vídeo.
Os garimpeiros transitavam de moto quando avistaram os índios na margem da mata. Os índios estavam a uma distância de aproximadamente 80 metros. Assustados, os garimperiso aceleraram a moto. Os indígenas, também assustados, entraram na mata. Os garimpeiros estacionaram a moto mais à frente do local onde os índios entraram na floresta. Quando olharam para trás viram que os índios haviam retornado à beira da estrada e os observavam.
Alguns índios estavam nus e outros usavam roupas velhas e rasgadas. Outros integrantes do grupo estavam calçados com chinelos coloridos de pares diferentes. Alguns deles usavam chapéus de palha tradicionais. Um homem portava uma espécie de borduna e outro um arco e flechas. - Os garimpeiros e os índios estavam assustados com esse encontro, tendo os indígenas fugido às pressas para a floresta - assinala o relatório, que contou com a participação de equipes da Fundação Nacional do Índio (Funai), Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Centro de Trabalho Indigenista (CTI), Monte Sinai e Associação de Defesa Etno-Ambiental Kanindé.
Nas cabeceiras do igarapé Queixada, foram encontrados arbustos e folhas de babaçu quebrados manualmente, além de duas retiradas de mel nas árvores, com o formato tradicional feito por indígenas. Também foi encontrada uma área pequena, de aproximadamente um hectare, que parecia ser um desmatamento recente, podendo ser uma roça de índios, na divisa dos estados de Rondônia e Amazonas. Num tabocal na nascente do igarapé Tuchaua foram localizados mais arbustos quebrados e torcidos por indígenas. Numa fazenda localizada no interior do Parque Nacional Mapinguari também foram encontrados vestígios da ocupação indígena.
De acordo com o relatório, é provável que o local tradicional de ocupação desses indígenas seja a região que envolve a Estação Ecológica Serra dos Três Irmãos/Mujica Nava, Parque Nacional do Mapinguari, numa faixa que varia de 10 a 30 km da hidrelétrica de Jirau. O relatório observa que as explosões efetuadas na construção da hidrelétrica está afugentando os índios daquela região para o garimpo da Macisa, onde foram avistados, com circulação frequ¨ente de malária e hepatites. O relatório recomenda que o grupo indígena seja monitorado para evitar que seja atingido por doenças ou dizimado em confrontos com brancos. Também recomenda a realização de expedições periódicas para localizar a área de ocupação e propor interdição do território indígena.
- Estamos comemorando a existência desses indícios. A gente já consegue saber oficialmente que existem pelo menos oito pessoas e podemos localizar geograficamente onde elas estão. Percebe-se que estão assustados com as explosões, que afugentam a caça. É uma realidade grave - afirma Telma Monteiro , da Associação de Defesa Etno-Ambiental Kanindé.
Isolados no Maranhão
A Funai confirmou nesta semana a existência de indígenas isolados na Terra Indígena Araribóia, no Maranhão. Uma expedição encontrou vestígios recentes próximos a lagoa Samaúma. Desde a década de 1980 a Funai tem conhecimento do grupo, mas há algum tempo não encontrava provas tão concretas da permanência dos indígenas na região. O grupo isolado é, provavelmente, pertencente ao povo Awa Guajá e pode chegar ao total de 60 pessoas.
Nas trilhas abertas pelos isolados, além dos rastros de pegadas, a equipe da Funai constatou o intenso processo de devastação da mata. A exploração de madeira no interior da Terra Indígena é um problema histórico. Há mais de 20 anos os madeireiros retiram, principalmente, cedro, sapucaia, copaíba e cerejeira.
Altino Machado; notícia em www.terramagazine.com.br
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Agência Brasil: 22-12-09
GOVERNO HOMOLOGA 5 MILHÕES DE HECTARES DE TERRAS INDÍGENAS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva homologou a demarcação de nove terras indígenas, num total de mais de 5 milhões de hectares (ha), a maioria na Amazônia. Os decretos estão na edição de hoje (22) do Diário Oficial da União.
A maior das reservas criadas hoje é a Terra Indígena Trombetas Mapuera, no Amazonas, com território de quase 4 milhões de hectares, o equivalente a 40 mil campos de futebol. A área se destina a mais de dez etnias, além de grupos indígenas isolados. Também no Amazonas, foram homologadas as terras Balaio (257 mil ha), Lago do Correio (13 mil ha), São Domingos do Jacapari (134 mil ha) e Prosperidade (5,5 mil ha).
Dois decretos consolidam reservas no Pará: a TI Las Casas, com área de 21,3 mil ha para os índios kaiapó e a TI Zo'é, de 668 mil ha, área maior que o Distrito Federal. Em Roraima, uma área de 30 mil ha dos índios wapixana também foi homologada.
Em Mato Grosso do Sul, área de tensão permanente entre indígenas e fazendeiros pela posse de terras, o governo homologou a TI Arroio-korá, com 7 mil ha para os índios guarani kaiowá e guarani nandeva, no município de Paranhos, no extremo sul do estado.
Além das nove terras indígenas homologadas, outro decreto presidencial publicado hoje desapropria uma fazenda de 4,3 mil ha no município de Rodelas, na Bahia, para assentamento de uma comunidade indígena tuxá.
Luana Lourenço; notícia em www.agenciabrasil.gov.br
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The Guardian, Reino Unido: 17-12-09
MELHOR NÃO TER NENHUM ACORDO EM COPENHAGEN DO QUE UM QUE SIGNIFIQUE UMA CATÁSTROFE
A única oferta na mesa em Copenhagen seria condenar o mundo em desenvolvimento a perpétua pobreza e sofrimento
No nono dia da conferencia sobre o clima em Copenhagen a África foi sacrificada. A posição do bloco de negociação do G77, incluindo os estados Africanos, foi clara: um aumento de 2 ° C na temperatura média global se traduz em 3-3,5°C para a África. Isso significa, segundo a Aliança Pan-africana por Justiça Climática [em inglês: Pan African Climate Justice Alliance], "que 55 milhões de pessoas a mais poderiam estar em risco de passar fome”, e “pressões relacionadas à água poderiam afetar entre 350 e 600 milhões pessoas".
O arcebispo Desmond Tutu diz: “Estamos diante de um desastre iminente em escala monstruosa … O objetivo global de aproximadamente 2°C significa condenar a África a incineração e nenhum desenvolvimento moderno.” Mesmo assim, isso é exatamente o que o primeiro ministro da Etiópia, Meles Zenawi, se propôs a fazer na sua escala em Paris a caminho de Copenhagen: ao lado do Presidente Nicolas Sarkozy, afirmando falar por toda a África (ele é o chefe do grupo Africano de negociação do clima), revelou um plano que inclui o temido aumento de 2°C e oferece aos países em desenvolvimento apenas $10bilhões ao ano para ajudar a pagar por tudo que se relaciona ao clima, desde muros no mar até tratamento de malária e a luta contra o desmatamento.
É difícil acreditar que esse é o mesmo homem que há apenas três meses estava dizendo o seguinte: “iremos usar nossos números para deslegitimar qualquer acordo que não seja consistente com a nossa posição mínima... Se necessário, estamos preparados a nos retirarmos de qualquer negociação que ameace ser outro estupro ao nosso continente... O que não estamos preparados a aceitar é o aquecimento global acima do nível evitável mínimo.” E isso: “iremos participar nas próximas negociações não suplicando para defender o nosso caso mas sim como negociadores que defendem as nossas visões e interesses.”
Ainda não sabemos exatamente o que Zenawi recebeu em troca de uma mudança tão radical no seu tom ou como, exatamente se vai de uma posição exigindo $400bilhões de dólares por ano em financiamento (a posição do grupo africano) para um mero $10bilhões de dólares. Analogamente, não sabemos o que aconteceu quando a secretária de estado Hillary Clinton se encontrou dom o presidente Filipino Gloria Arroyo apenas algumas semanas antes da conferencia e repentinamente a mais dura negociadora Filipina foi retirada de sua delegação e o país, que vinha exigindo cortes profundos no mundo rico, repentinamente entrou na linha.
Sabemos sim, ao testemunhar uma série desses rostos sorridentes, que as potencias do G8 estão dispostas a fazer qualquer coisa para chegar a um acordo em Copenhagen. Essa urgência não flui de um desejo ardente de evitar uma mudança climática cataclísmica, já que os negociadores sabem muito bem que os cortes insignificantes nas emissões que estão propondo são uma garantia de que as temperaturas irão subir os dantescos 3,9° C, como afirma Bill McKibben. Matthew Stilwell do Instituto de Governança e Desenvolvimento de Sustentabilidade [em inglês: Institute for Governance and Sustainable Development]– um dos mais influentes orientadores nessas discussões – diz que as negociações não estão voltadas a realmente evitar a mudança climática e são na verdade um campo de batalha sobre um recurso profundamente valioso: o direito ao céu. Há um limite limitado de carbono que pode ser emitido na atmosfera. Se os países ricos fracassarem em reduzir drasticamente as suas emissões, eles estão ativamente devorando a parcela insuficiente disponível para o sul. O que esta em jogo, argumenta Stilwell, não é nada menos do que a “importância do compartilhamento do céu”. A Europa, ele diz, entende muito bem quanto dinheiro pode ser ganho com o comércio de carbono, já que usa esse mecanismo há anos. Os países em desenvolvimento, por outro lado, nunca lidaram com restrições de carbono, portanto muitos governos não entendem o que estão perdendo. Comparados os $1.2 trilhões de dólares ao ano, segundo o eminente economista britânico Nicholas Stern - com os insignificantes $10bilhões de dólares na mesa para os países em desenvolvimento , nos próximos três anos, Stilwell afirma que os países ricos estão tentando trocar “miçangas e cobertores por Manhattan”. Ele acrescenta: “Esse é um momento colonial. Por isso nenhuma pedra ficou encoberta para conseguir que os chefes de Estado viessem aqui para assinar esse tipo de acordo... E não tem volta. O último recurso sem dono acaba de ser dividido e distribuído entre os ricos.”
Por meses agora ONGs estavam por trás da mensagem de que o objetivo de Copenhagen “era selar o acordo”. Em toda parte no Bella Centre, os relógios estão rodando. Mas não é suficiente apenas um acordo, qualquer acordo, principalmente por que o único acordo oferecido não irá resolver a crise climática e pode piorar muito as coisas, amarrando indefinidamente as atuais desigualdades entre norte e o sul. Augustine Njamnshi da Aliança Pan-africana por Justiça Climática explica a proposta de 2°C de forma muito crua: “Você não pode dizer que esta propondo a ‘solução’ para a mudança climática se a sua solução irá causar a morte de milhões de Africanos e se serão os pobres, não os poluidores, que irão continuar a pagar pela mudança climática.” Stilwell diz que um acordo errado iria “amarrar uma abordagem errada até 2020” – muito além da data de limite para o pico de emissões. Mas ele insiste que não é muito tarde para se evitar uma tragédia maior. “Eu prefiro esperar seis meses ou um ano e fazer a coisa certa, por que a ciência esta se desenvolvendo, a vontade política esta crescendo, a compreensão da sociedade civil e comunidades afetadas esta crescendo, e eles estarão prontos a pressionar os seus líderes a assinarem o tipo de acordo certo.”
No início dessa negociação a mera noção de um adiamento era uma heresia ambiental. Mas agora muitos estão vendo o valor de se diminuir a pressa e de fazer a coisa certa. Mais significativo, após descrever o que significariam 2°C para África, o arcebispo Tutu pronunciou que é “melhor não se chegar a nenhum acordo, do que se assinar um mau acordo”. Isso com certeza seria um desastre político para alguns chefes de estado – mas poderia ser a última chance de se evitar um desastre real para todos os demais.
Naomi Klein, tradução: Ana Amorim
Texto em http://www.guardian.co.uk/
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AMAZOÉ- Dezembro de 2009
POR UM NOVO ANO SEM (TANTO) GENOCÍDIO
Caros Amigos e Parceiros ,
Com o final do ano e nosso deslocamento para o interior de terra indígena tornou-se impossível tecnicamente a atualização da página semanal de notícias indigenistas do AMAZOÉ –Apoio Mobilizado ao Povo Zo’é e Outras Etnias - www.amazoe.org.br , cujos arquivos permanecem disponíveis, mas só retornará regularmente atualizada a partir de março de 2010.
No entanto, como encerramento de mais um ano de atividades e a título de desafio público à sociedade civil, estamos lançando uma petição eletrônica em apoio aos POVOS INDÍGENAS ISOLADOS E DE RECENTE CONTATO EM RONDÔNIA, que têm vivenciado nos últimos meses situações críticas de sobrevivência e afronta pública às condições mais elementares de sua proteção e continuidade. A constatação de cardiopatias nos derradeiros AKUNTSÚ, cujos diagnósticos e tratamentos parecem ainda não devidamente esclarecidos, e o atentado genocida de pistoleiros contra o posto de monitoramento ao “Índio do Buraco”, último sobrevivente na TERRA INDÍGENA TANARÚ, são apenas dois dos muitos exemplos das graves ameaças que pairam sobre os últimos povos autônomos no Brasil, para além do atual quadro crítico de desassistência à saúde , opressão e repressão sobre os povos indígenas em geral, que vai do descarado etnocídio dos Guaraní no Mato Grosso do Sul às relações de espoliação e descaso governamental com o povo Xavante.
Estamos inicialmente reproduzindo e convocando à petição online parceiros sociais que sabemos diretamente envolvidos e comprometidos com a defesa destes povos, mas a proposta e expectativa é que o abaixo-assinado seja repassado e levado adiante a todos os interessados possíveis, para que possa se revestir do caráter de reivindicação pública e tornar-se efetivamente instrumento de denúncia e cobrança da sociedade organizada diante dos poderes públicos instituídos. Particularmente importante é a adesão e divulgação entre os agentes sociais em Rondônia, palco e platéia da tragédia infelizmente sempre atual do extermínio destes últimos homens livres, feitos prisioneiros do ímpeto explorador e genocida de nossa sociedade autoritária.
De boa notícia, apesar de crescentes pressões e ameaças, temos a HOMOLOGAÇÃO da TERRA INDÍGENA ZO’É, assinada pelo Presidente Lula em 21-12-09. A título de correção desta notícia, a população Zo’é atual é de 250 pessoas.
Que as reflexões de virada de ano e os repetidos votos de “paz na terra” entre os “homens de boa vontade” de alguma forma alcancem àqueles que dispõem de poder público para interferir na sobrevivência e destino dos povos autônomos no Brasil. E que nós, ainda que subterraneamente, continuemos empenhados em realizar nossa possível parte.
Ao lado, o texto integral do abaixo-assinado; a petição pública pode ser acessada e assinada no link : http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5450
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ADITAL: 14-12-09
Fórum de Povos Indígenas apresenta proposta na COP 15
O Fórum internacional dos Povos Indígenas sobre Mudança
Climática, instância que agrupa aos representantes das Nações Indígenas de
várias partes do mundo, reunidos em Bella Center, Copenhague, fez a
entrega oficial de uma proposta a ser considerada na redação do documento
final que elabora o grupo de trabalho Ad-hoc sobre Ações Corporativas a
longo prazo sob a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas,
que atualmente se encontra estancada diante da insistência dos países
desenvolvidos liderados pelos Estados Unidos de pôr fim ao Protocolo de
Kyoto.
O Fórum Internacional solicita aos governos um compromisso para
que "respeitem e promovam o pleno gozo dos direitos dos povos indígenas,
respeitando os padrões e obrigações de direitos humanos em todos os
assuntos relacionados às mudanças climáticas, assegurando a plena e
efetiva participação, incluindo seu consentimento livre, prévio e
informado, em conformidade com a Declaração das Nações Unidas".
O
Maluku do Conselho de Autoridades da Bolívia, Rafael Quispe, membro do
Fórum Internacional considerou que "o espírito de qualquer acordo que se
possa atingir na COP15 deve incluir o direito dos povos indígenas à livre
determinação e ao autogoverno, para evitar a imposição de soluções
desconhecendo a realidade sócio-econômica e cultural das comunidades
locais", além disso apontou que é urgente superar o caráter estritamente
político para que o possível acordo sobre mudança climática inclua um
Tribunal Internacional de Justiça Climática em que se possa exigir e
sancionar seu efetivo cumprimento.
Por sua vez, organizações de 35
povos indígenas dos Estados Unidos têm demandado ao Presidente Obama seu
compromisso com "uma política climática e energética justa", especialmente
considerando a necessidade de limitar o desenvolvimento das indústrias
extrativas e de energia fóssil que atualmente se impõem às comunidades de
muitos países.
A notícia é da AINI, por Jorge Cortés Notícia em http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=43890 |
Instituto Humanitas Unisinos: 15-12-09
Guaraní: Etnocídio no Mato Grosso do
Sul
A virulência da violência contra os povos
indígenas no Mato
Grosso do Sul não apenas é uma realidade, como aumenta
assustadoramente. A cada dia, novos casos de atrocidades contra,
principalmente, os Kaiowá-Guarani são relatados, revelando um processo de etnocídio absurdo. “Esse tipo de
agressão e violência é totalmente fora de qualquer parâmetro legal e se
caracteriza como uma afronta efetiva de etnocídio, de negação geral aos
direitos desse povo de continuar vivendo”, explicou Egon
Heck durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line por telefone. Egon Heck é coordenador do
Conselho Indigenista Missionário (CIMI) do Mato Grosso do
Sul.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O que a
morte de Genivaldo
Vera e o desaparecimento de Rolindo Vera representam
para o povo e para a luta pelos direitos civis no Mato Grosso do
Sul?
Egon Heck – Na verdade, trata-se de mais uma agressão
aos direitos dos Kaiowá-Guarani e, desta vez, até de uma maneira bastante expressiva, atingindo
professores e estudantes universitários Guaranis como eram tanto o Genivaldo como o Rolindo. Significa
também a total intransigência dos poderes econômicos e políticos locais no
reconhecimento dos direitos dos Kaiowá-Guarani às suas terras. Esse tipo de agressão e violência é totalmente fora de
qualquer parâmetro legal e se caracteriza como uma afronta efetiva de
etnocídio, de negação geral dos direitos desse povo de continuar vivendo.
IHU On-Line – Há razões históricas que explicam o motivo
pelo qual as terras dos indígenas foram loteadas, vendidas e indevidamente
tituladas?
Egon Heck – Trata-se de um processo de ocupação
econômica da região em que foram prevalecendo os direitos dos
colonizadores, sejam eles por sua própria conta, sejam eles estimulados
pelo governo federal através do processo de ocupação
das fronteiras. Isso foi desencadeando um processo de exploração
econômica, através de grandes companhias multinacionais que receberam
concessões de milhões de hectares da reserva dos povos indígenas. Esse
processo se deu com dois objetivos específicos: um foi liberar as terras
para a ocupação econômica que, naquele momento, começava a implantar
fazendas de criação de gado; o segundo era acumular mão de obra indígena
para que os índios fossem integrados no processo produtivo da região.
Depois, mais tarde, esse mesmo processo econômico foi tendo o viés da
ocupação agrícola através dos pequenos proprietários e, a partir da década
de 1960, houve a reaglutinação da terra e, assim, elas passaram para as
mãos de poucos, ou seja, constituiu-se a base do atual modelo do
agronegócio.
IHU On-Line – Já se sabe quem eram as pessoas
que aterrorizaram os Kaiowá-Guaranis que retomaram uma parcela de suas
terras tradicionais, ocupada atualmente pela fazenda Triunfo?
Egon
Heck – Essas questões
da violência nem sempre são claramente caracterizadas sobre quem
acomete diretamente, ou seja, se são pistoleiros contratados ou segurança
privada (uma espécie de milícia que estão formando).
IHU
On-Line – Nas mãos de quem estão as terras indígenas
brasileiras?
Egon Heck – Essa região vive um processo de
agronegócio que, nos últimos anos, caracteriza-se por uma série de médios
proprietários que, na maioria das vezes, acabam arrendando suas terras
para grandes proprietários da soja e cana. Acontece também a venda direta
para as multinacionais que estão comprando terras para plantio de cana de
açúcar, principalmente. As terras hoje estão, portanto, nas mãos de médios
e grandes proprietários e multinacionais que visam produzir, em especial,
etanol.
IHU On-Line – Quem deve ser responsabilizado por
essa violência contra os indígenas?
Egon Heck – A rigor,
infelizmente, no Brasil, se dá uma conjugação de fatores nos três poderes
que acaba tendo essa virulência no desrespeito aos direitos
indígenas, especialmente os Kaiowá-Guaranis. Então,
por um lado, existe uma morosidade e uma indefinição e até omissão do
próprio governo federal que, há 30 anos, devia estar demarcando terras.
Então, na medida em que foi protelando, foi contribuindo conscientemente
com o aumento da violência. O poder legislativo também dá cobertura aos
interesses econômicos que avançam sobre ou negam os direitos aos Kaiowá-Guarani,
seja através da proposição de emendas constitucionais, seja através da
tentativa de projetos de alteração da constituição. Há vários mecanismos
que fazem com que os poderes legislativos federal e estadual também
contribuam para essa violência. O Poder Judiciário, muitas vezes, acaba,
de uma maneira ágil, dando decisões favoráveis aos fazendeiros e, de uma
maneira lenta, definindo qualquer posição no que diz respeito aos direitos
indígenas. Desta forma, também acaba contribuindo para que essa violência
continue e se amplie.
IHU On-Line – Que medidas precisam
ser tomadas, neste momento, no Mato Grosso do Sul?
Egon Heck
– É a inadiável a decisão do governo federal de levar adiante os
processos de reconhecimento dos territórios originários dos povos
indígenas do estado. Para isso, é preciso dar condições objetivas para
efetivar os processos de identificação e demarcação das terras indígenas.
Isso é fundamental para que de fato se comece a diminuir o leque de
violência a que os povos indígenas hoje estão submetidos. A isso se agrega
a importante solidariedade nacional e internacional, cobrando o
cumprimento das leis, para que haja essa demarcação, e também com a
correta informação por meio dos veículos de comunicação, que, muitas
vezes, apenas refletem a opinião dos interesses econômicos, em termos de
realidade, de violência, sem as costumeiras distorções dos fatos e
inverdades veiculadas. Isso é muito importante para que se crie uma
correta opinião pública com relação à realidade.
Para
ler mais:
Entrevista em www.ihu.unisinos.br
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Amazonia.Org:14-12-09
"Não temos chances de ter avanços concretos na
COP", diz ambientalista
De acordo com o diretor da organização Amigos da Terra -
Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi, o papel da 15ª Conferência das
Partes (COP 15), que acontece em Copenhague e cujo objetivo é definir
ações para conter o aumento do clima no planeta, é de apenas conscientizar
o público e a imprensa sobre a gravidade da questão climática. "As
medidas não estão prontas para a negociação na comunidade internacional e
não é em 15 dias que elas podem ser fechadas", diz ele, em entrevista
exclusiva ao Amazonia.org.br. Do ponto de vista da Amazônia, o diretor
acredita ser um ponto positivo o fato de o desmatamento integrar a pauta
de discussões. "Depois de 17 anos da assinatura da convenção do
clima, finalmente parece que todo mundo concorda com a ideia de que o
desmatamento é algo que tinha que ter entrado na pauta da
convenção".
Smeraldi afirma que não há ainda consenso sobre os
instrumentos para se conter a devastação de florestas. Segundo ele,
"não se pode simplesmente pensar na Amazônia em geral, nas florestas
tropicais, como objeto de um projetinho. É preciso ter uma política
de porte que insira a questão do desmatamento tropical, dos estoques de
carbono nas florestas, nas políticas, seja nas políticas de governo, seja
nas de mercado".
Pecuária
O Ambientalista falou
também sobre o estudo Estimativa de Emissões Recentes de Gases de Efeito
Estufa pela Pecuária no Brasil, lançado no País na semana passada e
apresentado em Copenhague no último sábado (12). A pesquisa mostra
que a pecuária é responsável por metade das emissões de gases do efeito
estufa no Brasil. "A principal novidade desse estudo é gerar
transparência sobre a pegada. Hoje todo mundo pode fazer as contas
da emissão de carbono - sabendo que o quilo da carne vai gerar uma emissão
de aproximadamente 300 kg de CO2, e a econômica, sabendo que essa emissão
de kg de carne corresponde a cerca de 10 reais no atual preço do carbono
no mercado internacional. Notem que esse preço é superior ao preço
da própria carne comercializada no Brasil", adverte.
Veja os
vídeos com a entrevista
Saiba mais: Especial: Conferência do Clima -
COP15
Leia também:
Estimativa de
Emissões Recentes de Gases de Efeito Estufa pela Pecuária no Brasil
Notícia em http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=337972
|
Amazonia.Org.:14-12-09
Americanos e índios Suruí fazem aliança para
vender créditos da floresta brasileira
Almir Suruí, uma das lideranças dos índios suruí, em
Rondônia, surpreendeu o mundo há 3 anos, quando fez um acordo com o Google
Earth para ajudar a monitorar o território de seu povo e acompanhar o
desmatamento na região em torno. Agora, Suruí anuncia uma parceria
com a ONG americana Forest Trends e a USAID, a agência do governo
americano para ajuda internacional. Eles estão organizando um fundo
para vender créditos de carbono obtidos com ações de conservação na terra
suruí. “O processo começou há 40 anos anos”, diz Almir. “Desde então
estamos buscando uma forma de valorizar a preservação de nossa
floresta. Ela tem tudo que precisamos para nossa
sobrevivência. Ela estava sendo destruída em nome do
desenvolvimento. E a vida do nosso povo corria perigo por causa
disso. Há 40 anos, meu povo ainda usava arco e flecha para se
defender. Há uma década, no entanto, entendemos que precisávamos de
diálogo para conquistar respeito.”
Quando os suruí fizeram o primeiro
levantamento do estado de suas terras, em 2004, descobriram que 7% da
área, de 248 mil hectares, já tinha sido desmatada. Agora, segundo
Almir, estão fazendo a recuperação dessa área e montando programas para
que o povo continue vivendo da floresta e se defenda das pressões das
madeireiras que agem no entorno. O governo dos Estados Unidos e também
governos de estados americanos estão interessados em pagar pelo
desmatamento evitado no Brasil como forma de conseguir créditos para
comprir suas possíveis futuras metas de redução de emissões. Essas
metas podem vir de compromissos internacionais, como o negociado aqui em
Copenhague ou de legislações ou regulamentações dos próprios Estados
Unidos.
Notícia do 'Blog do Planeta" em http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=337922
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G1-Globo.com: 10-12-09
Metade das emissões de gases-estufa do Brasil vem da
pecuária, diz estudo
Pegada de carbono’ da carne bovina foi calculada pela 1ª
vez. CO2 emitido por kg custa mais que a própria carne, comenta
pesquisador
A pecuária emite metade dos gases causadores do efeito
estufa liberados pelo Brasil a cada ano. ( Clique
aqui para entender a relação entre os gases-estufa e o
aquecimento global.) Além disso, implantação de novas pastagens
abocanha três quartos da área desmatada na Amazônia e 56,5% no Cerrado.
Resultado de cinco meses de trabalho, os números, inéditos, são de estudo
coordenado por Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB),
Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e
Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira.
Os principais dados da pesquisa, cuja íntegra ainda será
publicada em revista científica internacional, foram divulgados nesta
quinta-feira (10) e serão apresentados em duas reuniões sábado (12) na
Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP 15 . Os autores (ao todo, dez especialistas) ressaltam que suas conclusões “não representam necessariamente” a
posição das instituições em que atuam.

Gado pasta em área queimada no km 450 da BR 163
Cuiabá/Santarém (Foto: AFP/Antonio Scorza 28-11-2009)
O levantamento verificou que em 2005 a emissão de
gases-estufa (GEE) da pecuária representou 48% do total brasileiro. A atividade emitiu 1,055 bilhão de toneladas de GEE sobre 2,203
bilhões do total nacional, número do tão esperado inventário
brasileiro de emissões, divulgado
só recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia .Clique aqui para baixar o inventário
(formato .pdf, 16 páginas).
Ocorre que no inventário oficial as
emissões são divididas por grandes grupos, como energia, processos
industriais, mudança no uso da terra e florestas etc. “A diferença desse
estudo em relação às abordagens estatísticas tradicionais é que elas
dividem as emissões por categorias, e nossa abordagem é pela cadeia de um
produto específico”, explicou Smeraldi ao G1. “Então ela
é transversal, porque envolve uso da terra e fermentação entérica (basicamente, arroto de boi e vaca), por exemplo, processos que
estão separados no inventário.”
Assim, é a primeira vez que a chamada “pegada de carbono”
de um produto específico, no caso a carne bovina, é calculado. Pegada de
carbono é a quantidade de gás-estufa liberada direta ou indiretamente por
uma certa atividade. “O interessante desses dados é que eles podem começar
a traduzir toda a situação para o consumidor, a dona de casa, o
investidor”, comentou Smeraldi, que viaja hoje para
Copenhague.
“Essa é a diferença de ter números sobre categorias e
números sobre produtos: 1 quilo de carne industrializada significa 300
quilos de gás-estufa emitido, e esses 300 kg custam R$ 10 no mercado de
carbono. É mais do que o custo da própria carne por quilo no atacado (o kg do dianteiro custa R$ 3,60; do traseiro, R$ 5,90)”, disse o
especialista.
Leia também: Só
arroto de boi equivale a 69% dos gases-estufa por desmate no Cerrado
“Como investidor eu posso raciocinar que, se a carne
tivesse que pagar o CO2 que emite, ficaria inviável. Por outro lado, se
seguir boas práticas, posso reduzir uma barbaridade essa emissão e vender
o CO2 poupado no mercado de emissões por um preço superior ao da carne.
Frigorífico pode fazer mais dinheiro vendendo redução de carbono do que
vendendo a própria carne.”
Leia mais
notícias sobre a Conferência da ONU sobre Mudança Climática
Ricardo Muniz; notícia em http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1410421-5603,00-METADE+DAS+EMISSOES+DE+GASESESTUFA+DO+BRASIL+VEM+DA+PECUARIA+DIZ+ESTUDO.html
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Survival International: 09-12-09
ÚLTIMO SOBREVIVENTE DE TRIBO ISOLADA NA AMAZÔNIA É
ATACADO
O último sobrevivente de uma tribo isolada
desconhecida tem sido alvo de homens armados. O incidente
ocorreu no mês passado em Tanaru, um território indígena, no estado de
Rondônia, Brasil, mas só agora as notícias emergiram.
Não se sabe
se o índio estava na linha de fogo, ou se os tiros foram projetados para
afugentá-lo. Fazendeiros na área opõem-se aos esforços do governo para
proteger a terra do Índio, e são os agressores mais prováveis.
Funcionários da Fundação Nacional do Índio, FUNAI, descobriram que
seu posto de proteção tinha sido saqueada e encontraram cartuchos de
espingarda vazios nas proximidades da floresta. A policia investigou o
incidente mas ninguém foi acusado pela entrada ilegal. Altair
Algayer, um funcionário da FUNAI disse, ‘O Índio corre risco pelos
interesses dos proprietários. Esta é uma situação grave.’ A FUNAI acredita
que o “Homem do Buraco” sobreviveu ao ataque.
Única imagem conhecida do rosto do "Índio do
Buraco", feita pelo cinegrafista-indigenista Vincent Carelli nos anos
80
O nome está relacionado com os buracos cavados para
capturar animais e para se esconder. Acredita- se que ele é o único
sobrevivente de um massacre contra sua tribo por fazendeiros nas décadas
de setenta e oitenta. A única imagem conhecida do “Homem do
Buraco” foi feita pelo cineasta Vincent Carelli em seu filme ‘
Corumbiara’ que documenta o genocídio dos Akuntsú e outras
tribos na região.
O diretor da Survival International,
Stephen Corry disse hoje: “ Sua tribo foi massacrada e agora o “Homem do
Buraco” enfrenta o mesmo destino. Os fazendeiros devem deixar este homem
viver seus últimos dias em sua terra em paz e as autoridades devem fazer
tudo que podem para protegê-lo." A diretora de pesquisa da Survival,
Fiona Watson, esteve na região e está disponível para
entrevista.
Leia esta notícia na página
Survival na internet (em espanhol), e veja trecho do filme "Corumbiara",
de Vincent Carell em:http://www.survival.es/noticias/5345
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Valor Online: 08-12-09
Povos indígenas avisam que vão resistir
fortemente à usina de Belo Monte
Em uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a três
ministros, ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras
autoridades, povos indígenas que serão afetados pela construção da usina
hidrelétrica de Belo Monte deixaram clara sua disposição de resistir à
obra. O texto é bastante duro. "O rio Xingu pode virar um rio
de sangue", afirmam, acrescentando que será de "de total responsabilidade
deste governo e de seus representantes, como também da Justiça, o que virá
a acontecer com os executores dessa obra, com os trabalhadores e os povos
indígenas".
O documento, distribuído pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi),
é assinado pelos índios caiapós, xipaias, jurunas e araras, da região do
Xingu, e também por ianomamis e guaranis. A carta reclama da falta
de diálogo e diz que as comunidades indígenas não foram devidamente
ouvidas sobre os impactos da usina.
A manifestação indígena tem levantado temores na região do Xingu onde
poderá ser feita a obra - que ainda não teve sua licença prévia liberada
pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis
(Ibama). João Pacheco de Oliveira, coordenador da Comissão de
Assuntos Indígenas (CAI) da Associação Brasileira de Antropologia (ABA),
divulgou um parecer sobre a obra de Belo Monte em que conclui que "cabe
alertar a opinião pública e as autoridades máximas do governo brasileiro
para a precipitação com que tem sido conduzida a aprovação do projeto,
dentro de uma estratégia equívoca e sem atenção aos dispositivos
legais. A prosseguir assim, se estará configurando uma situação
social explosiva e de difícil controle, podendo acarretar consequências
ecológicas e culturais nefastas e irreversíveis."
Luís Xipaia, um dos líderes da resistência indígena, acredita que a
carta enviada às autoridades, assim como as anteriores, não terá
resposta. Xipaia esteve presente em reuniões dos representantes com
Ministério Público e do Ibama, no Senado, em Brasília. "Se o governo
não recua, também não recuaremos", diz. "Não é só agressividade, mas
um alerta de que já fizemos todo o possível até este ponto."
Os índios decidiram enviar suas reclamações à Organização Internacional
do Trabalho (OIT), diz Xipaia. Os índios alegam que as quatro
audiências públicas realizadas na região não cumpriram uma disposição da
convenção 169, da OIT, que trata de povos indígenas e da qual o Brasil é
signatário. Oliveira, da ABA, destaca que a convenção prevê "que as
populações afetadas sejam adequadamente informadas sobre o empreendimento
e todas as suas consequências, exigindo-se que sejam antecipadamente
consultadas segundo procedimentos legítimos e probos".
Danilo Fariello; notícia em www.valoronline.com.br
Dança Kayapó em um protesto anti-barragem em
2006
© T Turner
Veja réplica da carta coletiva às autoridades governamentais:
COMUNICADO DOS POVOS INDÍGENAS
À Excelentíssima Sra. e Excelentíssimos Senhores:
Deborah Macedo Duprat
Vice- Procuradora – Geral da República;
Luis Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil;
Edson Lobão
Ministro de Minas e Energia;
Carlos Minc
Ministro do Meio Ambiente;
Marcio Meira
Presidente da FUNAI;
Roberto Messias Franco
Presidente do IBAMA;
Tarso Genro
Ministro da Justiça;
Gilmar Mendes
Presidente do Supremo Tribunal Federal
Nós povos indígenas aqui representados: Povo Kayapó das aldeias Kokraxmõr,
Pykarãrãkre, Kikretum, Las Casas, Kriny, Moxkàràkô; Kayapó do Xingu,
aldeia Kararaô; Xipaia, aldeia Tukamá, Tukaiá; Juruna, aldeia Paquiçamba,
Km 17 Vitória do Xingu; Arara da Volta Grande, Terra indígena Wangã; Povo
Arara, Cachoeira Seca; e povos de outras regiões: Yanomam; Guarani, de São
Paulo, aldeia Krukutú, queremos comunicar o seguinte:
Excelentíssimos representantes do governo brasileiro e Procuradoria Geral
da República,
Nós povos indígenas do Brasil preocupados com as ações que tem o Brasil
direcionadas às populações indígenas e o desrespeito do governo com
as referidas populações temos a lhes dizer que após o primeiro contato da
chegada dos não índios neste país os povos indígenas foram massacrados e
dizimados de forma brutal e ignorada pelos seus representantes. Tivemos
perdas significativas das populações indígenas neste país. Onde em nenhum
momento a sociedade tratou esses povos com devido respeito; que
após 500 anos de contato com essa civilização os povos indígenas no
Brasil só tiveram perdas: territoriais,
culturais, vidas, desaparecimento de populações inteiras ao longo desse
contato. Os povos que restam lutam por sua sobrevivência dentro de seus
territórios com péssima estrutura, com alta precariedade, desrespeitados
em seus direitos humanos, com falta de integridade moral para com os povos
indígenas ainda existentes neste Brasil.
Senhores representantes do governo, nós povos indígenas aqui representados
estamos denunciando para vosso conhecimento o desrespeito do Governo
Federal para com as populações indígenas onde se trata especificamente de
um projeto a ser executado na região de Altamira, Volta Grande do Xingu;
projeto este destinado a aproveitamento hídrico, onde afetará às
populações indígenas desta região e de toda a bacia hidrográfica do Rio
Xingu.
Há vinte anos os povos indígenas desta região falaram em um Encontro no
ano de 1989 e deixaram claro que esse projeto é inviável para ser
implantado no Rio Xingu. Os povos indígenas em 2008 em outro
Grande Encontro voltaram a falar e debater contra esse projeto que seria
implantado nesta região e mais uma vez o governo desrespeita os povos
indígenas desrespeitando a convenção 169 da OIT onde o governo brasileiro
é consignatário.
Mais uma vez, estamos nós aqui povos indígenas em Brasília para falar
sobre Belo Monte. Ao longo desses 20 anos a luta dos povos indígenas
contra o projeto dessa UHE Belo Monte o governo teve tempo suficiente para
apresentar propostas alternativas para as populações indígenas desta
região e não o fez. Os povos indígenas cansados desta luta onde o governo
só ouve aquilo que lhe interessa, estamos querendo por fim nesta história
macabra para os povos indígenas.
Senhores representantes do governo brasileiro, nós povos indígenas
representados neste comunicado estamos solicitando de vosso conhecimento
para impedir que posições negativas possam vir a acontecer nesta região se
o governo continuar nós desrespeitando como povo brasileiro, como povos
indígenas e como primeiros habitantes deste país.
Ao longo de 500 anos estivemos à mercê do governo servindo como massa de
manobra, como soldados de proteção à natureza, onde nem sequer somos donos
da terra que ocupamos. Nós povos indígenas como defensores da natureza
estamos casados de ver os não índios destruírem as nossas florestas com a
conivência das autoridades governamentais e judiciária deste país.
Vendo toda essa situação, nós tomamos a seguinte medida:
Nós povos Indígenas, não vamos sentar mais com nenhum representante do
governo para falar sobre UHE Belo Monte; pois já falamos tempo demais e
isso custou 20 anos de nossa história. Se o governo brasileiro quiser
construir Belo Monte da forma arbitrária de como está sendo proposto, que
seja de total responsabilidade deste governo e de seus representantes como
também da justiça o que virá a acontecer com os executores dessa obra; com
os trabalhadores; com os povos indígenas. O rio Xingu pode virar um rio de
sangue. É esta a nossa mensagem. Que o Brasil e o mundo tenham
conhecimento do que pode acontecer no futuro se os governantes
brasileiros não respeitarem os nossos direitos como povos indígenas do
Brasil
Brasília, DF
1º. de dezembro de 2009
|
Instituto Socioambiental-ISA: 07-12-09
Atlas aponta regiões e cenários
críticos para Terras Indígenas na Amazônia
Muito tem se falado na devastação da Amazônia e em
algumas de suas consequências para a população indígena. Mas muitas vezes
de forma genérica, sem se especificar áreas mais afetadas e as dinâmicas
territoriais dos principais causadores dessa devastação. Apontar essas
regiões e processos, em diferentes horizontes de tempo, é a intenção do Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia
Brasileira, publicação do Instituto Socioambiental (ISA) que será
apresentada à imprensa nesta quarta-feira, dia 9 de dezembro, às 9h, no
escritório da organização em Brasília (SCLN 210, Bl. C sala 112). Na
quinta-feira, às 19h, no café Daniel Briand (SCLN 104, Bl. A, Lj. 26),
acontece o lançamento oficial.

O livro traz 25 mapas, além de textos de contextualização
e com casos emblemáticos, tabelas, gráficos e fotos sobre temas como:
estradas, hidrelétricas, desmatamento, agropecuária, queimadas, mineração,
exploração madeireira, garimpo, petróleo e gás, população, saneamento
básico, urbanização e projetos do PAC. A quase totalidade dos dados foi
colhida em instituições que subsidiam pesquisas, políticas e indicadores
oficiais, como o IBGE, o Inpe e a Aneel.
O atlas mostra, em especial,
como os principais rios afluentes da margem direita do Amazonas e as
Terras Indígenas (TIs) localizadas em suas bacias, na porção sul da
Amazônia, estão ameaçados por um conjunto de pressões socioambientais.
Bacias como dos Rios Tapajós, Madeira e Xingu são apresentadas com um alto
grau de ameaças representadas por barramentos de rios em cadeia,
desmatamento e mineração, entre outros. A publicação também oferece
indícios sobre a possível movimentação da fronteira agrícola nos próximos
anos: ela não mais avança gradualmente sobre o território amazônico a
partir de um perímetro com contorno bem definido, mas lança ramificações e
estabelece núcleos ativos em várias direções chegando a áreas até pouco
tempo consideradas isoladas e mais preservadas. No momento em que o mundo
discute medidas para o combate as mudanças climáticas, a intensidade e o
alcance dessa movimentação – que pode ser visualizada no atlas – lança
dúvidas sobre a real capacidade do Estado Brasileiro em gerir de forma
sustentável o território amazônico e suas áreas protegidas.
Entre
outros números apresentados na publicação, o leitor descobre que 44%
potencial hidrelétrico inventariado da região pode atingir TIs – os povos
indígenas serão os mais afetados pela expansão da geração de energia
elétrica prevista para acontecer no País (grande parte na Amazônia).
Existem hoje 83 hidrelétricas funcionando e 247 planejadas na Amazônia.
Cálculos sobre somente 27 desses projetos, apontam que eles podem afetar
até 44 mil pessoas. O tema da urbanização e do saneamento básico também é
abordado no livro: em média, só 13% dos moradores das cidades da Amazônia
Legal têm acesso à rede de esgoto, por exemplo.
Outros dados coletados pelo ISA e sistematizados em sua base de dados
sobre Terras Indígenas também são agregados à publicação: na Amazônia,
existem hoje 173 povos indígenas e 405 Terras Indígenas em diferentes
estágios de regularização (21,7% do território amazônico), com uma
população de cerca de 300 mil pessoas. Há mais de 5 mil processos
minerários - entre alvarás e licenças de exploração, áreas “em
disponibilidade”, requerimentos de lavra garimpeira e pesquisa – que
incidem sobre 125 TIs na Amazônia. Essas TIs abrigam uma população de mais
de 140 mil pessoas.
Notícia em http://www.socioambiental.org/noticias/nsa/detalhe?id=3014
Baixe o Atlas na íntegra no website www.amazonia.org.br:
Atlas de Pressões e
Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira (6,154
Kb)
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Amazônia.Org.BR: 03-12-09
COP 15: compromisso ou marketing?
Há décadas discutem-se ações para o combate às mudanças climáticas, a
conservação dos biomas e outros temas ambientais, com propostas menos
efêmeras e mais concretas. Eventos, conferências, assembléias foram
realizadas: Eco92 e as 14 Conferências das Partes (COP) são alguns
exemplos. Líderes e representantes de nações do mundo foram
reunidos, sugestões foram feitas e decisões, tomadas. Contudo, muito pouco
do que havia sido definido durante os encontros foi colocado em
prática. As emissões de gases do efeito estufa aumentaram e, se nada
for feito hoje, o planeta, assim como a população humana, sofrerá as
consequências. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a biodiversidade da Terra
não suportaria um aumento de 2ºC de temperatura média em comparação aos
níveis pré-industriais.
É neste contexto que será realizada a 15ª
Conferência das Partes, em Copenhague. O Brasil já divulgou metas a
serem apresentadas durante o encontro: diminuir suas emissões de gases do
efeito estufa de 36% a 39% em comparação à projeção de quanto o País
emitiria em 2020. Para isso acontecer, a floresta amazônica tem
fundamental importância: o governo planeja diminuir o desmatamento da
floresta em 80% até 2020. Justifica a medida o fato de a devastação
florestal ser a principal causa das emissões brasileiras. Endossados pela
queda recorde do desmatamento (link para matéria) na Amazônia,
identificado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os
líderes brasileiros vão ao encontro defender uma forma de pagamento para a
conservação da floresta, seja ela por meio de doações ao Fundo Amazônia ou
via políticas de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação
(Redd).
Sobre este tema, o mundo vem discutindo propostas – desde Bali
(COP 13) – para inserir ações de conservação florestal no mercado de
carbono. Resta saber se haverá algum resultado concreto desses
debates. Para o Brasil, há pelo menos três preocupações: se os países
desenvolvidos e responsáveis pelas maiores quantidades de gases emitidos,
como os Estados Unidos, vão realmente definir a quantidade de redução de
emissões a ser atingida até 2020 e 2050; se políticas para conservação de
florestas serão efetivamente acolhidas e, o mais importante, se o que for
acertado em Copenhague significará mudanças concretas para o meio ambiente
e a população brasileira.
Vale lembrar que a divulgação do plano
brasileiro de redução de emissões veio em paralelo às discussões para
mudança do Código Florestal Brasileiro – na qual ruralistas defendem a
diminuição da reserva legal do bioma Amazônia de 80% para 50%; e ocorreu
às vésperas da data prevista para o leilão da usina de Belo Monte, no rio
Xingu (PA), projeto criticado por especialistas e comunidades tradicionais
por causa de seus impactos socioambientais à região, além de outras ações
predatórias promovidas pelo governo, como o Complexo Hidrelétrico do rio
Madeira (RO). Nesse sentido, a situação vivida hoje no Brasil parece vir
na contramão do que será apresentado na COP 15. É conquistar apoio e
financiamento de fora para conservar e, ao mesmo tempo, continuar com
projetos para devastar. Diante disso, há o risco de que o encontro
em Copenhague renda, ao invés de um pacto internacional histórico de
enfrentamento das mudanças climáticas, uma oportunidade para que os
governantes façam marketing político. Caberá à sociedade civil
cobrar o contrário.
Editorial de http://www.amazonia.org.br/opiniao/editorial_detail.cfm
|
ADITAL: 03-12-09
Justiça do Mato Grosso do Sul decide pela reocupação
indígena em fazenda
A Justiça Federal de Mato Grosso do Sul julgou como
improcedente a ação promovida pelo proprietário da Fazenda Santa Bárbara,
no município de Aquidauana, que pedia que a área em questão fosse
declarada como terra não indígena. Seguindo a argumentação do Ministério
Público Federal (MPF), o órgão competente decidiu que parte da Fazenda
está localizada em uma terra tradicionalmente ocupada por indígenas da
etnia Terena.
Segundo a sentença, a promulgação Constitucional de
5/10/1988 só vale para determinar que uma área não é de ocupação
tradicional indígena se sua desocupação, pelos indígenas, tiver sido
espontânea. Como os indígenas em questão foram expulsos do
território em razão da Guerra do Paraguai e pelas frentes expansionistas
pós-guerra, eles devem retomar a ocupação e anexar a área à Terra Indígena
Limão Verde, que já havia sido declarada, demarcada e homologada
oficialmente, passando a ter 5.400 hectares.
Notícia em http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&dt=2009-12-03&cod=43561
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24 Horas News: 03-12-09
PF investiga denúncia de ataques a índios por
garimpeiros em Roraima

Yanomami em trânsito na fronteira entre Brasil e
Venezuela-Foto Fiona Watson-SURVIVAL
A Polícia Federal investiga denúncias de ataques a tiros
contra índios ianomâmis em Roraima por garimpeiros que atuam ilegalmente
em uma terra indígena do Estado. De acordo com os índios, o ataque
aconteceu no último dia 22. Segundo Morsaniel Iramari, da Hutukara
Associação Ianomâmi, indígenas da comunidade Hoyamoú haviam ido até o
local confirmar a existência do garimpo, alertados pela intensa
movimentação de aviões e pela constatação de furto de comida na aldeia.
Quando os cinco índios chegaram perto do garimpo, um cachorro que
estava com os garimpeiros latiu, denunciando a presença deles. Nesse
momento, dizem os indígenas, os garimpeiros atiraram. Os ianomâmis
conseguiram fugir. Segundo índios, a pista de pouso no local é de difícil
localização. A Hutukara enviou uma carta à Funai (Fundação Nacional do
Índio) e à PF denunciando a agressão. Em setembro, já havia emitido ofício
sobre o aumento dos garimpos na região. Para Marcos Wesley de Oliveira, da
Comissão Pró-Ianomâmi do ISA (Instituto Socioambiental), isso foi causado
pela recente valorização do ouro e pela ausência de fiscalização.
A PF
informou que está realizando buscas, mas que até agora encontrou apenas
máquinas abandonadas. Porém, segundo Iramari, os policiais ainda não foram
ao local do suposto ataque, o que deve acontecer hoje. Thaís Dias
Gonçalves, da Coordenação de Fiscalização de Terras Indígenas da Funai,
disse que operação realizada pela PF e pelo Exército no local há dois
meses constatou presença "mínima" de garimpo. Segundo ela, equipes do
órgão sobrevoarão a área em janeiro para averiguar a situação.
Segundo
Oliveira, a agressão por garimpeiros, se confirmada, marca a continuação
de uma história de violência na relação entre os grupos. Ele afirma que,
após a entrada dos garimpeiros, cerca de 15% da população ianomâmi morreu,
devido a doenças e a conflitos. Também lembra que, em 1993, 16 ianomâmis
foram mortos na região. Após o episódio, cinco garimpeiros foram
condenados pelas mortes.
Notícia em http://www.24horasnews.com.br/index.php?mat=313368
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Globo Amazônia: 02-12-09
Ataque à Funai coloca em risco último
sobrevivente de povo indígena
Conhecido como 'Índio do buraco', homem vive sozinho na
floresta. Base local da Funai foi parcialmente destruída em Rondônia.

Base da Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé
depredada na Terra Indígena Tanarú-Foto Divulgação FUNAI
Em uma ilha de floresta de 80 quilômetros quadrados vive o último homem
de um povo indígena desconhecido de Rondônia. Conhecido como “índio do
buraco”, ele tem cerca de 50 anos, e evita contato com o mundo externo.
Uma das hipóteses levantadas pela Funai sobre seu isolamento é a de que
seus parentes foram mortos por fazendeiros em um massacre em 1995.
No início de novembro, o “índio do buraco” correu o risco de ter o
mesmo fim. No dia 14, quando funcionários da Funai chegaram à base
instalada na terra do índio, encontraram o local todo revirado.
“Derrubaram todas as prateleiras, mesas, destruíram um fogão a lenha e
arrebentaram uma antena de rádio e uma bateria com as placas solares”,
conta o indigenista Altair Algayer, chefe da frente de proteção aos índios
isolados do vale do Guaporé.
Em uma trilha um pouco à frente da base, mais uma ameaça: sobre dois
paus fincados no chão, os destruidores deixaram duas cápsulas de cartuchos
de espingarda. “A gente não identificou o local para onde eles atiraram”,
afirma Algayer. A Funai ainda não tem pistas de onde pode ter
partido a ameaça, e pessoas próximas à região negam participação no
ataque. A Polícia Federal assumiu a tarefa de investigar a autoria do
crime.

Terra indígena Tanaru (com borda azul), onde vive o
'índio do buraco', é uma ilha de floresta entre fazendas. A reserva ainda
está em estágio inicial de demarcação. (Foto: Sipam/Divulgação)
Fazendas vizinhas
A reserva onde vive o “índio do
buraco” foi criada sobre seis fazendas diferentes, todas elas devidamente
documentadas nos cartórios locais. Segundo o indigenista da Funai,
fazendeiros reclamam que poderiam explorar a área com planos de manejo
para retirar madeira. Como o processo para a criação da terra indígena não
está concluído, os donos das terras ainda não obtiveram indenização.
Saiba mais sobre o Índio do Buraco
Idade: Entre 45 e 50 anos |
Nome: É chamado de “Índio do buraco” por que
dentro de suas cabanas sempre há um grande buraco, parecido com uma
cova de cemitério. |
Povo: Desconhecido. Vestígios indicam que sua
família, de cerca de 5 pessoas, foi dizimada por fazendeiros em
1995. |
História: A Funai tem registro da existência
dele desde 1996. No ano seguinte, ele foi visto frente a frente pela
primeira vez. Ultimamente, funcionários da fundação evitam se
aproximar dele, pois perceberam que o índio não quer fazer
contato |
Iberê Thenório : notícia em http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1399659-16052,00-ATAQUE+A+FUNAI+COLOCA+EM+RISCO+ULTIMO+SOBREVIVENTE+DE+POVO+INDIGENA.html
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Kanindé-RO: 02-12-09
Nota de Pesar: Puruá-Uru-Eu-Wau-Wau
A Kanindé e os Povos Indígenas Amondawa, Jupaú
e Juma, da Terra Indígena Uru-eu-wau-wau estão
de luto. Morreu hoje, vítima de descarga atmosférica (raio), o cacique
indígena Puruá Uru-eu-wau-wau, da Aldeia Alto Jamari. Os
rituais para seu sepultamento serão realizados amanhã, dia
03/12/2009.
Puruá, pai de quatro filhos, era conhecido por ser um
defensor do seu povo, seu território e dos direitos indígenas. Sua morte é
uma grande perda para o seu povo, o movimento indígena e ambientalista. A
Kanindé com extremo pesar comunica sua morte.
Notícia em http://www.kaninde.org.br/index.php?option=com_content&view=category&id=38&layout=blog&Itemid=71
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Instituto Socioambiental-ISA: 02-12-09
Indígenas e ribeirinhos fazem ato no Senado
contra hidrelétrica de Belo Monte
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal
promove nesta quarta-feira (2/12), uma audiênica pública sobre a
construção da Usina de Belo Monte na Bacia do Rio Xingu (Pará), que ameaça
a vida e a subsistência dos povos indígenas e demais populações que
habitam a região. Estarão no evento cerca de 200 indígenas e ribeirinhos.
Em seguida, às 11h, na rampa do Senado, as comunidades xinguanas farão um
ato contra a construção da hidrelétrica. À tarde, alguns representantes da
comitiva participarão de reuniões no Tribunal Regional Federal da 1ª
Região (TRF1) e no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos
Naturais (Ibama).
Especialistas de todo país têm alertado para o impacto
sem precedentes que a construção da Usina de Belo Monte terá sobre o
ecossistema local, inclusive com a redução do volume de água no trecho
conhecido como Volta Grande, o que pode afetar de maneira irreparável a
pesca e a fauna. Além disso, serão alagados cerca de 51 mil hectares de
floresta. Outra conseqüência danosa da obra será o incremento
populacional. Segundo o Estudo de Impacto Ambiental de Belo Monte, serão
atraídas para a região mais de 100 mil pessoas, o que agravará a pressão
sobre os recursos naturais. O aumento populacional que o empreendimento
trará afetará também as comunidades locais porque incentivará um
consequente aumento do desmatamento, da pesca e caça ilegal, da exploração
madeireira e garimpeira.
O governo federal, interessado na concretização de Belo
Monte, a qualquer custo, violou o legítimo direito à consulta livre,
prévia e informada das comunidades indígenas, ribeirinhos e demais
afetados pelo empreendimento. Direitos estes garantidos na Constituição
Federal e na legislação internacional (Convenção 169 da OIT e Declaração
da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas). As audiências públicas
obrigatórias que antecederam o projeto estão sob investigação do
Ministério Público Federal, por não contarem com a participação de todas
as comunidades indígenas e outras populações do Xingu. Nem mesmo o próprio
Ministério Público Federal participou das reuniões.
Aval da Funai: Apesar das contestações
ao processo de licenciamento e do desrespeito à legislação indigenista, a
Fundação Nacional do Índio (Funai) apresentou parecer favorável à usina,
contrariando a posição de seus próprios técnicos e de especialistas, mas
sobretudo dos povos indígenas contrários à construção da Usina de Belo
Monte e de qualquer outro empreendimento que afete o curso do rio Xingu.
Audiência na PGR: Ontem, 1º de dezembro,
as comunidades xinguanas participaram de Audiência Pública na Câmara de
Coordenação e Revisão (Índios e Minorias) do Ministério Público Federal. A
Sub-procuradora Geral da República Débora Duprat afirmou que a audiência
visava atender a demanda dos povos do Xingu por mais explicações sobre o
projeto da Usina de Belo Monte. Contudo, ela ressaltou que o evento em
Brasília não pretende substituir as novas audiências sobre o tema que
deveriam ocorrer no Pará. No evento, foi destacada a ausência da Fundação
Nacional do Índio (Funai), que não enviou representante para a audiência.
A Eletrobrás e a Eletronorte, mesmo confirmando presença, também não
estiveram representadas. Para saber mais acesse.
Notícia em: http://www.socioambiental.org/noticias/nsa/detalhe?id=3011
Leia também a denúncia serial "Belo Monte de
Mentiras", do Prof.Osvaldo Sevá, no Blog Telma Monteiro: http://telmadmonteiro.blogspot.com/2009/11/belo-monte-de-mentiras-parte-iv.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+TelmaMonteiro+(Telma+Monteiro)
Veja no Instituto Humanitas Unisinos: "Belo Monte
e a Crise Ecológica": http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27809
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O Eco: 01-12-09
Tambores de Guerra
Audiência pública entre cartazes e bordunas:
IBAMA, ELETROBRÁS e FUNAI ausentes - foto Aldem Bourscheit/O Eco
Ibama, Eletrobrás e Funai ignoraram a audiência pública
sobre o projeto da usina de Belo Monte marcada para hoje pelo Ministério
Público Federal, em Brasília. A idéia era seguir esclarecendo dúvidas de
quem pode ser atingido pela obra. Uma centena de pessoas se deslocou do
interior do Pará e Mato Grosso para a tentativa de debate. Indígenas de
várias etnias (foto) coloriam o salão, muitos portavam bordunas ao lado do
corpo e ostentavam cartazes contrários à principal obra do PAC - Programa
de Aceleração do Crescimento.
O sumiço estratégico dos
representantes de órgãos oficiais acabou abrindo espaço para mais críticas
e promessas de resistência à construção da barragem. Marcos Apurinã,
coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira, comentou que povos indígenas reforçarão o movimento contra
Belo Monte. "Nem que seja o último índio, não deixaremos isso acontecer,
dentro ou fora de terras indígenas. Se o governo Lula diz que o Brasil é
um país de todos, mas não quer nos ouvir, paciência, também não ouviremos
ninguém", ressaltou.
Procurador da República no Pará desde 1996,
Ubiratan Cazeta comentou que o projeto de Belo Monte navega sobre uma
"geração energética fantasiosa" e que o Estado brasileiro "vive de
aparências" quando o assunto é ouvir a sociedade e avaliar alternativas à
usina, que acabará com a Volta Grande do rio Xingu. "Os prometidos 11 mil
megawatts de energia serão gerados por cerca de quatro meses no ano. Como
garantir que Belo Monte não seja o início de outros aproveitamentos no rio
Xingu para viabilizar seu funcionamento? Falta seriedade quando se fala
que as alternativas a Belo Monte são termelétricas. Temos potencial de
novas tecnologias em implantação, temos discussões sobre repotenciação do
parque hidrelétrico já implantado e sobre as perdas de energia acima das
médias internacionais em linhas de transmissão e subestações",
disse.
Cazeta também lembrou que os projetos de Belo Monte, de
cinco usinas para o rio Tapajós e duas termelétricas, tudo previsto para o
Pará, precisam ser pesados frente às metas para corte de emissões de
gases-estufa que o Brasil assumiu e levará à conferência climática de
Copenhague. "Quê isso significa para o país? E o desmatamento com toda
essa migração? A população na área da obra também deve dobrar, mas o
estudo nada cita sobre emissões de gases de efeito estufa. Se temos metas
de redução, temos que ter um modelo de desenvolvimento mais adequado.
Enquanto essa discussão não for travada, o licenciamento vai gerar
processos judiciais a cada passo", questionou.
Segundo o próprio
Estudo de Impacto Ambiental de Belo Monte, serão atraídas para a região
mais de 100 mil pessoas, agravando o desmatamento, a pesca e a caça
ilegais, além da exploração madeireira e garimpeira. O lago da usina deve
alagar cerca de 51 mil hectares de floresta.
Também procuradora da
República, Deborah Duprat comentou que os licenciamentos federais tem sido
subvertidos por fatores como pressões políticas e econômicas e má
qualidade dos estudos de impactos, levando a um aumento no número de
condicionantes a cada etapa dos processos - licença prévia, de instalação
e de operação. "O que deveria ser estudade e diagnosticado previamente
vira condicionante, até que o projeto esteja concluído. Isso é uma
subversão do licenciamento", ressaltou.
"Todos os quarenta
especialistas que avaliaram as 18 mil páginas do estudo de impacto de Belo
Monte também concluíram que o projeto é uma desfiguração do licenciamento.
Como maior obra do PAC, deveria ser um exemplo de condução do
licenciamento e das discussões públicas, mas a realidade é outra",
arrematou o professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP
Francisco Hernandez, um dos coordenadores do painel de engenheiros,
sociólogos, antropólogos, biólogos, ecólogos e cientistas políticos que
analisou o projeto federal.
Saiba mais:
Beleza
roubada
Manifesto
robusto contra Belo Monte
Belo
Monte, goela abaixo não
Carnaval
na floresta
Notícia em O Eco: http://www.oeco.com.br/salada-verde/38-salada-verde/23035-tambores-de-guerra
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Instituto Socioambiental -ISA: 01-12-09
GARIMPEIROS DISPARAM CONTRA ÍNDIOS YANOMAMI EM
RORAIMA
Aumento da pressão garimpeira na Terra Indígena Yanomami
(TIY) abre nova era de violência. Carta da Hutukara Associação
Yanomami enviada à FUNAI e Polícia Federal denuncia recente disparos de
garimpeiros contra a comunidade Hoyamoú, na região do Hakoma, Alto Rio
Mucajaí.
Balsas de garimpo no Rio Mucajaí, fotografadas em sobrevôo,
setembro de 2009 - HAY/Hutukara
Com o preço recorde do ouro no mercado internacional e
após três anos sem ação governamental para reprimir de maneira eficiente
atividades ilegais na TI Yanomami, os garimpeiros começam a ameaçar
diretamente as comunidades indígenas, aproximando-se de suas casas e
pilhando suas roças. Essa situação vem se agravando desde o início deste
ano e relembra de maneira inquietante os antecedentes da corrida do ouro
dos anos 1980 em Roraima, que matou 15% da população yanomami e culminou
com o triste e célebre massacre de Haximu em 1993.
Em 26 de novembro último, a Hutukara foi informada por
radiofonia que um grupo de guerreiros yanomami da comunidade Hoyamoú da
região do Hakoma (coordenadas: N 2o 44’ 23,60’’ e W 63o 23’ 41,25’’)
decidiram localizar um novo garimpo próximo à sua maloca após intensa
movimentação de aeronaves nas imediações e a constatação de roubos
recorrentes de comida em suas roças. A cinco horas de caminhada da
comunidade, às margens do Rio Mucajaí, o garimpo é abastecido por pelo
menos dois vôos diários, por meio de uma pista de pouso coberta pelas
copas das árvores, o que dificulta a localização por imagem de satélite ou
sobrevôo. O grupo de guerreiros yanomami foi rechaçado das imediações do
garimpo a tiros. A Hutukara encaminhou oficialmente a denúncia no dia 27
de novembro para a Funai e a Policia Federal pedindo novamente
providências. (Leia aqui o documento).
Na semana anterior, em 18 de novembro, a Hutukara já
havia encaminhado outro documento às mesmas autoridades denunciando a
presença de garimpeiros próximos à comunidade do Maharaú, região do Papiú
(coordenadas: N 2o 38’ 51,66’’ e W 63o 8’ 30,93’’). Segundo os Yanomami,
as atividades garimpeiras estariam se desenvolvendo em áreas de roçado, às
margens do Rio Couto Magalhães. (Leia aqui o documento da Hutukara sobre o garimpo do
Papiú). Neste ano , a Hutukara recebeu e encaminhou às
autoridades competentes várias denúncias de reabertura de antigas pistas
ilegais e intensa retomada de atividade garimpeira em vários locais na
Terra Indígena Yanomami, com movimentação de aeronaves nunca vista desde
os anos 1980. Segundo os Yanomami, as pistas em questão são:
Região de Hakoma (Alto Mucajaí): Pistas
Feijão Queimado (W 63,1538 N 2,91404), Bandeirante (W 63,4697 N 2,68847),
Chimarrão (W 63,7393 N 2,49991) e Macapá.
Região da Maloca
Papiú (Rio Couto de Magalhães): Pistas Raimundinho (W 62,9626 N
2,60474) e Neto (W 63,07355 N 2,6296)
Região do Alto
Catrimani: Pistas do Hélio (W 62,8772 N 2,3178), Chico Veloso (W
63,2778 N 2,26099) e Raimundo Neném (W 63,3134 N 2,3556).
Ainda neste mês de novembro os Yanomami localizaram um
avião monomotor em área próxima aos limites da TI, na região do Rio
Ajarani (RR) que, segundo colonos locais , poderia ser uma das aeronaves
que abastecem os garimpos em idas e voltas regulares a baixa
altitude. A informação foi igualmente comunicada à Funai e à Polícia
Federal pela Hutukara. Como nas denúncias anteriores a associação
Yanomami não recebeu até hoje nenhuma informação sobre as ações
eventualmente tomadas pelos órgãos governamentais.
Nos documentos sobre
o aumento da atividade garimpeira ilegal dentro da TIY enviados à Funai e
a Polícia Federal, a Hutukara insiste no fato de que a desintrusão da área
indígena não deve se limitar a meras operações “agulhas no palheiro”, de
busca de garimpeiros na Terra Indígena (que é do tamanho de Portugal) e
seu transporte para a capital do Estado de Roraima. Tais operações,
de alto custo para os cofres públicos, notadamente em diárias de
funcionários, se revelaram de uma lastimável ineficiência. Todas as
autoridades relevantes (MPF, ANAC, PF, Funai, Ibama, FAB e Exército) foram
alertadas repetidamente sobre a necessidade da realização de trabalho de
inteligência a fim de paralisar efetivamente o abastecimento aéreo dos
garimpos da TIY, por meio da identificação das aeronaves e das pistas de
partida fora da TI e de estrangulamento de seus circuitos financeiros, com
investigações sobre as compras de combustível e de material de garimpo bem
como de repressão às redes de comercialização do ouro dentro e fora de
Roraima.
Entretanto, para perplexidade de todos, os garimpos continuam
prosperando, ano após ano, com midiáticas e dispendiosas operações
“agulhas no palheiro”, totalmente inócuas. Um exemplo desta
incompreensível situação pode ser ilustrado pela recente operação,
pomposamente batizada de Escudo Dourado, realizada conjuntamente pelo
Exército e pela Polícia Federal na TI Yanomami. Enquanto os índios
apresentam seguidamente informações concretas da crescente invasão
garimpeira em suas terras, a operação Escudo Dourado exibiu como principal
resultado de sua suposta ação contra o garimpo a retirada de um jornalista
da TV coreana, autorizado a ali estar pela Funai e os Yanomami, justamente
para realizar uma reportagem sobre a reinvasão da TI pelos
garimpeiros!
Finalmente, a operação Escudo Dourado não prendeu nenhum
garimpeiro ilegal nem desativou definitivamente nenhum dos garimpo
denunciados pelos Yanomami,conforme pode apurar a Hutukara por
radiofonia.Tampouco parece haver indícios de qualquer investigação sobre o
esquema em funcionamento que sustenta a a atividade ilegal (ver
documento). Considerando que o garimpo inúmeras vezes está associado
ao tráfico de armas e de drogas, o combate efetivo desta atividade ilegal
deveria ser uma prioridade, principalmente por se tratar de faixa de
fronteira.
Notícia em http://www.socioambiental.org/noticias/nsa/detalhe?id=3009
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Agência Brasil: 01-12-12
Depois da maior cheia dos últimos 100 anos,
Amazonas chega a uma das piores secas
Depois de o Rio Negro alcançar 29,77 metros no mês de junho – a maior
marca desde 1902 - o nível do rio chegou ontem(30) aos 16 metros em
Manaus. De acordo com o superintendente do Serviço Geológico do
Brasil (CPRM) no Amazonas, Marco Antônio Oliveira, o rio chegou a um nível
de emergência. “A situação de seca está crítica ao longo da calha do Rio
Negro e até fevereiro isso deve continuar. Classificamos essa
vazante como média a grande, já que ela se encaixa entre as 30 maiores já
registradas”, disse à Agência Brasil.
O fenômeno natural de subida e
descida do nível do rio afeta a navegação, compromete a ligação com as
sedes municipais e o abastecimento de centenas de comunidades. De
acordo com os registros históricos do CPRM, a maior seca do Rio Negro
ocorreu em 1963, quando o nível chegou a 13,64 metros. O Rio Negro é
o maior do estado e a severa seca deste ano prejudica não só a capital do
Amazonas, mas também os outros quatro municípios (São Gabriel da
Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos e Novo Airão).
O
superintendente do CPRM no Amazonas explicou que a falta de chuvas, desde
a segunda quinzena de julho, deve-se, sobretudo, ao fenômeno El Niño
(aquecimento das águas do oceano). Em julho, agosto e setembro
choveu metade do esperado. Em outubro, 74% e em novembro, apenas 50%
do que deveria.
“Tudo isso nos trouxe para uma severa seca este
ano. Em dezembro o ideal seria que chovesse 219 milímetros, mas não
deve chegar a isso”, avaliou Oliveira. No Sul e Oeste do Amazonas, as
chuvas estão dentro da normalidade, o que contribuiu para a subida do Rio
Solimões, o segundo maior do estado. O reflexo dessas chuvas deve
chegar a Manaus em 15 dias, pois os dois rios (Solimões e Negro)
encontram-se na cidade e a cheia de um pode influenciar o outro.
“Mas o Solimões só vai fazer com que o Negro suba caso as chuvas também
contribuam para isso”, acrescentou Oliveira.
Um estudo detalhado das
áreas afetadas pela seca está em fase de finalização pelo governo do
Amazonas. O objetivo é aproveitar as informações para abertura
imediata de estradas vicinais destinadas a tirar do isolamento milhares de
ribeirinhos atingidos pela estiagem. Linhas especiais de
financiamento para produtores rurais e distribuição de sementes e
implementos agrícolas estão sendo realizados por meio Agência de Fomento
do Estado (Afeam) para auxiliar a agricultura familiar.
Amanda Mota;
notícia em http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/11/30/materia.2009-11-30.6918594774/view
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SURVIVAL-Paraguai: 30-11-09
Reserva da Biosfera da UNESCO devastada por
fazendeiros brasileiros

Homens Ayoreo-Totobiegosode em contato de 2004 - pequenos
grupos desta etnia permanecem em isolamento voluntário no Chaco Paraguaio
- foto GAT/Survival
A Reserva da Biosfera da UNESCO habitada por um povo
indígena isolado está sendo destruída por pecuaristas brasileiros a um
ritmo devastador.Um representante do governo e dois parentes dos
Ayoreo-Totobiegosode têm tentado acessar a região, mas têm sido barrados
pela companhia dos pecuaristas, Yaguareté Porã SA. A reserva, na
região do Chaco Paraguaio, é o habitat do único grupo de
indígenas não-contatados na América do Sul que estão fora da Amazônia, os Ayoreo-Totobiegosode.
A
reserva está sendo devastada apesar da proposta da UNESCO para
proteger os Ayoreo-Totobiegosode, incluindo “a recuperação,
legalização e devolução de terras a estes povos nativos” bem como a “ ajudar a proteger os locais das comunidades indígenas e sua identidade
cultural. " A reserva também visa proteger "espécies-símbolos", como
a onça-pintada - uma ironia, uma vez que Onça-pintada é uma tradução
da palavra “ Jaguaretê” - que é o nome da empresa que tem
violado a reserva. Fotos de satélite mostram que milhares de hectares da
reserva foram destruídos, apesar da Jaguaretê Porã ter sua licença para
atuar lá cedida pelo governo.
A Reserva da Biosfera do
Chaco foi criada em 2005. O objetivo geral destas reservas,
criado pelo “Programa do Homem e da Biosfera da UNESCO “, é a de "inovar e
demonstrar métodos de conservação e desenvolvimento sustentável."
O
Diretor daSurvival, Stephen Corry, declarou hoje:” A terra
Totobiegosode está sendo destruída enquanto falamos. Dado que a sua terra
fica dentro de uma Reserva da Biosfera da UNESCO, esperamos que a UNESCO
possa desempenhar um papel em parar esta destruição e pressionar para o
reconhecimento dos direitos indígenas à terra."
Notícia (em inglês) em: http://www.survivalinternational.org/news/5289
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Folha de São Paulo.UOL:27-11-09
"Índio do Buraco", que vive sozinho em área da Funai, é
alvo de tiros
O último remanescente de uma etnia até hoje não identificada de índios
isolados em Rondônia, conhecido como "Índio do Buraco", pode ter sido alvo
de um grupo armado há cerca de duas semanas. É o que afirma a Funai
(Fundação Nacional do Índio), que acionou a Polícia Federal após
encontrar, no último dia 14, um posto de apoio do órgão destruído e com
dois cartuchos de espingarda abandonados.
Segundo a Funai, a ação foi
protagonizada por fazendeiros que não aceitam a restrição de uso da terra
indígena Tanaru, que possui 8.070 hectares e fica próxima a Corumbiara, no
oeste do Estado. Vestígios observados no local indicam que o índio isolado
sobreviveu. Desde 1998, a área é "exclusiva" desse índio. A restrição é
autorizada por portarias publicadas a cada dois ou três anos pela Funai
--a última é de 27 de outubro.
Seis fazendeiros criam gado na área.
Parte de suas fazendas está na terra indígena, onde não podem atuar ou
circular. No posto atacado foram danificados paredes, placa solar e cabo
de uma antena. "Eles deixaram claro que vão atirar no índio se o
encontrarem", disse à Folha Altair José Algayer ,
coordenador da Frente de Proteção Etno-ambiental do rio Guaporé, que
monitora o índio.
A base é visitada a cada dois meses pela Funai. "O
dono de uma das fazendas nos cobra uma solução. Ele quer que o índio seja
levado para outra terra", disse Algayer, que classificou a invasão como
uma "tentativa de intimidação".
O "Índio do Buraco" foi encontrado
pela Funai em 1997. O nome se deve aos buracos, com um metro de
comprimento e três metros de profundidade, que sempre são encontrados no
interior das casas feitas de terra e palha. Algayer acredita que o buraco
tenha valor místico para o índio, que se alimenta de animais como
porco-do-mato, jabuti e pássaros, caçados com flecha ou capturados em
armadilhas, e de mel.
A Funai calcula que o índio tenha entre 45 e 50
anos e que seja o único sobrevivente de uma tribo exterminada por
fazendeiros a partir dos anos 70. O órgão acredita que o índio "escapou"
de um massacre ocorrido em 1995 na região, relatado por outras tribos.
Matheus Pichonelli: notícia em http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u657705.shtml
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AMAZOÉ: 27-11-09
AMEAÇA DE EXTERMÍNIO: ”ÍNDIO DO BURACO “ É ALVO DA
PISTOLAGEM EM RONDÔNIA

Imagem do "índio do Buraco" se locomovendo no interior da
Terra Indígena Tanarú -Foto FUNAI/Divulgação
O provável último sobrevivente de um povo indígena em
Rondônia, conhecido como “O Índio do Buraco”, tem sido
alvo da ação de pistoleiros, associados a fazendeiros locais que se sentem
prejudicados com o reconhecimento jurídico de áreas de proteção à
sobrevivência do índio. O posto de vigilância da FUNAI no interior da Terra Indígena Tanarú sofreu um atentado há cerca de duas
semanas, constatado pela Polícia Federal em inspeção local . Foram
destruídos equipamentos, sistema de radiofonia, placas solares e partes da
estrutura do posto, que é uma base de monitoramento mantido pela Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé, da Coordenação Geral de
Índios Isolados-CGII/FUNAI. Também foram encontrados cartuchos de
espingarda detonados, o que pode ser indicativo de que tentaram alvejar o
índio. O indigenista Altair Algayer, coordenador da Frente
Guaporé há mais de dez anos, declarou à reportagem da Agência Folha que “eles deixaram claro que vão atirar no índio se o
encontrarem”.
A Terra Indígena Tanarú , localizada nos municípios
de Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras D'Oeste, foi
declarada como área de “restrição ao direito de ingresso, locomoção e
permanência de pessoas estranhas aos quadros da FUNAI”, e teve
recentemente sua condição jurídica reafirmada por prorrogação de três
anos (Portaria FUNAI nº 1371, de 27/10/2006).
O “Homem do
Buraco” subsiste numa das situações mais emblemáticas dos últimos
povos indígenas não-contatados na Amazônia. Único remanescente conhecido
de uma etnia indígena exterminada no sudoeste do Estado de Rondônia,
provavelmente entre as décadas de 80 e 90, teve sua existência comprovada
a partir de 1997, quando sua passagem e sinais de habitação e locomoção
foram registrados irrefutavelmente pela equipe do indigenista Marcelo
Santos, da FUNAI, incluindo naquele momento o cinegrafista Vincent Carelli – registros que dariam origem ao recente e
premiado documentário “Corumbiara”.
Não se sabe maiores detalhes de sua origem, sua língua ou seu povo. Sua
alcunha foi-lhe atribuída pelo mais significativo traço de sua breve
permanência em algum ponto de sua dita “área de perambulação”; pequenos
tapiris (cabanas provisórias de palha) dentro dos quais um buraco profundo
é cavado, onde o índio se aninha. Os indigenistas consideram que o
referido “buraco” tenha alguma atribuição simbólica e cosmológica de
auto-proteção. De toda forma, o “Homem do Buraco” tem rechaçado
continuamente a presença e aproximação de estranhos, tanto “brancos”
quanto outros indígenas, como seu único e último recurso de
auto-preservação. Além do atentado evidente, com contornos de genocídio,
uma das prováveis conseqüências negativas imediatas é o abrupto
afastamento do Homem do Buraco das áreas monitoradas e protegidas pela
FUNAI, onde em tempos recentes ele já revelava alguma tolerância à
presença dos agentes da Frente de Proteção, aceitando furtivamente
sementes de cultivares nativos e algumas ferramentas básicas como facões
ou machados.
Historicamente, testemunhos regionais relatam, por
exemplo, o envenenamento coletivo por açúcar misturado à veneno para ratos
oferecido por fazendeiros locais à índios da região, nos idos de
1985. Marcas de trator de esteira e numerosos cartuchos queimados sobre
vestígios de aldeamentos foram verificados em anos subseqüentes, assim
como cerâmica e objetos indígenas destroçados. Os Akuntsú, etnia da mesma
região contatada com apenas 07 indivíduos em 1995 (atualmente, restaram
cinco), apresentam indeléveis marcas dos tiros dos invasores em seus
corpos. Não é coincidência que também seja conhecido por “Massacre do
Corumbiara” um dos eventos mais sangrentos da história recente de
Rondônia, quando dezenas de trabalhadores rurais acampados em parte da
Fazenda Santa Elina, no mesmo município, foram brutalmente executados e
torturados, tendo o acampamento sido incendiado por jagunços e policiais a
mando dos supostos “proprietários” locais ( 09-08-1995), cuja truculência
há décadas imperam nestes rincões de Rondônia.
Não longe dali, na Terra Indígena Omerê, habitada pelos índios Akuntsú e Kanoê – ambos pequeníssimos
grupos remanescentes de massacres, a Frente Guaporé contende com o ilícito
jurídico da invasão de fazenda de gado do latifundiário Carlos Schumann,
que há semanas posterga ordem judicial da retirada de pessoas e gado da
Terra Indígena. O último argumento do fazendeiro é que não pode deslocar
seus rebanhos sem a GTA- Guia de Trânsito Animal – documento oficial
emitido pelas agências estaduais de defesa sanitária animal - para cuja
emissão é imprescindível a comprovação de vacinação regular do gado,
exigência a qual o referido rebanho não atende. A vacinação regular
atestada por veterinário cadastrado pelo estado é de responsabilidade e
obrigação dos criadores, como medida de controle sanitário nacional.
Carlos Schumann, que foi a imprensa local (jornal "Extra de Rondônia",
em 02-10-09) “denunciar” a suposta perseguição dos indigenistas da
FUNAI, que teriam “plantado índios” dentro de suas terras, é afamado em
Rondônia como um dos mais violentos proprietários e madeireiros da região,
tendo em seu currículo inúmeras acusações por movimentos
camponeses regionais de ser mandante de assassinatos, torturas e
todo tipo de práticas de intimidação pela violência.
Rondônia, que foi elevada à categoria de estado da
federação apenas em 1981, tipifica a metodologia da política para ocupação
da Amazônia levada a cabo por sucessivos governos militares no Brasil, que
nas décadas anteriores a proclamavam como uma “terra sem homens”, para a
qual era necessário alocar “homens sem-terra”. A ocupação frenética,
desordenada e logo encabeçada por latifundiários oriundos do centro-sul do
país, que rapidamente se assenhorearam do processo, inclusive ocupando os
cargos políticos que legitimassem suas ações espoliadoras, legou ao país
uma região com altíssimos índices de devastação ambiental e violência
fundiária. Os habitantes originais da terra, os índios, como sempre, foram
as maiores e mais violentadas vítimas deste processo, num genocídio
incontável e irrefreável. Ainda o são.
Rosa Cartagenes; Apoio Mobilizado ao Povo Zo'é e
Outras Etnias- AMAZOÉ - http://www.amazoe.org.br/
Veja artigo de Leonardo Sakamoto, do Repórter
Brasil, sobre o “Índio do Buraco” e o trabalho da Frente Guaporé, da
CGII-FUNAI em “O último brasileiro”:
http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=17
Veja na página do Globo Amazonia reportagem e vídeo:
"Ocupações Ilegais favorecem desmatamento em Rondônia":http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1245416-16052,00-OCUPACAO+ILEGAL+DE+TERRAS+FAVORECE+DESMATAMENTO+EM+RONDONIA.html
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SURVIVAL INTERNATIONAL: 27-11-09
Rodovia na Amazônia ameaça índios isolados (BR 429)
A Procuradoria Geral da República do Brasil advertiu que índios
isolados na Amazônia estão em risco de extinção devido a estrada que
percorre Rondônia em direção à fronteira boliviana.
O gabinete do
Procurador-Geral condenou o Departamento Nacional de Infraestrutura
e Transportes (DNIT) por violar as leis de licenciamento ambiental, e
ordenou a suspensão dos trabalhos de asfaltamento na BR-429. Ele destacou
que o departamento não levou em conta o impacto sobre os povos indígenas
na região provocados pelo beneficiamento da estrada.
A nova rodovia
atravessa o município de São Miguel do Guaporé, onde, segundo o
departamento do governo para assuntos indígenas, FUNAI, grandes grupos
indígenas vivem na área afetada pela BR-429. Tari, um líder indígena
Amondáwa, lamenta: "Eu nunca imaginei que um dia São Miguel seria
transformada em pastagem, e que a floresta onde andei por toda a minha
vida um dia desapareceria completamente".
O gabinete do
procurador-geral está preocupado com a pavimentação da estrada , que irá
aumentar a extração ilegal de recursos naturais das áreas protegidas e
aumentará os confrontos entre povos indígenas e os invasores do seu
território. Ele alerta que índios isolados podem morrer como resultado do
conflito. A pavimentação da rodovia irá afetar diretamente aos índios
Jurureí não-contatados, de acordo com o promotor federal Daniel Fontenele,
e pode levar ao contato entre estes isolados e forasteiros.
O
território indígena Massaco, habitado apenas por índios não-contatados,
provavelmente da tribo Sirionó, é outra área em risco de invasão.
Notícia (em inglês) em http://www.survivalinternational.org/news/5286
Veja também o artigo do Ministério Público em Rondônia : http://www.prro.mpf.gov.br/conteudo.php?acao=diversosLerPublicacao&id=249
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Agência Câmara : 26-11-09
Direitos Humanos mantém decreto sobre demarcação de
terra indígena
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias rejeitou na quarta-feira (25)
o Projeto de Decreto Legislativo 1346/08,
do deputado Homero Pereira (PR-MT). A proposta pretende sustar o Decreto
1.775/96, que define as regras para o processo de demarcação das terras
indígenas. O decreto do Executivo regulamenta o Estatuto do Índio (Lei
6.001/73), que, entre outros princípios, garante às comunidades indígenas
a posse permanente das terras que habitam, reconhecendo-lhes o direito ao
usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades
existentes nessas terras. De acordo com o relator na comissão, deputado
Luiz Alberto (PT-BA), cabe à comissão a manifestação sob a ótica das
comunidades indígenas e do regime das terras tradicionalmente ocupadas por
elas.
Direito à terra
Luiz Alberto argumenta que a
Constituição Federal reconhece o caráter coletivo do direito à terra dos
povos indígenas e determina que a União deve demarcar e garantir proteção
às terras indígenas. Ele prossegue lembrando que a Procuradoria Federal
Especializada da Funai afirma que, no Brasil, o procedimento de demarcação
não dá ou retira direito; ele não cria um espaço territorial imemorial ou
um habitat tradicional; ele apenas esclarece sobre a extensão e os limites
da terra indígena a ser protegida, dada a sua necessidade para a
sobrevivência cultural desses povos.
A demarcação de uma terra indígena
corresponde a uma declaração de valor legal sobre os limites da área
protegida. Assim, a demarcação não é um ato constitutivo de posse, mas
meramente declaratório de algo que já existe, de modo a precisar a real
extensão da posse e conferir plena eficácia ao mandamento
constitucional.Dessa forma, explica o relator, não há, como argumenta o
autor do projeto, exorbitância do poder regulamentar do decreto
presidencial quanto à fundamentação da demarcação, já que esta não se
presta a criar ou extinguir direitos, mas apenas a
reconhecê-los.
Tramitação
A proposta, sujeita à
apreciação do Plenário, foi aprovada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento
Rural e será analisada ainda pela Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania.
Edson Santos; notícia em http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/DIREITOS-HUMANOS/143433-DIREITOS-HUMANOS-MANTEM-DECRETO-SOBRE-DEMARCACAO-DE-TERRA-INDIGENA.html
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Página 20-Acre: 26-11-09
Índios isolados sitiam aldeia kaxinawa
Lideranças indígenas temem conflitos com
arredios na região do Alto Tarauacá, no rio Muru
Foto de 2008 de malocas de isolados na fronteira Brasil-Perú
© Gleison Miranda/FUNAI
Cerca de 16 famílias da etnia Kaxinawa, que moram na
última aldeia da terra indígena Humaitá, no alto Tarauacá, rio Envira,
estão sendo sitiadas por índios isolados que vivem na região. A
denúncia é feita pelo professor e pajé da Aldeia Novo Futuro, Francisco de
Assis Mateus Lima, mais conhecido por Huni Kuin Kashinawa. Segundo ele, a
etnia está sofrendo pressão de índios “brabos”, que estão circulando nas
proximidades do Humaitá. “Tememos que haja um conflito sério com
esses índios. Não sabemos de que tribo são e nem que língua eles
falam. A informação que temos é que eles costumam andar em grupos
formados por mais de 15 pessoas”, comenta Huni.
Kuin diz que as
lideranças kaxinawas suspeitam que índios arredios tenham intenção de
saquear terçados, facas, tecidos, ou, até mesmo, invocar um conflito
armado. “Antes esses índios costumavam circular em nossa terra
indígena somente no verão. Mas atualmente isso tem acontecido
durante todo o ano”, relata. Para solucionar o problema, Huni argumenta
que é necessário a intervenção da Fundação Nacional do Índio (Funai),
assim como do sertanista José Carlos Meirelles e do governo do Acre.
“É preciso que sejam criados dois postos de vigilância [Frente de
Proteção] da Funai, sendo um no rio Muru e outro no próprio rio Humaitá,
já que é na comunidade Boa Esperança onde os índios ‘brabos’ descem”,
ressalta.
Para o antropólogo e indigenista Terri Valle de Aquino, a
situação é temerosa, tanto que ele se diz surpreso por ainda não ter
ocorrido nenhuma morte entre os kaxinawas e os índios isolados. “Há
um risco iminente de acontecer um conflito sério e com mortes. Já
houve caso de saques e os kaxinawas têm encontrado vestígios da presença
dos arredios”, frisa Aquino. Por outro lado, Terri cita o programa de
Proteção da Funai a índios isolados. De acordo com o antropólogo, a
fundação já dispõe de um recurso na ordem de R$ 450 mil, obtido por meio
de emenda da senadora Marina Silva (PV-AC), para proteger a população de
isolados nas cabeceiras do Humaitá e Envira.
“Por isso também é
importante a participação do governo do Acre nesse processo, que pode
disponibilizar recursos para a contratação de trabalhadores para atuarem
nos postos de vigilância e fiscalização. Nossa proposta é respeitar
as tradições culturais dos índios isolados e protegê-los, somente isso”,
enfatiza o indigenista.
Whilley Araújo; notícia em http://www.pagina20.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=10581&Itemid=14
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G1-Jornal Hoje: 26-11-09
Calor e falta de chuvas matam peixes em rios no
Amazonas
14 mil ribeirinhos foram atingidos e prefeitura suspendeu
aulas.Mortandade de peixes causa cheiro forte e deixa água
contaminada.
Seca na região do rio Manaquiri,
afluente do Solimões, gera desoxigenação da água e morte dos peixes. O rio
circunda a cidade de Manaquiri, no Amazonas. (Foto: Bruno Kelly/A
Crítica/Agência Estado)
O sol forte e a falta de chuvas provocaram a morte
milhares de peixes nos afluentes dos grandes rios da Amazônia. Centenas de
toneladas de peixes mortes aparecem por 40 quilômetros do Rio Manaquiri.
Na região, já são 200 quilômetros de rios e igarapés atingidos. Em alguns
lugares, não dá para ver a água.
O fenômeno natural foi causado
pelo aumento da temperatura nos afluentes do Rio Solimões. Sem água
corrente, chuva e nuvens para bloquear o sol, a água ficou muito
quente. "O aumento da temperatura faz com que haja naturalmente uma
diminuição do oxigênio disponível na água", disse o biólogo Efrem
Ferreira.
Em Manaquiri (AM), já são 14 mil ribeirinhos
atingidos. A prefeitura suspendeu as aulas de 2.600 crianças que dependem
de barcos para chegar às escolas. Os alunos que continuam
estudando levam "toalhinhas" que servem como máscaras.
Com
tanto peixe morto, o cheiro é forte. Além de conviver com o odor e
ficar sem os peixes, base da alimentação, os ribeirinhos ainda estão sem
água para tomar banho, cozinhar e para beber. O rio que passa em frente às
casas deles está contaminado pelos cardumes em decomposição.E não há
previsão de chuvas na região. Segundo os metereologistas, a situação
só vai voltar ao normal em janeiro.
Notíciado Jornal Hoje-Globo em http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1391872-5598,00-CALOR+E+FALTA+DE+CHUVAS+MATAM+PEIXES+EM+RIOS+NO+AMAZONAS.html
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MPF-Pará: 25-11-09
Belo Monte é tema de audiência pública no
MPF
Audiência será na Procuradoria Geral da República, no
dia 1º de dezembro, a partir das 14h
A 4ª e a 6ª Câmaras de Coordenação e Revisão do
Ministério Público Federal vão realizar audiência pública para debater os
impactos socioambientais da construção da Usina Hidrelétrica de Belo
Monte, o principal empreendimento energético do Programa de Aceleração do
Desenvolvimento (PAC). O leilão da usina está previsto para o dia 21
de dezembro.
A audiência vai acontecer no dia 1º de dezembro de 2009,
no auditório JK, na Procuradoria Geral da República a partir das
14h.
Foram convidados representantes do Ministério de Minas e Energia,
do Ministério do Meio Ambiente, da Funai, do Ibama, do Instituto Chico
Mendes, da Casa Civil e da Assessoria Especial do Gabinete Adjunto de
Gestão e Atendimento da Presidência da República, além de representantes
de ONGs, movimentos sociais e grupos impactados pelo projeto, em especial
povos indígenas e outras populações tradicionais.
Notícia em www.prpa.mpf.gov.br
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Amazonia.Org:24-11-09
Indígenas de países da Amazônia apresentam carta
contrária a Belo Monte
Durante o VIII Congresso da Coordinadora de las Organizaciones
Indígenas de la Cuenca Amazônica (Coica) que aconteceu no Peru,
do dia 20 a 23 deste mês, organizações e movimentos indígenas elaboraram
uma carta em defesa dos direitos humanos, que segundo eles, serão
desrespeitados com a concretização do projeto hidrelétrico de Belo Monte,
no Pará. A rede é formada por povos indígenas de Brasil,
Equador, Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana
Francesa
N carta, os movimentos reforçam o posicionamento dos
povos do Xingu e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira (Coiab), também contrários ao projeto, e pedem que países
membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) se manifestem em favor
dos direitos dos povos indígenas afetados pela usina. A construção da
terceira maior hidroelétrica do Brasil vai "afetar diretamente as questões
culturais, sociais e ambientais dos povos indígenas da região da Bacia do
Rio Xingu, como Kaiapó, Xavante, Juruna, Kaiaby, Suiá, Kamaiurá, Kuikuro,
Ikpeng, Panará, Nafukua, Tapayuna, Yawalapiti, Waurá, Mehinaku e Trumai",
segundo a carta
Os índios também alertam para o crescimento da
devastação de florestas em terras indígenas, o aumento da probabilidade de
doenças nas comunidades nativas da região e a alteração da dinâmica dos
costumes tradicionais, como por exemplo, "a diminuição da disponibilidade
de recursos alimentares dessas comunidades que dependem da caça, da pesca
e da coleta de frutos nativos para sua dieta básica".
A ausência de
consulta e consentimento livre, prévio e informado da população indígena
também foi destacada como um dos problemas, já que desrespeita o
art. 231 da Constituição Federal de 1988, a Convenção 169 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Declaração das Nações
Unidas para os Direitos dos Povos Indígenas. Segundo a carta, essa
falta torna ilegítimo o processo de licenciamento e a aprovação do
empreendimento.
Notícia em http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=335611
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Agência Brasil: 23-11-09
Aumenta violação de direitos humanos de
populações afetadas por hidrelétricas, diz relatório
Um relatório, que está sendo elaborado pelo Movimento dos Atingidos por
Barragens (MAB) em conjunto com a Secretaria Especial de Direitos Humanos
(SEDH) da Presidência da República, constata que tem aumentado, nos
últimos anos, a violação de direitos humanos das populações afetadas pelas
grandes hidrelétricas no Brasil.Segundo informou à Agência Brasil Luiz
Dalla Costa, da coordenação nacional do MAB e membro da rede de
organizações da sociedade civil Plataforma BNDES, todas as denúncias
formuladas desde 2005 foram confirmadas.
Dalla Costa disse que foram
registradas violações do direito ao trabalho, à moradia, à livre
circulação e, inclusive, ao acesso à água e à energia. Até o início
do próximo ano, o relatório estará concluído e será divulgado pela SEDH. A
Plataforma BNDES realiza entre os dias 23 e 25 deste mês, no Circo Voador,
no Rio de Janeiro, o 1º Encontro Sul-Americano de Populações Afetadas
pelos Projetos Financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES).
Dalla Costa destacou que o BNDES é o
principal financiador das grandes obras no país. “Praticamente,
todas as obras de construção de barragens no Brasil têm 70% a 80% de
recursos públicos vindos do BNDES.” Por isso, o MAB entende que o banco é
responsável, ou corresponsável, pelas consequências que essas obras causam
na vida das populações. “A gente acha que o banco, ao financiar, tem
responsabilidade de se preocupar para que haja novos critérios de
financiamento dessas obras, e não só hidrelétricas, mas de obras que
envolvem mineração, investimentos na produção de carne que avança sobre a
floresta amazônica, na celulose, na siderurgia, que afetam a vida de
muitas pessoas, que não têm o tratamento social e ambiental devidamente
equacionado”, expôs Dalla Costa.
Ele defendeu que o banco busque
informar, de forma isenta e direta, as populações afetadas, para que elas
possam se organizar e reivindicar seus direitos. “Nós queremos que
haja maior transparência do banco para que as populações sejam previamente
informadas.”
O MAB pede também que o BNDES estude formas de apoiar as
populações situadas ao redor das obras que, muitas vezes, ficam
inteiramente desassistidas. “Nós queremos mudanças nessas posturas e
achamos que o banco é responsável por isso. ”Dalla Costa lembrou que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que o Estado brasileiro
tem uma dívida com os atingidos por barragens e observou que esse
reconhecimento é importante. “E necessário que haja políticas e, no
caso do BNDES, que haja transparência e outros critérios, discutidos com a
população, para que haja, de fato, mudanças substantivas nas políticas
atuais.”
Alana Gandra; notícia em http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=335413
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SURVIVAL INTERNATIONAL: 23-11-09
Medidas para conter o aquecimento global são
devastadoras para povos indígenas
© Survival
Barragem em território Enawenê-Nawê(MT): "alternativa
energética", para quem?
Algumas medidas para deter o aquecimento global têm o
risco de serem tão danosas aos povos indígenas como as próprias mudanças
climáticas, revela um novo relatório elaborado pela
organização de direitos indígenas Survival International.
O
relatório, “A
verdade mais inconveniente de todas: as mudanças climáticas e os povos
indígenas”, enumera quatro “medidas paliativas” que ameaçam
aos povos indígenas:
1. Os biocombustíveis:
promovidos como fonte de energia “verde” frente aos combustíveis
fósseis, grande parte das terras nas quais têm sido cultivados são
terras ancestrais de povos indígenas. Se a expansão dos biocombustíveis
continuar no ritmo previsto, milhões de indígenas de todo o
mundo perderão suas terras e seus meios de subsistência.
2.
Energia hidrelétrica: um novo boom na construção de
represas em nome da luta contra as mudanças climáticas está expulsando
milhares de indígenas de seus territórios tradicionais.
3. A
“conservação florestal”: com o argumento de “dirimir os
estragos” do aquecimento global no Quênia, se está obrigando ao povo
caçador-coletor Ogiek a abandonar
a floresta na qual eles têm vivido há centenas de
anos.
4. Compensação das emissões de carbono: as
florestas dos povos indígenas agora têm um valor econômico no crescente
mercado de “créditos de carbono”. Os povos indígenas
consideram que isto provocará expulsões forçadas e o “roubo de nossa
terra”.
O informe faz um apelo para que os povos indígenas sejam
partícipes plenos nas decisões que os afetam diretamente, e para que
seus direitos territoriais sejam efetivamente respeitados.
Segundo a
Survival: “Este informe destaca ‘a verdade mais
inconveniente de todas’: a que os povos indígenas do planeta, sendo os que
menos têm contribuído par as mudanças climáticas e os mais
afetados por estas, vêm assistido aos seus direitos violados e suas terras
devastadas em nome das tentativas de contenção. Ocultos pela pressão
internacional nas prevenções contra as mudanças climáticas, governos e
empresas estão efetivando apropriações indébitas e massivas de terras
indígenas. Como de costume, quando há dinheiro e grandes lucros em jogo,
aos povos indígenas se expropria de maneira vergonhosa”.
Noticia (em espanhol) em www.survival.es
Leia
o informe (em espanhol)
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Globo Amazônia: 22-11-09
Maranhão é o estado que está destruindo mais
rapidamente sua floresta
Metade da Amazônia maranhense já foi derrubada. Estado
perdeu quase 1% de suas matas em um ano.

Imagens de satélite mostram a
evolução do desmatamento em 20 anos no oeste do Maranhão, divisa com o
Pará. (Fotos: Landsat-Inpe/Divulgação)
O Maranhão é o estado amazônico que está destruindo sua
floresta com maior velocidade. Entre agosto de 2008 e julho de 2009 o
estado perdeu quase 1% da mata que ainda resta no estado, revela uma
análise do Globo Amazônia feita sobre os focos
de desmatamento detectados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais).
Apesar de ser um estado do Nordeste, o Maranhão já teve
59% de seu território coberto por floresta amazônica. Hoje, apenas metade
dessa mata permanece em pé, principalmente dentro de reservas e terras
indígenas nas proximidades da divisa com o Pará. No último
levantamento anual do desmatamento realizado pelo Inpe, o Maranhão foi o
terceiro estado amazônico que mais desmatou. Foram 980 km² de matas
derrubadas, que ficam atrás apenas da devastação do Pará e Mato Grosso.
Quando se leva em consideração o quanto cada local tem de floresta,
contudo, descobre-se que o estado nordestino é o lugar onde a Amazônia é
destruída com maior velocidade, já que 0,95% de duas matas foram
derrubadas em 12 meses. O ritmo é maior que o dobro do registrado no Pará,
que perdeu 0,42% da sua área de floresta no mesmo período.
Veja, abaixo, como foi o ritmo do desmatamento em cada unidade da
federação:
Quanto de amazônia foi destruído em cada
estado
|
Estado |
Floresta em ago/2008 (km²) |
Desmatamento 2008/2009 (km²) |
% da área desmatada 2008/2009 |
Maranhão |
101.779 |
980 |
0.95% |
Tocantins |
10.096 |
56 |
0.55% |
Pará |
879.521 |
3.687 |
0.42% |
Rondônia |
129.277 |
505 |
0.39% |
Mato Grosso |
319.342 |
1.047 |
0.33% |
Acre |
138.379 |
211 |
0.15% |
Roraima |
153.194 |
116 |
0.08% |
Amazonas |
1.465.791 |
406 |
0.03% |
Amapá |
108.781 |
- |
- |
Fraudes
No último ano, o Maranhão foi palco
de várias fraudes no sistema que controla as autorizações para corte de
madeira. Em setembro, uma equipe de investigação descobriu que foram
movimentados irregularmente 98 mil caminhões de madeira no estado. Os
técnicos, liderados pelo Ibama, também descobriram indícios de fraudes em
57% das empresas que movimentam madeira por meio do sistema de controle
eletrônico do estado – o Sisflora.
O problema fez com que a
Secretaria de Meio Ambiente (Sema) trocasse o programa, optando por usar o
sistema DOF (Documento de Origem Fiscal), controlado pelo governo federal.
Segundo o chefe da Sema, contudo, o novo controle também já sofreu
fraudes. “Depois de dez dias que mudamos para o sistema federal, ele
já foi violentado pelo crime organizado”, conta Washington Rio Branco. O
secretário assumiu a pasta em abril, quando Roseana Sarney foi empossada
governadora após a cassação de Jackson Lago. Além das fraudes eletrônicas,
o Ministério Público denunciou um esquema
que envolve uma ex-secretária de Meio Ambiente e outros dois
funcionários. Eles teriam destruído evidências de crimes ambientais.
Segundo os procuradores, funcionários invadiram o prédio da Sema,
destruíram câmeras de segurança, arrombaram as portas e roubaram
computadores. Uma vigilante que anotou a ação em um livro contou que
recebeu R$ 1.000 para ficar quieta e sumir com o
registro.
Freio na devastação
Ainda
que seja o estado em que, proporcionalmente, a devastação ocorre com
mais velocidade, o Maranhão tem registrado diminuição nos seus índices de
desmatamento, assim como tem ocorrido com outras regiões. Segundo as
estatísticas do Inpe, o estado conseguiu baixar de 1.312 km² de matas
destruídas entre 2007 e 2008 para 980 km² no período seguinte – uma
redução de 25%.
Iberê Thenório; notícia em http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1384964-16052,00-MARANHAO+E+O+ESTADO+QUE+ESTA+DESTRUINDO+MAIS+RAPIDAMENTE+SUA+FLORESTA.html
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Globo Amazonia: 22-11-09
Sting reencontra Raoni em SP e pede mais diálogo
sobre usina de Belo Monte
Construção de hidrelétrica é assunto 'de todos os
brasileiros', diz cantor.Fundação criada pelo britânico apoia projetos de
índios do Xingu.

Sting ouve Raoni falar sobre a mobilização de seu povo
contra a construção da usina de Belo Monte. (Foto: Dennis Barbosa/Globo
Amazônia)
O cantor britânico Sting reuniu-se neste domingo (22), em
São Paulo, com os líderes caiapós Raoni e Megaron Txucarramae, para chamar
atenção para a questão da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte,
no Pará. Os caiapós, assim como diferentes organizações e movimentos
sociais, se opõem à construção da megausina no Rio Xingu (veja gráfico
abaixo para entender como deve ser a obra), que ainda não foi licitada por
falta de licença ambiental prévia.
“ Estou particularmente feliz
de encontrar meus amigos Raoni e Megaron”, disse o cantor. “Estou aqui
porque quero que sua voz seja ouvida”, acrescentou. Ele não condenou a
obra diretamente, no entanto. Explicou que é estrangeiro, e que este é um
“assunto brasileiro - mas de todos os brasileiros”. “Há razões econômicas
para que seja construída e razões ambientais para que não seja. O povo de
Raoni precisa ser parte do processo”, alertou.
Raoni e Megaron
também reclamaram da suposta falta de diálogo que haveria com o governo
federal que, em sua visão, quer construir a usina “de qualquer jeito”. “O
governo não conversou com o índio. O índio não sabe o que é uma audiência
pública. Ele acha que vai lá para brigar”, apontou Megaron, ao pedir que o
diálogo com os indígenas seja feito de uma forma adequada à sua cultura.
“Quero que meu povo viva em paz, por isso digo para não fazerem a
barragem”, disse em seu idioma o líder Raoni, com tradução de Megaron para
o português.
Sting espera que na conferência internacional do
clima de Copenhague, em dezembro, as lideranças mundiais reconheçam que
salvar o meio ambiente é tão importante quanto ajudar a economia
ameaçada pela crise financeira internacional. “É muito grande e importante
para falhar”, observou.
20 anos depois O reencontro de
Sting com as lideranças caiapós em São Paulo acontece vinte anos após o I
Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira (PA), em 1989. Depois
da reunião de 1989, Sting fundou com sua mulher, Trudie, a Rainforest
Foundation, que, entre outros projetos, apoiou o reconhecimento oficial de
terras indígenas no Xingu.
Segundo informações do Instituto
Socioambiental, na década de 1990, a Rainforest passou a apoiar projetos
no Parque Indígena do Xingu, entre eles o monitoramento dos limites do
parque para prevenir invasões e o desenvolvimento de um sistema de
educação bilíngue para 14 etnias que ali vivem. O Parque Indígena do
Xingu é atualmente uma grande mancha verde preservada, pressionada pela
expansão da fronteira agrícola em seus arredores.
“Há 20 anos,
quando fui para o Xingu, tive a intuição de que a floresta lá era
importante para o mundo. Mas era só uma intuição. Agora há informações
científicas que embasam essa intuição”, comentou Sting. Ainda na noite
deste domingo, o cantor se apresenta na capital paulista no festival About
Us, de cunho ambientalista, e prometeu convidar Raoni para falar no
palco. “Serei a banda de fundo do Raoni”, brincou.
Marina Silva Perguntado se pretende dar
algum apoio a Marina Silva durante a campanha presidencial do próximo ano,
o cantor inglês disse apenas que conheceu a senadora acreana há dois dias
e que ficou muito impressionado. “Ela é muito carismática”, comentou.
Dennis Barbosa:notícia em http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1388070-16052,00-STING+REENCONTRA+RAONI+EM+SP+E+PEDE+MAIS+DIALOGO+SOBRE+USINA+DE+BELO+MONTE.html
Para gerar energia será represada a maior parte do Rio
Xingu. Canais levarão a água até uma casa de máquinas, enquanto uma porção
do rio ficará com o fluxo de água reduzido. (Foto: EIA-RIMA/Montagem Globo
Amazônia)

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Em Dezembro:
CTI promove na Universidad Nacional de San Marcos, em Lima, a
conferência internacional :"Metodología de Investigación para La
Indentificación de Territorios de Pueblos Indígenas en Aislamiento
Voluntário", no dia 03 de dezembro de 2009.
CTI -CENTRO DE TRABALHO INDIGENISTA:
O Centro de Trabalho Indigenista - CTI - organização não-governamental
brasileira fundada em 1979 por antropólogos e indigenistas, estará
promovendo, em associação à Universidad Nacional Mayor de San Marcos,
a Conferência Internacional “Metodología de Investigación para La
Identificación de Territorios de Pueblos Indígenas en Aislamiento
Voluntário”. O evento ocorre no dia 03 de dezembro, nas dependências da
Universidade (cidade de Lima, Perú) e dispõe de entrada franca, apoiado
pela Rainforest Foundation da Noruega.
Ao longo da fronteira
Brasil-Perú habita a maior população de povos indígenas não-contatados do
planeta, definidos como “em isolamento voluntário”: são povos e fragmentos
de povos que rechaçam o estabelecimento de relações de interação com
elementos externos, mantendo um isolamento cultural e geográfico marcado
por altos níveis de autonomia. O contato direto ou indireto com tais
agentes externos, o que ocorre pela invasão de seus territórios, coloca
estas populações humanas em alto risco de extermínio, pela transmissão de
patologias para as quais não dispõem de imunidade e pelas perdas
territoriais diante da exploração econômica levada a cabo pelas frentes de
expansão em seus espaços vitais. “ A principal estratégia para
garantir a integridade e continuidade sociocultural destes povos é o
reconhecimento oficial de seus territórios”.
A Conferência
contará com a participação de especialistas de renome nas discussões
referentes aos povos indígenas em isolamento, tais como os antropólogos
Gilberto Azanha (CTI-Brasil) e Marcelo Piedrafita (CPI-Acre), Beatriz
Huertas (FENAMAD-CIPIACI-Perú), Margarita Benavides(IBC-Perú), Carlos
Soria(CIPIACI),entre outros.
Entre diversos projetos de campo junto a
várias etnias indígenas no Brasil, como os Guaraní e os Timbira, o CTI
participa com a FUNAI (Coordenação Geral de Índios Isolados-CGII) de um
programa conjunto denominado “Proteção Etnoambiental dos Povos Indígenas
Isolados na Amazônia Brasileira”, e edita bimestralmente o “ Boletim Povos
Isolados na Fronteira Brasil-Perú”.
Notícia a partir de Divulgação do CTI
Acesse a programa de apresentação da Conferência em: http://www.trabalhoindigenista.org.br/conferencia/
Maiores informações sobre o Centro de Trabalho Indigenista-CTI: www.trabalhoindigenista.org.br
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Amazonia.Org.: 20-11-09
Funasa anuncia novas contratações para
atendimento a saúde de índios da Amazônia
Panará em viagem,foto Pedro Martinelli-Arquivo ISA
A Fundação Nacional da Saúde (Funasa) anunciou
ontem (19) que obteve autorização do Ministério do Planejamento para
contratar 802 novos servidores para atender à saúde indígena. O
concurso deve acontecer no início de 2010, e é uma das medidas para
combater os casos de gripe suína (H1N1 Influenza A) entre os indígenas da
Amazônia. Segundo a Funasa, o Departamento de Saúde Indígena (Desai)
iniciou uma operação há duas semanas na Amazônia, principalmente na região
de fronteira com a Venezuela e a Colômbia. Entre as ações, uma
parceria entre o Ministério da Saúde e o da Defesa vai levar vacinas para
regiões de difícil acesso. Além de ações de prevenção também estão sendo
desenvolvidas ações emergenciais. "A preparação para o atendimento
em casos confirmados envolve até mesmo a disponibilização de horas voo
(destinadas para transporte de pacientes e equipe de saúde), além do apoio
de laboratórios para a realização de exames", explica Flávio Pereira
Nunes, coordenador-geral de Atenção à Saúde Indígena do
Desai.
Casos
Ontem (19), uma criança de dois anos da etnia Panará, do norte do Mato
Grosso, morreu no Hospital Regional de Colíder (650 km da capital
Cuiabá). A criança apresentava sintomas da nova
gripe. Outros três índios Panará
contraíram a gripe, mas foram curados e já voltaram para a aldeia. Também
preocupa a possibilidade de uma epidemia entre os Yanomami. No
último mês, oito índios da etnia morreram infectados pela gripe H1N1 no
território da Venezuela. A proximidade entre as aldeias venezuelanas
com as brasileiras preocupa, principalmente porque os Yanomami têm baixa
imunidade a doenças respiratórias.
Bruno Calixto;notícia em www.amazonia.org.br
Saiba mais sobre os PANARÁ (Kreen-Akarore) no website do
Instituto Socioambiental-ISA: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/panara
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Jornal Nacional/Globo: 20-11-09
Índios aderem a inovações
tecnológicas
Convidados pelo Sesc, os índios estão em São Paulo para
ver, ser vistos. E discutir problemas de seus povos. Eles usam celular,
câmeras digitais e computadores. E sonham com profissões tradicionais.
Representantes de diversas tribos estão reunidos, nesta semana, em São
Paulo, para discutir a situação indígena no Brasil. E nessa reportagem de
Ernesto Paglia, a gente vê os hábitos que eles incorporaram mais
recentemente ao dia a dia. Na aldeia global, endereço de índio é
eletrônico! A imagem, são eles mesmos que fazem. “É pra lembrança mesmo.
Aí eu digito e passo tudo computador”, diz um deles.
Fome também
se mata no bandeijão. “Arroz e feijão é muito consumido, farinha de
mandioca também”, diz a nutricionista do Sesc. Lá na taba, toda escola é
bilíngue. “Eu ensino criança sobre língua portuguesa e sempre falo pro meu
aluno que não pode perder a nossa cultura”, disse o professor. E cunhã
bonita sonha com uma carreira modelo, de médica ou jornalista. Curumim de
hoje cresce de olho no mundo. “Aprendi a tirar foto na aldeia”. E o
mundo de fora da aldeia devolve o olhar para todo mundo sair ganhando. São
Paulo se orgulha da sua diversidade cultural. Pois, hoje, ela foi
enriquecida por cinco línguas: o guarani já é falado na aldeia da Zona Sul
da cidade. Foram ouvidos também os idiomas kalapalo, terena, xavante e
carajá, que vale por dois, já que homens e mulheres carajás falam línguas
diferentes.
Convidados pelo Sesc, os índios estão em São Paulo
para ver, ser vistos. E discutir problemas de seus povos. “Preocupação com
a nossa terra, não pode entrar fazendeiro não, tirando madeira, tirando
ouro, diamante”, disse o Chefe kalapalo.
Eles vêm lembrar, também, que
temos todos um pé na tribo. “Somos todos indígenas e temos que despertar
isso pra que no futuro o Brasil mostre ao mundo que somos um país forte,
baseado na tradição do negro, do branco e dos povos indígenas”, disse o
líder indígena Marcos Terena.
Depois de 500 anos, eles parecem ter
descoberto a receita para esse convívio. “Dar educação para a juventude,
para poder não acabar, para poder melhorar”, disse a pajé.
É bom
prestar atenção. Palavra de pajé.
Notícia do JornalNacional/Rede Globo: http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1387152-10406,00.html
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O Eco: 19-11-09
O legado de Mee
Centenário de nascimento da ilustradora e
conservacionista inglesa Margaret Mee é comemorado no Rio com exposição de
pinturas. Algumas, jamais exibidas para o público. Veja imagens
Uma das muitas bromeliáceas amazônicas na fina arte da
inglesa Margaret Mee
O Rio de Janeiro está sendo palco da mais recente exposição de
ilustrações da botânica inglesa Margaret Mee (1909-1988), que passou boa
parte de sua vida desenhando espécies da flora amazônica em mais de 15
expedições que fez à região entre 1956 e 1988. Para comemorar o centenário
de nascimento da artista, a curadoria selecionou 140 obras de Mee, entre
desenhos, aquarelas, além de objetos pessoais, ampliações fotográficas,
páginas de cadernos de anotação e até um vídeo da ilustradora inglesa. Os
visitantes também têm a oportunidade de conhecer os artistas que se
inspiraram no trabalho de Mee e dão continuidade à sua obra. Muitos deles
apoiados pela Fundação Botânica Margaret Mee, inaugurada no Rio de Janeiro
em 1989, um ano após a morte da artista.
Para exibir um acervo tão
robusto da obra de Mee, a curadora da exposição, Sylvia de Botton
Brautigam, reuniu diversas coleções, como a Coleção Bradesco de Arte
Brasileira, Instituto de Botânica de São Paulo, Academia Brasileira de
Ciências do Rio de Janeiro, Herbário Bradeanum da UFRJ, Coleção Marta e
Paulo Kuczynski e colecionadores particulares. Um dos destaques da
exposição é a apresentação de 23 obras dedicadas às orquídeas pela
primeira vez. As bromélias, uma de suas paixões, também podem ser
apreciadas em 54 aquarelas. O trabalho de Mee é hoje encarado como um
registro histórico precioso de diversas espécies da flora brasileira que
correm risco de desaparecer. Em suas incursões pela Amazônia, Mee acabou
sendo pioneira em outras atividades, como a primeira mulher a escalar o
Pico da Neblina. Margaret Mee está entre as artistas de referência do Kew
Gardens, maior Jardim Botânico do mundo, em Londres, e é descrita não
apenas como artista, como uma conservacionista. Ao perceber que as
espécies que retratava estavam sob ameaça, passou a pintar também a região
onde elas eram encontradas, na tentativa de explicitar em sua obra a
interdependência da natureza. Não raro, Mee era vista concentrada em suas
observações e pinturas no próprio local onde achava as plantas. Algumas,
sequer registradas em seu tempo.
Com apenas lápis e tinta guache, ela
fez mais de 400 pinturas com valor inestimável para a Ciência. Uma de suas
maiores conquistas foi ter conseguido, após 24 anos de expedições na
Amazônia, pintar a chamada “flor da lua” (Selenicereus wittii),
assim conhecida porque só abre durante a noite.Mee faleceu em 1988 num
acidente de carro, na Inglaterra.
Serviço:
A exposição “Margaret Mee – 100 Anos de
Vida e Obra e seu Legado Os Novos Artistas Botânicos” acontece até o dia
20 de dezembro no Centro Cultural dos Correios, no centro do Rio, de terça
à domingo, das 12h às 19h. A mostra já passou por São Paulo e em 2010 deve
percorrer Recife, Salvador, Curitiba e Brasília. A entrada é franca.
Andréa Fanzeres em “O Eco”:Veja algumas das ilustrações da
mostra no website de “O Eco”:http://www.oeco.com.br/curtas/110-curtas/22945-o-legado-de-mee
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Instituto Humanitas Unisinos: 19-11-09
Hidrelétricas no Tapajós: 'Nós dependemos da
Amazônia para sobreviver, como é que vamos estragar tudo?'
Cinco hidrelétricas fazem parte de um projeto para o rio
Tapajós na região do Pará. Cerca de 80% da
região atingida pelas obras desse complexo hidrelétrico fazem parte de uma
área de preservação ambiental. Lá vivem pescadores, ribeirinhos e
povos indígenas. Todos, certamente, terão seu dia-a-dia mudado para
sempre se a obra for empreendida. Conforme nos contou
Jesielita Gomes, a Lita, uma das moradoras que luta contra a construção
dessas hidrelétricas, os povos que vivem na cidade de Itaituba não sabem
por que não podem desmatar, por exemplo. “Antes, o governo dizia que
ele só tinha crédito se desmatasse, hoje ele não tem crédito porque
desmatou. O governo traz o sofrimento porque depois vai embora, e a
gente que fica pagando por isso. Alguém tem que se unir a nós e
dizer o que está certo e o que está errado”, explicou ela durante a
entrevista que deu à IHU On-Line por telefone.
Jesielita Gomes é
coordenadora do Movimento Tapajós Vivo e do Movimento
de Mulheres da região. Ela conta que só soube do projeto das
hidrelétricas no rio Tapajós porque participou de um evento na cidade de
Altamira e lá conheceu o jornalista, e historiador, Glenn Switkes, que
representa a International Rivers na América Latina. “O Glenn nos
perguntou se sabíamos da construção das hidrelétricas na bacia do
Tapajós. Então, falei que não sabíamos de nada. E, quando
voltamos, fui pesquisar o assunto na Internet e descobri todo o
projeto. Com isso, fizemos um seminário em janeiro deste ano,
chamamos as lideranças comunitárias, principalmente dos locais atingidos”,
contou.
Confira a entrevista na página do Instituto
Humanitas:http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27644
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Diário do Pará: 18-11-09
Indígenas denunciam quadrilha de desmatamento
Aproveitando os sete dias de realizações da décima edição
dos jogos dos Povos Indígenas, madeireiros clandestinos invadiram terras
indígenas da etnia Tembé, em Paragominas, sudeste do estado. Segundo o
cacique Sergio Tembé, os índios como de tradição saíram para caçar, e
perceberam a derrubada de árvores dentro da reserva indígena.
Aproximadamente doze índios apreenderam toda madeira derrubada, além de
tratores, motosserras, e mantiveram trabalhadores sobre custódia até que a
polícia fosse ao local do crime. Uma força conjunta, que envolveu homens
do 19º Batalhão de Polícia Militar, Superintendência Regional da Zona
Guajarina e 13ª Seccional de Paragominas, se deslocou para o local. Indo
em direção à tribo indígena, à cerca de 190 km do perímetro urbano da
cidade, os sinais eram de devastações e destruições por toda parte, com
várias árvores já derrubadas.
Ao chegar a um local à cerca de 20
km da sede da aldeia foram encontrados nove homens, que diziam ser apenas
trabalhadores, e que seriam contratados por um senhor de prenome Robson.
Ao serem abordados sobre outros trabalhadores que estariam na área, eles
se mantiveram calados. Onde foi feito um ponto base pelas polícias. A cada
hora, chegavam homens que diziam apenas prestar serviços a terceiros. Até
o amanhecer de ontem, vinte e cinco homens foram presos. Entre eles,
Robson Ferreira dos Santos, ex presidente da Câmara de Vereadores de Nova
Esperança do Piriá, além de Eli Ribeiro dos Santos, que seriam donos dos
caminhões que transportavam a madeira ilegal. Além de serem os
responsáveis pela contratação dos braçais. A reportagem do DIÁRIO
perguntou para quem eram comercializadas as madeiras serradas, eles apenas
disseram que eram para madeireiros de Tailândia, município do nordeste do
Estado. Entre os trabalhadores eram contratadas pessoas para realizar as
funções de motorista, catraqueiros, motoqueiros e braçais. As diárias
variavam de R$ 200,00 a R$ 50,00 por função.Após realizarem trabalhos
ostensivos, policiais encontraram um trator, duas motosserras, um revólver
calibre 22, seis motos. Além de espécie em dinheiro que foi recolhida da
quadrilha mais de R$ 1.500,00, segundo os madeireiros eram para “agradar”
os indígenas para que os caminhões fossem liberados. Todos que estavam
conduzindo veículos não tinham habilitação.
Às 09h da manhã de
ontem, foi montado um esquema para que os seis caminhões com mais de
cinquenta e dois metros cúbicos de madeiras serradas fossem trazidos para
Paragominas, junto com eles, a quadrilha que desmatava em terras
indígenas. Um comboio envolvendo viaturas do 19º BPM, SRZG e 13ª Seccional
foram montados, mas, o estado dos caminhões era precário e iam
apresentando defeitos durante a viagem, e, apenas dois chegaram à cidade.
Todos os detidos, um total de 26 pessoas, foram conduzidos para a 13ª
Seccional de Paragominas, onde foram recebidos pelo superintendente da
Zona Guajarina, Silvio Maués, que os autuou em flagrante, por formação de
quadrilha e crimes contra o meio ambiente. Eles ficarão detidos nos
próximos dias na carceragem da Seccional e, em seguida, serão transferidos
para o Centro Regional de Recuperação de Paragominas (CRRP), onde
aguardarão sentença judicial.
Notícia em http://www.diariodopara.com.br/noticiafullv2.php?idnot=68524
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Agência Brasil: 18-11-09
Relator afirma que posseiros agiram de má-fé em
invasão na Terra Indígena Marãiwatséde
O juiz federal Pedro Francisco da Silva, relator do recurso contra a
demarcação da Terra Indígena (TI) Marãwatsede, no norte de Mato Grosso,
considera que fazendeiros e posseiros agiram de má-fé ao ocupar a área na
década de 1990, pois eram “sabedores que se tratava de terras
tradicionalmente ocupadas pelos índios Xavante”. De acordo com o relator,
que aprecia o recurso no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região,
fazendeiros e posseiros “simplesmente invadiram a área por vontade própria
porque se auto-intitularam detentores do direito de ali serem assentados
em processo de reforma agrária”.
Depois que o juiz leu as 32 páginas do
relatório e votou favoravelmente aos indígenas, o desembargador João
Batista Gomes Moreira pediu vista do processo para examinar melhor a
questão. Além do desembargador e do relator, vota no processo a
desembargadora Maria do Carmo Cardoso, da 5ª Turma do TRF. A
retomada do julgamento só deve ocorrer no início de 2010. O adiamento,
entretanto, não desanimou o cacique Damião (Parisené). “O julgamento
está muito bom, mas buscamos a vitória. É devagar. Nós não
podemos pressionar, isso é trabalho”, disse elogiando o relator na saída
do julgamento. O cacique foi criado na terra Marãwatsede até os 10
anos. Hoje, aos 58 anos, tem esperança de receber a terra de
volta. “Nunca perdemos na Justiça. Temos direito, somos
habitantes do Brasil primeiro”, lembrou.
No início da audiência, o
presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, afirmou
que a história dos Xavante e da terra Marãwatsede “é uma história longa,
uma enorme dívida do Estado brasileiro com esse povo". Meira acredita que
a Justiça dará ganho de causa aos índios e à Funai e assegura que os
ocupantes legais da terra, caso existam, serão indenizados. “Nós
estamos seguindo a lei. As famílias que eventualmente estejam dentro
da terra indígena, se elas forem clientes da reforma agrária, serão
reassentadas, irão receber lotes de terra pelo Incra [Instituto Nacional
de Colonização e Reforma Agrária]. Já existe uma área reservada para
fazer esse reassentamento. Os direitos previstos na lei serão
respeitados tanto para os indígenas quanto para quem tiver que sair da
terra”, afirmou à Agência Brasil.
Gilberto Costa;notícia em http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/11/17/materia.2009-11-17.7986232830/view
Veja também na Agência Brasil: "Terra
em disputa já foi o maior latifúndio do Brasil"
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SURVIVAL INTERNATIONAL: 17-11-09
Corpo de índio Guaraní encontrado após ataque por
pistoleiros
Guarani
© João Ripper/Survival
Um corpo de índio Guaraní foi encontrado morto e
seriamente lesionado em um rio, próximo à
sua terra ancestral, no Brasil, após um ataque armado em 30 de
outubro contra a comunidade Guaraní em Ypo’í . O corpo do professor
Genivaldo Verá foi identificado por seus parentes em 10 de novembro. As
autoridades brasileiras estão o examinando para estabelecer as causas da
morte. O ataque ocorreu próximo à fazenda “Triunfo” , estabelecida sobre
território Guaraní próximo à cidade de Paranhos, Mato Grosso do
Sul, sudoeste do Brasil, perto da fronteira
paraguaia.
O primo e companheiro de Genivaldo e também
professor indígena, Rolindo Verá , continua desaparecido após o ataque e
está sendo procurado. Os Guaraní estão cobrando das
autoridades governamentais brasileiras e paraguaias que realize uma
investigação urgente, pois temem que o professor Rolindo também tenha sido
assassinado. Genivaldo e Rolindo Verá haviam aderido juntamente com
outros Guaraní, em 29 de outubro, à reocupação de parte de suas terras
ancestrais, ou “tekohá”. Suas terras foram roubadas e ocupadas por grandes
fazendeiros, e cerca de 3.000 Guaraní têm vivido espremidos em apenas
2.118 hectares de terra. Durante anos os Guaraní têm tentado retornar à
Ypo’í . A FUNAI, instância governamental brasileira para assuntos
indígenas, não conseguiu demarcar suas terras, apesar do
mandato oficial para fazê-lo. Um dia após seu retorno à Ypo’í,
os Guaraní foram atacados por um grupo de homens armados, que
chegaram em um caminhão e abriram fogo sobre eles, batendo, molestando-os
e forçando-os para fora da área. Vários Guarani foram feridos,e
Genivaldo e Rolindo desapareceram.
O líder Verá Guaraní declarou: “ Quando nós chegamos ao nosso Tekohá ficamos muito felizes.
Começamos a construir algumas cabanas, para que pudéssemos começar a viver
na nossa terra novamente. Mas não demorou muito e um bando de pistoleiros
chegaram e nos bateram e atiraram em nós.Começamos a correr. Muito maior
que a dor das balas e dos espancamentos, sentimos a dor de sermos forçados
para longe daquilo que é nosso.”
O ataque é o mais
recente de uma série de eventos violentos em Mato Grosso do Sul.Uma semana
antes deste, índios Terena que haviam ocupado parte de suas terras
tradicionais no município de Sidrolândia, também foram expulsos à
força. A comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi
Pillay, que visitou recentemente o Brasil descreveu a situação dos povos
indígenas como “espantosamente invisível”. Ela afirmou que “eles estão
sendo retidos pela discriminação e indiferença, expulsos de suas terras e
oprimidos pelo trabalho forçado”.
Os Guaraní do Mato Grosso do Sul enfrentam uma das
mais difíceis situações entre todos os povos indígenas do Brasil. Tendo
sido os habitantes de um amplo território de florestas e planícies que
totalizavam cerca de 350.000 quilômetros quadrados, agora são obrigados à
sobreviverem em pequenos assentamentos superlotados. Alguns
Guarani não têm terra alguma, e vivem acampados à beira de
rodovias. Enfrentam o desemprego, doenças, desnutrição, violência,
exploração nas plantações de cana-de-açúcar e uma altíssima taxa de
suicídio, inigualável na América do Sul .
Notícia (em inglês) em http://www.survivalinternational.org/news/5268
Veja sobre o filme “Terra Vermelha” (“La
Terra degli Uomini Rossi”), de Marco Bechis, apoiado pela Survival e com a
participação de atores Guaraní-Kaiowá: http://www.birdwatchersfilm.com/
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Globo Amazônia/Agência Estado: 17-11-09
País receberá R$ 100 milhões para combater
malária
Meta é reduzir em 50% os casos em 47 municípios da
Amazônia.Em 2007, Brasil registrou 458.624 ocorrências da doença.
O Brasil vai receber cerca de R$ 100 milhões para
combater a malária. Comunidades que vivem em 47 municípios de seis Estados
da região amazônica serão beneficiadas pelo investimento, que tem por
objetivo realizar ações de prevenção e tratamento da doença pelos próximos
cinco anos.
O projeto de Controle da Malária será financiado pelo
Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária, aprovado em 2008
e que começará a ser executado no próximo ano, segundo o Ministério da
Saúde. O repasse será feito em cinco parcelas e representa um incremento
de 14% em relação aos investimentos previstos pela pasta para o
período.
A meta é reduzir em 50% os registros de malária nesses 47
municípios, que foram responsáveis pela transmissão de quase 70% dos casos
da doença no Brasil em 2007. Naquele ano, dos 458.624 casos registrados em
todo o País, esse conjunto de municípios concentrou 311.279. O plano
estima uma diminuição gradativa desse número, com a previsão de que eles
caiam para pouco mais de 150 mil em 2014.
O projeto visa ainda a
colaborar na diminuição da morbidade e mortalidade na Amazônia, região que
concentra 99% da transmissão da malária no Brasil. Para isso, traçou
estratégias a fim de garantir diagnóstico rápido, tratamento precoce e
efetivo e distribuição de mosquiteiros impregnados com inseticida de longa
duração, para controle vetorial.
Notícia no http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1381666-16052,00-PAIS+RECEBERA+R+MILHOES+PARA+COMBATER+MALARIA.html
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Agência Brasil: 16-11-09
Autoridades aguardam exames para saber se corpo achado em
córrego é de índio desaparecido
Brasília - A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso
do Sul promete concluir até o fim desta semana os exames de identificação
do corpo encontrado no último dia 7 em um córrego da cidade de Paranhos,
próxima à fronteira com o Paraguai, e que pode ser do professor Genivaldo
Verá, índio guarani que desapareceu no dia 31 de outubro,
durante um confronto com supostos seguranças contratados para retirar os
índios da Fazenda São Luiz.
Funcionários da Fundação Nacional do
Índio (Funai) e integrantes da comunidade guarani da Aldeia Pirajuí
acreditam que o corpo seja o de Genivaldo. Os pais do professor chegaram a
afirmar a policiais civis que reconheciam o filho em uma foto do corpo
retirado do córrego Ypoi, que corta a fazenda. Mas, de acordo com a
responsável pela Coordenadoria-Geral de Perícias, Céris Ione Maksoud,
somente depois dos exames será possível dizer se o corpo é ou não do
professor. “Por enquanto não há nada de concreto. O corpo está em estado
de putrefação avançado e só com o exame de DNA vai ser possível afirmar se
é ou não é [o corpo de Genivaldo]. Pelo local em que ele foi
achado pode ser o dele, mas, por enquanto, isso não passa de especulação”,
afirmou Céris, por telefone, à Agência
Brasil.
Além de Genivaldo, o professor Olindo Verá também
desapareceu durante confronto com suspostos seguranças da fazenda. Segundo
os índios, os seguranças chegaram disparando balas de borracha. Os
dois professores faziam parte do grupo de pelo menos 18 guaranis que no
dia 28 de outubro havia ocupado parte da Fazenda São Luiz. A Polícia
Federal e a Polícia Civil estão apurando os fatos, mas ainda não
divulgaram qualquer parecer. A propriedade fica numa das 32 áreas do
estado que os índios reivindicam que sejam transformadas em reservas
indígenas. Um dos filhos do atual dono da fazenda, Firmino Aurélio Escobar
Filho, garante que sua família vive no local há pelo menos quatro gerações
sem jamais ter tido problemas com índios ou sem-terras. Ele nega a
contratação de seguranças armados e afirma que apenas os caseiros estavam
na propriedade quando os índios a ocuparam.
Estudos antropológicos
para identificar estas áreas e, se for o caso, embasar as demarcações já estão sendo realizados pela Funai, que espera concluir a
fase de pesquisa em abril de 2010.
Alex Rodrigues: notícia em http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/11/16/materia.2009-11-16.0852259881/view
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SURVIVAL ESPANHA/PERÚ: 16-11-09
Companhia Petroleira nomeada ao “Prêmio
Pinóchio”, de Amigos da Terra
Uma petroleira anglo-francesa foi agraciada aos anti-prêmios outorgados
pela organização Amigos da Terra por seu multimilionário projeto em uma
região da Amazônia onde vivem alguns dos últimos povos indígenas
não-contatados do planeta.
A empresa, PERENCO,está entre os quatro
candidatos na categoria “direitos humanos” para os “Prêmios Pinóchio
2009”, conferidos pela “Amigos da Terra” da França. Estes prêmios
pretendem sensibilizar e denunciar empresas francesas que”perpetram as
mais graves violações aos direitos humanos”.
A Perenco está
“premiada” por seu projeto na Amazônia Peruana, onde pretende perfurar e
extrair milhões de barris de petróleo das terras que pertencem à povos
indígenas não-contatados.Segundo a Amigos da Terra, ao fazê-lo a Perenco
infringe uma recomendação recente da ONU ao Governo Peruano, e confronta a
demanda da organização nacional dos indígenas da Amazônia Peruana, a
AIDESEP. A Perenco nega a existência destes povos.
A amigos da
Terra afirma que em junho se produziu um massacre como resposta aos
protestos indígenas contra os planos do governo de permitir às empresas
petrolíferas acessarem às suas terras sem seu consentimento.”OPresidente
do Perú, Alan Garcia, reconheceu publicamente que o Governo se equivocou
ao não consultar devidamente aos povos indígenas a questão das concessões
petrolíferas. No entanto,a Perenco não parece disposta a aprender
com isto, e está agravando o que já é uma situação extremamente tensa por
trás do massacre”, afirma a Amigos da Terra. O presidente da Perenco,
François Perrodo, se reuniu com Alan Garcia este ano e se comprometeu a
investir dois milhões de dólares no projeto. Concomitantemente, os povos
indígenas atingidos protestavam contra a empresa e impediam seus barcos de
acessarem um dos principais afluentes do rio Amazonas.
Fontes
internas da Survival International expressaram hoje: “Isto é muito
embaraçoso para a Perenco.Uma forma de assegurar-se em não ganhar este
Prêmio Pinóchio seria abandonar este projeto amanhã mesmo”
As
votações para o “Prêmio Pinóchio”podem ser feitas online a partir
de:
http://survival-international.us1.list-manage.com/track/click?u=b14580b05b832fb959c4ee444&id=862191bcda&e=3e0a7120dc.
O ganhador será conhecido do público em 24 de novembro de 2009.
Notícia(em espanhol) em http://www.survival.es/noticias/5265
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NotíciasTerra:15-11-09
PF investiga possível elo das Farc com milícias
indígenas
A Polícia Federal investiga um possível elo das Farc (Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia) com milícias indígenas que atuam na fronteira
do Brasil com a Colômbia e Peru. De acordo com informações da Folha de
S. Paulo, a organização paramilitar teria treinado a chamada Piasol
(Polícia Indígena do Alto Solimões) ou SPI (Serviço de Proteção ao Índio).
A milícia indígena foi criada porque a PF e a Funai não conseguiam atuar
para conter o alto índice de crimes da região do Alto Solimões. A maioria
dos índios aprova as milícias. No entanto, conflitos no começo do mês
deixaram 11 feridos. Dois assassinatos supostamente cometidos pela Piasol,
que rejeita o rótulo de "milícia", são investigados pela PF.
Com 1,5
mil voluntários, a maioria de ex-militares, a Piasol é monitorada pela
Abin (Agência Brasileira de Inteligência). De acordo com a Folha de S.
Paulo, a PF suspeita que a organização receba treinamento das Farc,
mas rejeita comentar a questão. A principal linha de apuração dos
investigadores é de que as Farc estariam interessadas em fortalecer um
grupo paramilitar aliado. Há a suspeita, também, que o grupo paramilitar
teria se aliado aos ticunas por haver índios destas tribos nas fileiras
das Farc.
Notícia em http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4102300-EI8140,00.html |
G1-Globo.com: 14-11-09
Índios e fazendeiros disputam área em
MT
Em 98, governo reconheceu direitos de xavantes e criou
reserva. Justiça determinou saída de não índios, mas fazendeiros
recorreram.
Parori'wa: Festa da Nominação Masculina - Foto Rosa
Gauditano-Arquivo ISA
Fazendeiros, corretores de terras e colonos disputam com
índios xavantes uma imensa área que se espalha por quatro municípios
de Mato Grosso. Para evitar um confronto, a Fundação Nacional do Índio
(Funai) montou um posto de vigilância na entrada de uma aldeia
improvisada, onde vivem 900 xavantes. Os funcionários da Funai dizem
que já receberam várias ameaças dos fazendeiros. Brancos e índios
brigam há mais de 40 anos pelas terras de uma antiga fazenda. Dentro dessa
área, existe até um vilarejo com mais de 800 habitantes que se recusam a
sair. "A Justiça pode até determinar, mas nós vamos lutar até o fim da
vida", diz um morador.
A fazenda foi vendida a uma multinacional e,
depois, retalhada em propriedades menores. Em 1998, o governo federal
reconheceu o direito dos xavantes e transformou a área em uma reserva. Há
dois anos, a Justiça mandou que todos os não índios deixassem a região.
Mas os fazendeiros recorreram e continuam derrubando a floresta para criar
gado e plantar soja. De acordo com as investigações da Polícia Federal, a
devastação atinge mais de 60% da reserva indígena. Depois que a floresta é
derrubada, a área parece um deserto.
Notícia do Jornal Hoje, no G1: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1379216-5598,00-INDIOS+E+FAZENDEIROS+DISPUTAM+AREA+EM+MT.html
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G1-Globo.com: 14-11-09
Maior emissora de CO2, Amazônia não tem controle
sobre gases poluidores
Para especialistas, controle é essencial para execução de
políticas.Governo anunciou meta de reduzir até 38,9% da emissão de
gases.

Queimadas são um dos principais fatores de emissão de
CO2 na região da Amazônia (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)
Os estados da Amazônia não têm informações precisas sobre
a emissão de gases de efeito estufa, de acordo com informações fornecidas
ao G1 pelos governos estaduais. Segundo estimativa do
Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, a região emite cerca de 60% do
dióxido de carbono (CO2) gerado no país. Nesta sexta-feira (13), o governo
federal anunciou que vai se comprometer voluntariamente a reduzir as
emissões de gases causadores do efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até
2020. O plano será apresentado na Conferência do Clima das Nações Unidas,
em Copenhague, Dinamarca, entre 7 e 18 de dezembro.
O CO2 é um
dos gases causadores do efeito estufa, que prejudicam o meio ambiente. A
Amazônia é uma grande emissora de CO2 por conta do desmatamento e das
queimadas. Gases-estufa também estão presentes nas indústrias, na
agricultura, na pecuária e na fumaça dos veículos. O G1 fez um levantamento das ações dos estados da Amazônia Legal (Acre, Amapá,
Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão) para
redução de emissão de gases poluidores. Desses estados, a reportagem não
conseguiu contato com a assessoria do governo do Amapá.
Também
consultou governos de estados com áreas de Cerrado (Goiás, Mato Grosso do
Sul, Minas Gerais e Bahia); e alguns dos mais industrializados do país
(São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul). A assessoria do
estado de Goiás informou que não dispunha dos dados solicitados. De todos
os 17 estados consultados, somente dois afirmaram ter dados sobre a
emissão de gases de efeito estufa: São Paulo e Rio de Janeiro, que dizem
ter feito inventários sobre a emissão em 2005. Muitos dos demais, têm
planos de realizar inventários no próximo ano.
Na maioria dos
casos, o único controle sobre os gases de efeito estufa é uma estimativa
sobre a emissão de CO2 com base nos dados de queimadas e de desmatamento.
Para os especialistas consultados pelo G1, a falta de
informações precisas prejudica a implantação de políticas públicas e a
adoção de metas de redução.
Mariana Oliveira e Maríla Juste em http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1378881-5603,00.html
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O Estado de São Paulo: 13-11-09
Ibama libera Belo Monte na 2ª-feira
Lula teria determinado ao Ministério do Meio
Ambiente autorizar obra da hidrelétrica, que vai a leilão em
dezembro
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai emitir na próxima segunda-feira a
licença prévia para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio
Xingu, no Pará, segundo informou ontem o ministro de Minas e Energia,
Edison Lobão. De acordo com fontes do governo, a determinação para que a
licença seja liberada partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A
decisão de liberar a licença foi tomada ontem durante reunião de Lula com
Lobão, os ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, da Casa Civil, Dilma
Rousseff, e representantes de outros órgãos do governo que representam os
setores de energia e meio ambiente. O presidente do Ibama, Roberto
Messias, também participou do encontro. "Tratamos do licenciamento de Belo
Monte, que está demorando bastante. Ficou decidido que na segunda-feira o
Ministério do Meio Ambiente emitirá a licença", afirmou Lobão.
O
Ibama já havia se comprometido a emitir a licença prévia para a construção
de Belo Monte, mas a data em que isso ocorreria vinha sendo seguidamente
postergada. No mês passado, em entrevista ao Estado, Roberto Messias havia
afirmado que o documento seria liberado no dia 26 de outubro, o que acabou
não ocorrendo. De acordo com o Ibama, a demora se deve à complexidade da
análise do caso, já que a obra é de grandes proporções. A emissão da
licença é fundamental para que o governo consiga fazer o leilão de
concessão do usina, previsto para 21 de dezembro. Belo Monte é o maior
projeto de geração de energia elétrica do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC). Quando for concluída, a usina terá capacidade de gerar
11.300 megawatts de energia. Segundo Lobão, quando a unidade estiver em
operação, será a terceira maior do mundo.
ELETROBRÁS
O governo decidiu também que a
Eletrobrás vai participar de todos os consórcios que vão entrar na disputa
pela concessão do projeto da usina. Segundo o presidente da estatal, José
Antonio Muniz Lopes, a estratégia definida prevê que a participação será
de até 49% dos consórcios e se dará por meio das subsidiárias da empresa -
Furnas, Eletronorte, Chesf e Eletrosul. Até agora, havia indefinição em
relação à participação das estatais do setor elétrico - se entrariam já na
disputa do leilão ou depois, associando-se ao grupo vencedor da licitação.
Esse modelo de participação foi adotado pela Eletrobrás nos leilões das
hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia. Cada
consórcio interessado nos projetos contou com a participação de pelo menos
uma empresa do Sistema Eletrobrás.
RENATO ANDRADE, RENATA
VERÍSSIMO E LEONARDO GOY
Renato Andrade, Renata Veríssimo e Leonardo Goy; notícia
em http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091113/not_imp465735,0.php
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Amazonia.Org :12-11-09
Brasil tem uma das melhores leis de direitos
indígenas, mas não consegue consolidá-la
O líder indígena Marcos Terena na Semana dos
Povos Indígenas-2009-Foto Mário Vilela-Arquivo FUNAI
Com a Constituição de 1988, a adoção da Convenção 169 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) e a declaração dos direitos dos povos
indígenas da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil passou a ser o
País com uma das melhores leis de defesa dos direitos indígenas. Apesar
disso, os poderes Executivo e Legislativo não conseguem consolidar essa
regulamentação. É o que constata Marcos Terena, líder indígena e um
dos fundadores do primeiro movimento indígena do Brasil, em 1979. Terena
foi um dos especialistas e militantes indígenas que participaram do
seminário 1º Seminário Latino-americano dos Povos indígenas e Direitos
Humanos da Universidade de São Paulo, realizado nesta semana na capital
paulista. Para que essa situação mude, o líder indígena defendeu a
autodeterminação dos povos indígenas, e o direito de cada povo ter seus
princípios internos respeitados. Segundo Terena, isso não significa
que os índios poderiam, hipoteticamente, não se considerar
brasileiros. "Não existe a possibilidade, pelo menos do ponto de
vista dos indígenas, de não sermos mais brasileiros".
Além da questão
da legislação e dos direitos dos povos, uma das principais preocupações do
seminário foi a atual situação do povo Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do
Sul. Os Guaranis sofrem com a disputa de terras com fazendeiros
locais. O jurista e ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai)
Carlos Frederico Mares de Souza Filho explicou que o que ocorreu na terra
dos índios Guarani, no sul do Estado do Mato Grosso do Sul, foi exatamente
o que muitos políticos de Roraima queriam fazer na Terra Indígena Raposa
Serra do Sol (RR), isto é, demarcar a terra indígena em ilhas. "A idéia
era que os índios ainda poderiam ter a 'glória' de trabalharem nas
fazendas", ironizou. Segundo o jurista, a situação só será resolvida
no Mato Grosso do Sul com a demarcação contínua das terras dos
Guaranis.
169 e Grandes Projetos
Ricardo Verdum,
do Instituto de Estudos Socioeconomicos (Inesc), abordou a questão dos
direitos indígenas nas Constituições dos Estados da América Latina, e os
acordos internacionais, como a Convenção 169 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT). Segundo o pesquisador do Inesc, a Convenção 169, e
depois a Declaração dos Povos Indígenas da ONU de 2007, trouxeram avanços
importantes no respeito aos direitos dos povos indígenas, mas a aplicação
efetiva desses instrumentos ainda deixa a desejar.
Para Verdum, as
grandes obras de infraestrutura estão se tornando grandes desafios na
implementação dos direitos indígenas na região. Ele se refere aos
projetos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e a Integração de
Infraestrutura na América Latina (IIRSA), com projetos de infraestrutura -
com forte protagonismo do Brasil e de empresas brasileiras - com
interesses na exploração de recursos naturais, como petróleo ou minérios,
em terras indígenas. Segundo ele, esses projetos entram, muitas vezes, em
confronto com os direitos indígenas. "Raposa Serra do Sol e, mais
recentemente a questão envolvendo Belo Monte, são dois exemplos de que a
consulta prévia indicada na 169 ainda tem muita dificuldade em ser
implementada", diz, referindo-se à usina hidrelétrica que será construída
no rio Xingu (PA) e que pode afetar as terras dos índios Kayapó.
Ontem (11), a Justiça determinou que o licenciamento de Belo Monte fosse
suspenso e que se fizessem novas audiências públicas.
Marcos Terena
contou que participou das primeiras manifestações dos Kayapós contra Belo
Monte, no final da década de 1980, quando os índios conseguiram evitar o
financiamento e a construção da usina. Ao fazer a comparação com o
momento atual, no entanto, ele acredita que será mais difícil impedir a
construção da obra. "Vamos ter muita dificuldade para brecar esse
projeto. Naquele tempo, o movimento político de esquerda conversava
com a gente, estava com a gente, mas hoje eles são governo e defendem o
projeto. Até o Ibama e a Funai estão apoiando".
Bruno Calixto: notícia em http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=334509
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ADITAL: 12-11-09
Começa amanhã, em Roma, o Fórum Pela Soberania Alimentar
dos Povos
Terá inicio amanhã (13), em Roma, e seguirá até o dia 17 o Forum pela
Soberania Alimentar dos Povos 2009. Na ocasião, estarão presentes cerca de
400 delegados provenientes de 70 países dos quatro continentes para
representar organizações da sociedade civil, de pequenos produtores de
alimentos, agricultores, pescadores, povos indígenas, trabalhadores rurais
e da alimentação, juventude rural, grupos de mulheres e grupos
transumantes. A iniciativa acontecerá paralelamente à Cúpula Mundial
sobre Segurança Alimentar articulada pela Organização das Nações Unidas
para a Agricultura e a Alimentação (FAO, por sua sigla em inglês) que será
realizada de 16 a 18 de novembro, também em Roma. A reunião se propõe a
criar bases para erradicar a fome no mundo até o ano de 2025, mesmo
objetivo da Cúpula passada, que não logrou sucesso.
"O Forum pela
Soberania Alimentar pretende uma mudança nas políticas agrárias e de
alimentação dominantes por meio da análise das causas primarias da fome e
da má nutrição; e mediante a apresentação de propostas surgidas de anos de
resistência dos pequenos produtores de alimentos e dos pobres das cidades.
Não há solução para as múltiplas crise do mundo enquanto a sociedade civil
não tenha um papel de protagonista e enquanto não exista um diálogo com os
governos". Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU),
hoje mais de um bilhão de pessoas passam fome em todo o mundo, saldo de
cerca de 100 milhões a mais do que em 2008. Os motivos são uma combinação
de vários fatores: aumento do preço dos alimentos, aumento da demanda
provocada pelo desenvolvimento dos biocombustíveis, desaceleração
econômica global e uma série de processos especulativos gerados nos
mercados internacionais.
A situação se torna mais grave com o
rápido crescimento da população. Projeções recentes da ONU indicaram que a
população mundial passará de 6,8 bilhões de pessoas para 9,1 bilhões, em
2050. Caso as providências cabíveis e concretas não sejam tomadas
rapidamente a probabilidade é que a crise alimentar se estenda ainda mais
e continue afetando, sobretudo, camponeses e camponesas, sem terras e
trabalhadores rurais. Uma das soluções autênticas para atenuar a crise
alimentar seria o estímulo à agricultura de pequena escala, já que os
produtores familiares têm condições de abastecer o mercado local e
produzir sem vitimar o solo, a água, as sementes orgânicas e o meio
ambiente como um todo. Atualmente, a produção dos alimentos é
dominada por grandes corporações internacionais que visam apenas aumentar
seus lucros. Não existe interesse em salvar o mundo da fome ou em utilizar
técnicas menos agressivas. Hoje, as terras agrícolas são extremamente
lucrativas e as companhias estão tomando enormes quantidades de terras ao
redor do mundo e expulsando os agricultores locais para produzir alimentos
dirigidos à exportação ou aos agrocombustíveis.
O Fórum pela Soberania
Alimentar dos Povos está sendo promovido por um Comitê de Pilotagem
Internacional (CPI) formado por diversas Organizações da Sociedade Civil
(OSC) que representam os produtores de alimentos e os povos afetados.
Notícia em http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=42854
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Blog do Phillip Fearnside: 12-11-09
A Triste História da Hidrelétrica de Belo Monte III:Do
EIA-RIMA Rejeitado ao Aval do Congresso
Após a manifestação de Altamira em 1989 houve várias
reformulações, tanto dos planos em si quanto da maneira de apresentá-los
ao público. Um segundo estudo para Belo Monte foi concluído em 2002 numa
“versão preliminar” pela Universidade Federal do Pará (UFPa) (1). A
escolha da UFPa era altamente controversa, e a seleção foi feita em
setembro de 2000 sem licitação. A explicação dada era que a UFPa era
extensamente conhecida pela sua excelência técnica. Infelizmente, apesar
da reputação acadêmica forte da Universidade como um todo, a organização
civil de interesse público (OCIP) associada à Universidade (FADESP:
Fundação de Amparo e Desenvolvimento de Pesquisa), criada para obter
contratos de consultoria como esse, não desfrute a mesma reputação (2,
3). O EIA para Belo Monte, que custou R$3,8 milhões, foi rejeitado
pela justiça federal em maio de 2001. Uma liminar de outro tribunal
permitiu a continuidade do estudo, assim completando versões preliminares
dos relatórios(1), antes da liminar ser derrubada em 2002.
Quando a
FADESP foi escolhida para fazer os estudos ambientais, este grupo tinha
produzido um EIA/RIMA para a hidrovia Tocantins/Araguaia que havia sido
rejeitado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (IBAMA) como deficiente (4), e a construção da
hidrovia estava sob embargo judicial por causa de “fraude” no estudo (5).
A “fraude” se refere à seção do relatório sobre os impactos prováveis da
hidrovia nos povos indígenas que habitam a ilha do Bananal: a conclusão de
que os impactos seriam severos tinha sido retirada do relatório a pedido
dos proponentes do projeto, o que levou os antropólogos que tinham
redigido a seção iniciar uma ação para ter o texto restabelecido. As
falhas múltiplas no estudo de impacto ambiental(6) levaram a uma ordem
judicial em junho de 1997 suspendendo as obras nessa hidrovia(7). A
FADESP também tinha produzido um EIA/RIMA para a hidrovia Tapajós-Teles
Pires, onde a passagem da obra por uma reserva indígena é uma das
principais preocupações, mas o relatório foi rejeitado por “completa
inconsistência” (8). Nada disto pressagia bem os estudos ambientais da
FADESP para Belo Monte, onde assuntos indígenas é uma parte fundamental
das controvérsias que cercam a obra.
Um fato marcante foi o
assassinato, em 25 de agosto de 2001, de Ademir Alfeu Federicci, conhecido
como “Dema”, um líder de resistência contra os planos de construção das
barragens. Dema encabeçava o Movimento pelo Desenvolvimento da
Transamazônica e do Xingu (MPDTX). Ele é considerado na área como um
mártir que foi morto por causa das suas críticas francas às represas(9).
No entanto, como é freqüente em assassinatos levados a cabo por
pistoleiros contratados, evidências suficientes não podiam ser juntadas
para trazer o caso a julgamento.
O processo de EIA/RIMA para represas
hidrelétricas sofreu um retrocesso em 2001, quando as regiões
não-amazônicas do País foram sujeitas a racionamento de eletricidade e a
blecautes repetidos (o “Apagão”) devido à falta de água nos reservatórios
na região Central-Sul (10). O “Apagão” também ocorreu devido a uma
série de decisões erradas no planejamento e administração de eletricidade
(11). O Brasil tem um uso altamente ineficiente de energia(12) e há
muitas oportunidades ainda não aproveitadas para provisão de energia de
baixo impacto (13, 14). Em 18 de maio de 2001 o presidente Fernando
Henrique Cardoso emitiu uma medida provisória que estabeleceu um tempo
máximo de seis meses para conceder aprovação ambiental para projetos de
energia (15). Belo Monte era o objetivo mais proeminente desta medida, que
fez uso máximo da reação pública ao racionamento nos principais centros
populacionais, tais como São Paulo e Rio de Janeiro. Porém, os estudos
ambientais não puderam ser completados no prazo impossível de seis meses,
e até lá a crise tinha sido aliviada com a chegada da estação chuvosa para
reencher os reservatórios hidrelétricos na região Centro-Sul. A medida
provisória expirou desde então sem ter sucesso em forçar uma aprovação
abreviada de Belo Monte.
Pressões para uma aprovação veloz continuaram
desde 2003 sob a administração presidencial de Luis Inácio Lula da Silva.
O estado do EIA/RIMA para Belo Monte era altamente ambíguo. Em outubro de
2003, a então Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que a
Ministra de Energia (Dilma Roussef à época) tinha concordado que o estudo
inteiro seria refeito “a partir do zero” (16). Em março de 2004 o
Presidente Lula chamou os seus ministros para exigir que eles encontrassem
modos para contornar impedimentos ambientais e outros para concluir
projetos de infra-estrutura protelados ao longo do País, incluindo 18
barragens hidrelétricas (17). O setor elétrico passou a fingir de
que o já rejeitado EIA-RIMA de 2002 tivesse resolvido os problemas, e que
não restou nada para a aprovação ambiental da obra. Em setembro de 2004,
Walter Fernandes Santos da Eletronorte declarou que apenas detalhes
burocráticos secundários estavam faltando resolução, sendo uma questão de
“encaminhamento” do processo pelo procedimento de licenciamento, e que a
aprovação final era iminente (18).
Em 13 de julho de 2005 o Congresso
Nacional aprovou em tempo recorde a construção de Belo Monte mesmo sem um
EIA/RIMA aprovado, e logo em seguida várias ONGs entraram com uma
representação na Procuradoria Geral da República contestando a decisão, e
a Procuradaria da República no Estado do Pará pediu uma Ação Direta de
Inconstitucionalidade contra o Decreto Legislativo (no. 788), feito sem
consulta às populações afetadas, entre outras falhas.
Veja a descrição das Citações e Referências
no GloboAmazônia;
Leia os outros dois capítulos sobre
Belo Monte no blog do Fearnside :
http://colunas.globoamazonia.com/philipfearnside/
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Globo Amazonia:12-11-09
Após incêndio, procurador do MPF diz que conflito
em Santarém não terminou
Manifestantes atearam fogo em duas balsas com madeira no
oeste do Pará. Procurador diz que a queimada foi apenas mais um episódio
do conflito.
Durante um mês, duas balsas que transportavam madeira foram retidas por
moradores das comunidades da Gleba Nova Olinda, Reserva Extrativista
Tapajós/Arapiuns e Gleba Novo Grande, em Santarém, no oeste do Pará. Os
manifestantes reivindicavam, entre outras coisas, a paralisação por
completo de todos os planos de manejo da gleba Nova Olinda e a demarcação
de terras que eles denominam indígenas.Nesta quarta-feira (11), após um
mês de protestos, os manifestantes atearam fogo no carregamento,
composto por mais de 3 mil metros cúbicos de madeira.
O Globo Amazônia entrevistou Cláudio Henrique Machado,
procurador da república do Ministério Público Federal do Pará. Na opinião
de Machado, o conflito ainda não terminou e dois problemas continuam
evidentes: a falta de fiscalização, por parte da Secretaria Estadual do
Meio Ambiente do Pará (Sema-PA), e a morosidade na demarcação da terra
indígena, responsabilidade da Funai. A reportagem entrou em contato
com as duas entidades. O secretário Aníbal Picanço, da Sema-PA, informou
que os planos de manejo autorizados, em Santarém, não estavam irregulares.
Ele disse que sozinhos, Sema e Ibama, órgãos responsáveis pela
fiscalização, não conseguem vistoriar todas as áreas ao mesmo tempo, mas
conjugam esforços para i²€ir o desmatamento ilegal e punir os responsáveis
por essa ilegalidade. Não recebemos nenhuma resposta da Funai até o
fechamento desta edição.
Globo Amazônia: O conflito em
Santarém chegou ao fim?
Cláudio Henrique Machado: O
conflito não terminou, porque a grande reivindicação deles é sobre a
extração ilegal de madeira na região e sobre a demarcação da terra
indígena Maró. Eles questionam a Secretaria Estadual do Meio Ambiente do
Pará (Sema-PA), porque ela vem autorizando planos de manejo irregulares na
região e não faz a fiscalização. Com relação à demarcação, a Funai, desde
julho, está com o processo parado e não dá seguimento.
E
por que a situação é um conflito, e não uma reivindicação?
Existe, sim, um conflito. A região é bastante emblemática, tem
questões de conflitos fundiários, pessoas foram permutadas de uma área
indígena, pelo governo do Pará, e colocadas aí. Tanto os manifestantes
quantos os indígenas dizem que estão sofrendo pressão e, inclusive,
ameaças de morte.
O MPF soube com antecedência que as
toras seriam incendiadas. Por que nada foi feito para que isso não
ocorresse?
Nós conversamos com as lideranças para que
eles pensassem bem e não fizessem aquilo ali, porque aquilo geraria
responsabilidades e problemas na opinião pública, talvez a opinião pública
fosse desfavorável a eles. Porém, a decisão já tinha sido tomada e não
tinha muito o que fazer. Agora, é aguardar. Quem fez isso vai sofrer a
responsabilidade, provavelmente vai ser instalado um inquérito e apurada a
responsabilidade.
Então o MPF considerou o incêndio um ato
criminoso?
Com certeza. O Ministério Público Federal não
concorda com esse tipo de atitude, mas a gente só fica preocupado para que
não se mude o foco, que não se dê relevância somente a esse aspecto. As
outras questões que eles vêm reivindicando continuam evidentes, que é a
falta de fiscalização e a morosidade na demarcação da terra indígena.
O senhor chegou a afirmar que a Sema e a Funai tinham sua
parcela de responsabilidade. Por quê?
Uma das coisas que
a Funai falou é que foi estabelecido um grupo de trabalho para fazer um
relatório de delimitação da terra indígena. Esse relatório teria que ser
aprovado pela Funai e publicado no Diário Oficial da União. Só que as
atividades foram encerradas em julho e, até hoje, esse relatório não foi
publicado. O decreto estabelece um prazo de 15 dias, então, eles estão bem
atrasados. A informação que me foi passada pela Funai é que eles
determinaram duas alterações no relatório e que, até o final do ano, vai
ser apresentada a versão definitiva, para publicação no Diário Oficial da
União, para dar prosseguimento ao processo.
Mariana Fontes; notícia em http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1376696-16052,00-APOS+INCENDIO+PROCURADOR+DO+MPF+DIZ+QUE+CONFLITO+EM+SANTAREM+NAO+TERMINOU.html
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ADITAL-PERÚ: 12-11-09
Indígenas pressionam e governo desiste de dissolver
AIDESEP

Bloqueio em Bagua- Foto Survival International
Depois da pressão dos indígenas amazônicos do Peru, o
governo do país retirou da Justiça, ontem (11), o pedido de dissolução da
Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana (Aidesep). A
maior entidade étnica da nação havia ameaçado abandonar a mesa de
discussão com o governo e retomar seus protestos caso a decisão
governamental não fosse revista. Os protestos em defesa da propriedade da
água e da terra amazônica se iniciaram em maio, um mês antes da repressão
policial que deixou 34 mortos em Bagua.
Responsável pelo
anúncio do recuo, o primeiro-ministro peruano, Javier Velásquez, explicou
que o objetivo foi de "remover os obstáculos que impediam avançar" no
diálogo com os indígenas.
O ministro admitiu que o pedido de
dissolução, feito em outubro, havia se transformado em uma "trava para a
fluidez do diálogo". "Mais importante é o diálogo", reconheceu.Antes, o
governo considerava os dirigentes da Aidesep responsáveis pela violência
na Amazônia. "A responsabilidade é de uma pessoa e não de uma instituição,
esse é o motivo pelo qual temos retirado essa solicitação", justificou
Velásquez.
O Estado peruano desistiu da medida depois que os
representantes indígenas amazônicos, reunidos em 1.350 comunidades,
ameaçaram, na semana passada, deixar a mesa de diálogo com o governo,
instalada para solucionar a crise na Amazônia. O dia de hoje (12) foi o
prazo dado pelos indígenas para o recuo do governo.
Para o secretário
da Aidesep, Saúl Puerta Peña, a medida do governo "pretenderia debilitar
os povos indígenas amazônicos, para facilitar o acesso sem problemas dos
grandes interesses das empresas petroleiras e mineradoras, e isso não é
amistoso".Os protestos indígenas foram iniciados em maio deste ano, contra
a aprovação de um pacote de leis que modificava a propriedade da água e da
terra amazônica. Em junho, em um dos maiores embates com as forças
armadas, um protesto deixou 34 mortos - 24 policiais e 10 civis - e 200
feridos na cidade de Bagua.
Preocupados com a perseguição internacional
do caso, o governo peruano aceitou compor uma mesa de diálogo para
solucionar o conflito com os indígenas. No entanto, os indígenas
bloquearam as discussões depois que o governo anunciou seu pedido de
dissolução da Aidesep. Criada em 1980, a Aidesep é hoje a maior entidade
étnica da nação, com 350 mil pessoas. A associação tem se oposto às
tentativas do governo de abrir a Amazônia peruana às atividades de
extração de petróleo, gás e às empresas mineradoras.
Notícia em http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=42859 |
Agência Brasil:11-11-09
TRF derruba liminar que suspendeu licenciamento
de Belo Monte
Brasília - O Tribunal Regional Federal da 1° Região
(TRF-1) derrubou hoje (11) a liminar concedida pela Justiça Federal em
Altamira (Pará) que suspendia o licenciamento da Hidrelétrica de Belo
Monte, no Rio Xingu. Em decisão na noite de hoje, o TRF-1 acolheu o pedido
da Advocacia-Geral da União (AGU) para manter o processo de licenciamento
da usina.
A liminar determinava a suspensão do licenciamento até a
realização de novas audiências públicas para ouvir as comunidades que
serão atingidas pelo empreendimento. A paralisação poderia comprometer o
prazo do governo para o leilão da hidrelétrica. O Ministério de Minas de
Energia marcou o leilão para o dia 21 de dezembro. Para que o edital seja
publicado, é necessária a licença do Ibama.
Com a derrubada da
liminar que travava o licenciamento, a licença prévia deve ser assinada
nas próximas semanas. O pedido da AGU foi feito em conjunto com a
Procuradoria do Ibama.
Principal empreendimento energético do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Belo Monte terá potência
instalada de 11 mil megawatts, a segunda maior do Brasil, atrás apenas da
Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná, que tem 14 mil megawatts.
A
polêmica sobre Belo Monte, que vem sendo criticada por organizações
ambientalistas e comunidades tradicionais, deverá ser um dos temas da
reunião que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará amanhã (12) com os
ministros para discutir a construção de hidrelétricas.
Luana Lourenço; notícia em http://www.amazonia.org.br/guia/detalhes.cfm?id=309237&tipo=6&cat_id=44&subcat_id=186
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O Globo/Tupiniquim.Blogspot: 11-11-09
PARAGUAI:indígenas sofrem ataque com “pesticida” durante
disputa de terras
Mais de 200 indígenas que se recusavam a abandonar a
terra em que vivem no Paraguai foram alvo de um ataque supostamente com
pesticida, de acordo com fonte do governo local, citada nesta quarta-feira
pela rede CNN. Segundo Esperanza Martinez, ministra da Saúde paraguaia,
217 membros da comunidade avá-guarani, que ocupam área na cidade de
Itakyry, sofreram vômito, diarreia, dores de cabeça e náusea. Um indígena
se encontra em estado grave."
“Para nós está bastante claro que foi uma
intoxicação em massa causada de forma premeditada com uma substância
desconhecida”, disse Esperanza em nota oficial. A Anistia Internacional,
organização de defesa dos direitos humanos, condenou “o aparente uso de
pesticidas tóxicos a fim de intimidar a comunidade indígena depois
que ela se recusou a deixar a terra de seus ancestrais”.
A comunidade
indígena também está instalada em São Miguel do Iguaçu, no Paraná.
Notícia reproduzida no Blog Tupiniquim-Pt: http://indios.blogspot.com/
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AMAZOÉ: 09/11/09
AKUNTSÚ: AMEAÇAS À SAÚDE E AO TERRITÓRIO INDÍGENA

Os Akuntsú em imagens do primeiro contato com a FUNAI :
Foto Marcos Mendes, 1995/Arquivo ISA
Persistem graves ameaças à sobrevivência dos Akuntsú, ou Akuntsun,
povo indígena de recente contato constituído por apenas 5 membros,
habitantes da Terra Indígena Omerê, em Rondônia, não só à saúde coletiva
como também sobre seu território. Após um surto gripal e o recente
falecimento (01-10-09) da anciã Ururú, a mais idosa do grupo, e a
constatação de cardiopatia grave no pajé Konibú e sua filha Enontéi,
demonstrando a fragilidade da sobrevivência imediata dos Akuntsun,
igualmente a integridade do território indígena encontra-se ameaçada, pela
resistência ao cumprimento judicial de retirada de invasores das terras
declaradas como de posse permanente dos índios.
A grande mobilidade à qual estes pequenos grupamentos
humanos foram obrigados ao longo de décadas, ocultando-se e camuflando-se
como única via de sobrevivência, tem repetidamente sido o “argumento” dos
invasores dos territórios indígenas da “inexistência” ou “implante de
índios” pelos pretensos proprietários de terras da região, sobretudo
àqueles que se beneficiaram de titulações governamentais nos idos de 70/80
- justamente o período em que as ações genocidas sobre tais povos
demonstraram-se mais sanguinárias. À época, consta que o INCRA seria o
órgão expedidor de certidões ou laudos negativos da presença indígena.
Colonos pioneiros, a grande maioria oriundos do centro-sul do país,
argumentam “nunca ter visto índio por aqui”, como se tal assertiva por si
bastasse como comprovação da negação de prévia ocupação indígena.
Além dos Akuntsú e Kanoê, de recente
contato, totalizando atualmente 08 pessoas que partilham a Terra
Indígena Rio Omerê, constam evidências ou informes da existência
dos seguintes povos indígenas isolados no Estado de Rondônia:Povo Isolado
da cabeceira dos rio Formoso; Povo Isolado do Rio Candeias; Povo Isolado
do rio Karipuninha; Povo Isolado do rio Jaci Paraná; Povo Isolado do rio
Jacundá; Povo Isolado da cabeceira do rio Marmelo e Maicizinho; Povo
Isolado do rio Novo e Cachoeira do rio Pacaas Novas; Povo Isolado da Rebio
Jaru; Povo Isolado da Serra da Cutia; Povo Isolado do chamado "Índio do
Buraco", quase extinto na fazenda Modelo; Povo Isolado do Parque Estadual
de Corumbiara ( info CIMI-RO -2004). Há referências (FUNAI) de pelo menos
05 grupos de índios isolados na área prevista para as hidrelétricas do Rio
Madeira.
A Terra Indígena Rio Omerê, declarada de posse permanente
dos povos indígenas Akuntsú e Kanoê pela Portaria MJ Nº 2.526, (D.O.U. de
19/12/02), foi reduzida de 51.000 ha para 26.000 ha, atendendo aos
interesses dos latifundiários locais. A Terra Indígena
Tanarú, com pouco mais de 8.000 hectares, interditada sob
“restrição de uso” (Port.1283-27-10-09) para proteção e sobrevivência do
último remanescente conhecido de um povo massacrado – o chamado “Índio do
Buraco”, localiza-se entre os municípios de Corumbiara, Chupinguaia,
Parecis e Pimenteiras do Oeste.
O território do Rio Omerê declarado como indígena,
localizado entre os municípios de Chupinguaia e Corumbiara, é extremamente
pressionado pela presença de fazendas de gado e produtores rurais. Após a
decisão judicial da Justiça Federal de RO, que recentemente expediu
mandado de desocupação e retirada de gado de parte invadida da T.I.,
fazendeiros locais têm “denunciado” à imprensa local a suposta perseguição
por indigenistas da FUNAI e o “implante” de índios, afetando propriedades
“particulares”. Postergada por mais de uma semana, pretende-se a execução
da retirada em 10/11/09, em ação conjunta de JFRO, FUNAI e Polícia
Federal. Historicamente, foram os agentes da expansão territorial
que progressivamente e vorazmente ocuparam a região, notadamente os
latifundiários regionais, os responsáveis por sucessivos massacres que
dizimaram diversos povos indígenas em RO, cujos remanescentes subsistem
hoje amparados pela proteção do Estado, através da FUNAI.
Notícia a partir de informações de indigenistas de
campo.
Veja relatos sobre a situação de saúde dos Akuntsú no website da FUNAI: http://www.funai.gov.br/ultimas/noticias/2_semestre_2009/outubro/un2009_17.html
Veja artigo de Leonardo Sakamoto, do Repórter Brasil, sobre o “Índio do Buraco” e o trabalho
da Frente Guaporé, da CGII-FUNAI em “O último brasileiro”:
http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=17
Veja mais sobre os Akuntsú no Povos Indígenas no
Brasil, do Instituto Socioambiental-ISA:
http://pib.socioambiental.org/pt/povo/akuntsu
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G1-Globo.com: 09-11-09
Secretário defende criação da polícia indígena no
Amazonas
Cerca de 60 índios da tribo tikuna montaram 'delegacia'
em Tabatinga.Secretário de Segurança do AM diz que situação precisa ser
avaliada.
Cerca de 60 índios da etnia tikuna montaram uma "delegacia"
indígena na aldeia de Umariaçu, que fica a cerca de 1,1 mil quilômetros de
Manaus, desde janeiro deste ano. Eles usam chicotes, cassetetes, cordas e
até palmatórias e se intitulam policiais. O secretário dos Povos
Indígenas, Jecinaldo Barbosa Sateré, disse que quer apoiar a corporação em
virtude dos problemas de falta de segurança vividos pelos índios na região
de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.
A Secretaria de
Segurança Pública do Amazonas não considera a corporação legítima, mas
avalia que a presença efetiva dos índios na região como "polícia
armada" deve ser estudada. "O que existe em Tabatinga é uma milícia.
Não há como considerarmos aquele grupo de índios como uma parte da
segurança pública do estado. No entanto, sabemos que eles enfrentam
problemas na região", disse Francisco Sá Cavalcante, secretário de
Segurança Pública do Amazonas.
Cavalcante afirmou que os detidos pelos índios são levados
para celas improvisadas na aldeia. "Eles não têm limites. Eles estão
atuando como polícia, Ministério Público e juízes ao mesmo tempo. Eles
prendem, julgam, condenam e aplicam as punições. Isso é muito perigoso",
afirmou Cavalcante. Presidente do Conselho de Secretários de Segurança
Pública do Brasil, Cavalcante disse que enviou um ofício para o Ministério
da Justiça para que o caso seja analisado de forma técnica. "Os índios
estão em uma região onde a segurança pública não chega com facilidade,
assim como também não chegam serviços essenciais de saúde e
infraestrututura."
Ele disse que acredita na viabilidade de fazer concurso público para
montar uma polícia especializada em questões indígenas. "Poderia ser uma
formação diferenciada, mas não sei se teria a participação do índio no
processo. São esses detalhes que precisam ser melhor avaliados. Os
policiais militares e civis não podem agir em áreas indígenas, por
recomendação do Ministério Público Federal. Só a PF pode atuar próximo aos
índios", explicou Cavalcante.
Treinamento e concurso
Os índios da aldeia pedem a
legitimação da "polícia indígena", treinamento e até mesmo pagamento, já
que o grupo é formado por voluntários. "Aquele grupo não existe para
confrontar as polícias Civil, Militar e Federal. O que eles querem é
proteção contra a influência de traficantes e até mesmo de guerrilheiros
[Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)], que estão presentes
na região", disse Sateré.
Segundo a Seind, a presença da "polícia
indígena" teria reduzido o número de problemas com bebidas alcoólicas
e até com drogas como maconha e cocaína. "Os problemas são
gravíssimos e ameaçam a segurança dos índios na região do Rio
Solimões. Essas comunidades são muito vulneráveis e, por isso, a polícia
indígena não pode ser tratatda como milícia. Ela não tem o objetivo
de confronto com o governo", disse Sateré.
Drogas e álcool
A Fundação Nacional do Índio
(Funai) em Tabatinga registra casos de índios viciados em cocaína e
álcool, mas não informa o número exato. O ponto extremo da presença da
ação de traficantes na região é o aliciamento de índios para o transporte
de droga em embarcações pelos rios da região fronteiriça. Segundo a
Funai, sete cidades estão entre os alvos principais dos traficantes:
Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo
Antônio do Içá, Japurá e Tonantins. A regional da fundação é responsável
por cerca de 230 comunidades indígenas na região do Amazonas e compreende
55 mil índios.
Notícia em G1 Globo.com: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1369848-5598,00-SECRETARIO+DEFENDE+CRIACAO+DA+POLICIA+INDIGENA+NO+AMAZONAS.html
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Globo Amazônia: 09-11-09
Projeto prevê perda de reserva para índios que
cometerem crimes ambientais
Pela proposta, toda a comunidade ficaria sem terra em
caso de crime. Advogada diz que essa sanção é punição coletiva e fere
Constituição.
Uma proposta apresentada na Câmara dos Deputados prevê o cancelamento
de terras indígenas onde ocorrerem crimes ambientais, como venda ilegal de
madeira ou tráfico de animais. A ideia, segundo o autor do projeto, o
deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), é que os próprios índios se fiscalizem. “O
objetivo maior não é puni-los, mas que eles sejam responsabilidades por
atividades para as quais hoje se faz vista grossa”, afirma.
Pelo
projeto de lei, qualquer condenação em última instância – depois que são
apresentados todos os recursos – por um crime ambiental cometido em uma
terra indígena faria com que essa reserva fosse cancelada, e todas as
pessoas que morassem ali perdessem o direito de viver no local. “Se você
tiver uma exploração ilegal em uma área de uma determinada tribo, é quase
certo que isso é do conhecimento de todos, e se eles ignoram, são
coniventes”, diz Ubiali.
Punição coletiva
Para a advogada Paula Souto
Maior, do Instituto Socioambiental (ISA), o projeto fere a constituição,
pois estabelece uma punição coletiva aos indígenas. “A pena não pode
passar para a família da pessoa que cometeu o ato ilegal”, afirma. Segundo
Ubiali, contudo, a punição à comunidade toda pode ser aplicada no caso dos
índios. “É uma punição coletiva porque o crime é coletivo. Na tribo, você
não tem um indivíduo cometendo um ilícito. Não há a figura do indivíduo
dentro de uma tribo. A tribo tem um comportamento como um todo”, argumenta
o parlamentar.
O líder indígena Aílton Krenak, conhecido por
defender a Amazônia junto com Chico Mendes na década de 1980, discorda do
deputado. Segundo ele, cada pessoa deve ser tratada separadamente e a
própria legislação brasileira já prevê punição individual para índios que
cometem crimes. “Como se pode dizer que crianças, velhos e outras pessoas
da comunidade devam responder por quem cometeu um crime?”,
questiona.
Desmatamento
Apesar de haver problemas ambientais
dentro de terras indígenas, esse é o tipo de reserva em que há menos
desmatamento. Segundo os dados de devastação de setembro de 2009,
publicados pela ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da
Amazônia), houve 216 km² de desmatamento nesse mês. Desses, apenas 5 km²
(3%) teriam ocorrido dentro de terras indígenas, apesar desses territórios
ocuparem 21,6% da Amazônia brasileira. Os parques e reservas estaduais,
por sua vez, sofreram 15 km² de desmatamento, e ocupam 20% da Amazônia.
“As terras indígenas têm se mostrado mais eficazes para a conservação da
floresta do que as unidades de conservação [parques e reservas] que se
beneficiam do aparato do Ibama, das secretarias de meio ambiente dos
estados, e que têm gente trabalhando fazendo a manutenção e monitoramento
dessas unidades”, diz Krenak.
Propriedades privadas
Questionado sobre a possibilidade de seu projeto ser aplicado também a
propriedades privadas, Ubiali afirma que pretende apresentar uma emenda
para que donos de terra também possam perder suas fazendas. De acordo com
ele, a ideia será apresentada durante as discussões na Câmara para alterar
o Código Florestal – lei que define, entre outras coisas, o quanto deve
ser preservado dentro de cada terreno rural. A proposta sobre terras
indígenas tramita na Comissão de Meio Ambiente e, caso seja aprovada por
essa e outras comissões, não precisará ir para votação no plenário para
seguir ao Senado.
Iberê Thenório; notícia em http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1369857-16052,00.html
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REUTERS :09-11-09
Venezuela contém surto da gripe H1N1 em tribo
amazônica
Um surto do vírus H1N1 entre os índios Yanomami na Amazônia venezuelana
parece ter sido contido após uma rápida resposta médica. Considerada a
maior tribo amazônica isolada, com uma população de cerca de 30.000
índios, os semi-nômades yanomami tinham contato limitado com o mundo
exterior há até 50 anos. Mas desde os anos 1960 a população yanomami
vem sendo afetada por doenças trazidas por mineradores e outras pessoas de
fora da tribo. As mortes de seis yanomami estão sendo investigadas para
possíveis relações com o vírus H1N1. Mas Neris Villalobos,
epidemiologista-chefe para o estado venezuelano do Amazonas, disse que o
surto inicial teve seu pico no final de outubro e que o ritmo estaria
diminuindo.
Possivelmente espalhados por pessoas de fora da tribo
durante um evento organizado pelo governo venezuelano no mês passado,
sintomas da nova gripe foram registrados em mais de mil yanomami, disseram
autoridades de saúde locais. "As ações foram bem sucedidas, embora não
possamos dizer ainda que o problema acabou", disse Villalobos à Reuters em
Puerto Ayacucho, capital da região amazônica venezuelana. Ela disse que
médicos ainda precisam visitar vilarejos distantes para diagnosticar
qualquer caso não detectado da doença, conhecida popularmente como gripe
suína.
O governo do presidente Hugo Chávez expandiu nos últimos anos os
serviços médicos aos yanomami. Cerca de 30 médicos estão
permanentemente baseados na região venezuelana da tribo, que avança sobre
território brasileiro e tem tamanho equivalente ao da Grécia.Muitos
médicos são cubanos, que integram a iniciativa de Chávez de levar doutores
às comunidades remotas do país. Durante o surto, os médicos venezuelanos
aumentaram a atenção sanitária. "Se as providências não tivessem
sido tomadas (...) a tempo teria sido uma epidemia enorme", disse o médico
cubano Giovanni Castellano.
A mineração ilegal de ouro na região,
especialmente no lado brasileiro da fronteira, disseminou doenças como
malária na tribo nos anos 1980, causando a morte de cerca de 20 por cento
da população em apenas sete anos. O vírus H1N1 teria entrado na região dos
yanomami durante um encontro organizado pelo governo para celebrar o
aniversário da chegada de Cristóvão Colombo às Américas, comemorado em 12
de outubro, afirmaram os médicos.
Frank Jack Daniel; notícia em http://br.reuters.com/article/idBRSPE5A80ER20091109
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Globo Amazônia: 09-11-09
Projeto prevê perda de reserva para índios que
cometerem crimes ambientais
Pela proposta, toda a comunidade ficaria sem terra em
caso de crime. Advogada diz que essa sanção é punição coletiva e fere
Constituição.
Uma proposta apresentada na Câmara dos Deputados prevê o cancelamento
de terras indígenas onde ocorrerem crimes ambientais, como venda ilegal de
madeira ou tráfico de animais. A ideia, segundo o autor do projeto, o
deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), é que os próprios índios se fiscalizem. “O
objetivo maior não é puni-los, mas que eles sejam responsabilidades por
atividades para as quais hoje se faz vista grossa”, afirma.
Pelo
projeto de lei, qualquer condenação em última instância – depois que são
apresentados todos os recursos – por um crime ambiental cometido em uma
terra indígena faria com que essa reserva fosse cancelada, e todas as
pessoas que morassem ali perdessem o direito de viver no local. “Se você
tiver uma exploração ilegal em uma área de uma determinada tribo, é quase
certo que isso é do conhecimento de todos, e se eles ignoram, são
coniventes”, diz Ubiali.
Punição coletiva
Para a advogada Paula Souto
Maior, do Instituto Socioambiental (ISA), o projeto fere a constituição,
pois estabelece uma punição coletiva aos indígenas. “A pena não pode
passar para a família da pessoa que cometeu o ato ilegal”, afirma. Segundo
Ubiali, contudo, a punição à comunidade toda pode ser aplicada no caso dos
índios. “É uma punição coletiva porque o crime é coletivo. Na tribo, você
não tem um indivíduo cometendo um ilícito. Não há a figura do indivíduo
dentro de uma tribo. A tribo tem um comportamento como um todo”, argumenta
o parlamentar.
O líder indígena Aílton Krenak, conhecido por
defender a Amazônia junto com Chico Mendes na década de 1980, discorda do
deputado. Segundo ele, cada pessoa deve ser tratada separadamente e a
própria legislação brasileira já prevê punição individual para índios que
cometem crimes. “Como se pode dizer que crianças, velhos e outras pessoas
da comunidade devam responder por quem cometeu um crime?”,
questiona.
Desmatamento
Apesar de haver problemas ambientais
dentro de terras indígenas, esse é o tipo de reserva em que há menos
desmatamento. Segundo os dados de devastação de setembro de 2009,
publicados pela ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da
Amazônia), houve 216 km² de desmatamento nesse mês. Desses, apenas 5 km²
(3%) teriam ocorrido dentro de terras indígenas, apesar desses territórios
ocuparem 21,6% da Amazônia brasileira. Os parques e reservas estaduais,
por sua vez, sofreram 15 km² de desmatamento, e ocupam 20% da Amazônia.
“As terras indígenas têm se mostrado mais eficazes para a conservação da
floresta do que as unidades de conservação [parques e reservas] que se
beneficiam do aparato do Ibama, das secretarias de meio ambiente dos
estados, e que têm gente trabalhando fazendo a manutenção e monitoramento
dessas unidades”, diz Krenak.
Propriedades privadas
Questionado sobre a possibilidade de seu projeto ser aplicado também a
propriedades privadas, Ubiali afirma que pretende apresentar uma emenda
para que donos de terra também possam perder suas fazendas. De acordo com
ele, a ideia será apresentada durante as discussões na Câmara para alterar
o Código Florestal – lei que define, entre outras coisas, o quanto deve
ser preservado dentro de cada terreno rural. A proposta sobre terras
indígenas tramita na Comissão de Meio Ambiente e, caso seja aprovada por
essa e outras comissões, não precisará ir para votação no plenário para
seguir ao Senado.
Iberê Thenório; notícia em http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1369857-16052,00.html
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REUTERS :09-11-09
Venezuela contém surto da gripe H1N1 em tribo
amazônica
Um surto do vírus H1N1 entre os índios Yanomami na Amazônia venezuelana
parece ter sido contido após uma rápida resposta médica. Considerada a
maior tribo amazônica isolada, com uma população de cerca de 30.000
índios, os semi-nômades yanomami tinham contato limitado com o mundo
exterior há até 50 anos. Mas desde os anos 1960 a população yanomami
vem sendo afetada por doenças trazidas por mineradores e outras pessoas de
fora da tribo. As mortes de seis yanomami estão sendo investigadas para
possíveis relações com o vírus H1N1. Mas Neris Villalobos,
epidemiologista-chefe para o estado venezuelano do Amazonas, disse que o
surto inicial teve seu pico no final de outubro e que o ritmo estaria
diminuindo.
Possivelmente espalhados por pessoas de fora da tribo
durante um evento organizado pelo governo venezuelano no mês passado,
sintomas da nova gripe foram registrados em mais de mil yanomami, disseram
autoridades de saúde locais. "As ações foram bem sucedidas, embora não
possamos dizer ainda que o problema acabou", disse Villalobos à Reuters em
Puerto Ayacucho, capital da região amazônica venezuelana. Ela disse que
médicos ainda precisam visitar vilarejos distantes para diagnosticar
qualquer caso não detectado da doença, conhecida popularmente como gripe
suína.
O governo do presidente Hugo Chávez expandiu nos últimos anos os
serviços médicos aos yanomami. Cerca de 30 médicos estão
permanentemente baseados na região venezuelana da tribo, que avança sobre
território brasileiro e tem tamanho equivalente ao da Grécia.Muitos
médicos são cubanos, que integram a iniciativa de Chávez de levar doutores
às comunidades remotas do país. Durante o surto, os médicos venezuelanos
aumentaram a atenção sanitária. "Se as providências não tivessem
sido tomadas (...) a tempo teria sido uma epidemia enorme", disse o médico
cubano Giovanni Castellano.
A mineração ilegal de ouro na região,
especialmente no lado brasileiro da fronteira, disseminou doenças como
malária na tribo nos anos 1980, causando a morte de cerca de 20 por cento
da população em apenas sete anos. O vírus H1N1 teria entrado na região dos
yanomami durante um encontro organizado pelo governo para celebrar o
aniversário da chegada de Cristóvão Colombo às Américas, comemorado em 12
de outubro, afirmaram os médicos.
Frank Jack Daniel; notícia em http://br.reuters.com/article/idBRSPE5A80ER20091109
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G1-Globo.com: 09-11-09
Secretário defende criação da polícia indígena no
Amazonas
Cerca de 60 índios da tribo tikuna montaram 'delegacia'
em Tabatinga.Secretário de Segurança do AM diz que situação precisa ser
avaliada.
Cerca de 60 índios da etnia tikuna montaram uma "delegacia"
indígena na aldeia de Umariaçu, que fica a cerca de 1,1 mil quilômetros de
Manaus, desde janeiro deste ano. Eles usam chicotes, cassetetes, cordas e
até palmatórias e se intitulam policiais. O secretário dos Povos
Indígenas, Jecinaldo Barbosa Sateré, disse que quer apoiar a corporação em
virtude dos problemas de falta de segurança vividos pelos índios na região
de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.
A Secretaria de
Segurança Pública do Amazonas não considera a corporação legítima, mas
avalia que a presença efetiva dos índios na região como "polícia
armada" deve ser estudada. "O que existe em Tabatinga é uma milícia.
Não há como considerarmos aquele grupo de índios como uma parte da
segurança pública do estado. No entanto, sabemos que eles enfrentam
problemas na região", disse Francisco Sá Cavalcante, secretário de
Segurança Pública do Amazonas.
Cavalcante afirmou que os detidos pelos índios são levados
para celas improvisadas na aldeia. "Eles não têm limites. Eles estão
atuando como polícia, Ministério Público e juízes ao mesmo tempo. Eles
prendem, julgam, condenam e aplicam as punições. Isso é muito perigoso",
afirmou Cavalcante. Presidente do Conselho de Secretários de Segurança
Pública do Brasil, Cavalcante disse que enviou um ofício para o Ministério
da Justiça para que o caso seja analisado de forma técnica. "Os índios
estão em uma região onde a segurança pública não chega com facilidade,
assim como também não chegam serviços essenciais de saúde e
infraestrututura."
Ele disse que acredita na viabilidade de fazer concurso público para
montar uma polícia especializada em questões indígenas. "Poderia ser uma
formação diferenciada, mas não sei se teria a participação do índio no
processo. São esses detalhes que precisam ser melhor avaliados. Os
policiais militares e civis não podem agir em áreas indígenas, por
recomendação do Ministério Público Federal. Só a PF pode atuar próximo aos
índios", explicou Cavalcante.
Treinamento e concurso
Os índios da aldeia pedem a
legitimação da "polícia indígena", treinamento e até mesmo pagamento, já
que o grupo é formado por voluntários. "Aquele grupo não existe para
confrontar as polícias Civil, Militar e Federal. O que eles querem é
proteção contra a influência de traficantes e até mesmo de guerrilheiros
[Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)], que estão presentes
na região", disse Sateré.
Segundo a Seind, a presença da "polícia
indígena" teria reduzido o número de problemas com bebidas alcoólicas
e até com drogas como maconha e cocaína. "Os problemas são
gravíssimos e ameaçam a segurança dos índios na região do Rio
Solimões. Essas comunidades são muito vulneráveis e, por isso, a polícia
indígena não pode ser tratatda como milícia. Ela não tem o objetivo
de confronto com o governo", disse Sateré.
Drogas e álcool
A Fundação Nacional do Índio
(Funai) em Tabatinga registra casos de índios viciados em cocaína e
álcool, mas não informa o número exato. O ponto extremo da presença da
ação de traficantes na região é o aliciamento de índios para o transporte
de droga em embarcações pelos rios da região fronteiriça. Segundo a
Funai, sete cidades estão entre os alvos principais dos traficantes:
Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo
Antônio do Içá, Japurá e Tonantins. A regional da fundação é responsável
por cerca de 230 comunidades indígenas na região do Amazonas e compreende
55 mil índios.
Notícia em G1 Globo.com: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1369848-5598,00-SECRETARIO+DEFENDE+CRIACAO+DA+POLICIA+INDIGENA+NO+AMAZONAS.html
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Movimento Nacional de Direitos Humanos-MNDH
PROFESSORES GUARANÍ ASSASSINADOS NO MS:
“A gente não tem mais o que esperar. Depois
de cinco dias e cinco noites a gente mesmo vai ao local tentar encontrar
nossos professores. Não é só os parentes que estão muito preocupados. Toda
a comunidade de Pirajuí ( quase três mil indígenas) estamos preocupados e
vamos tomar providencias. Estamos reunidos dia e noite. Que as autoridades
acompanhem. Tem que morrer mais dois ou três pra nois ter um pedacinho de
terra?” Pergunta uma das lideranças do grupo:
Visivelmente revoltados e preocupados com o
silêncio e nenhuma informação a respeito dos professores Guarani Rolindo
Véra – 23 anos, filho de Catalino e Cilda Gimenes Vera, e Genivaldo Véra,
filio de Bernando e Francisca Véra, 22 anos, os indígenas, em meio à
angustiante situação, buscam organizar ações na perspectiva de
localizar os professores. A cada hora que passa mais cresce o temor
de que tenham sido assassinados. Bernando,pai de um dos professores,
que mal consegue falar em algo em português, disse que não conseguiria
falar a respeito, pediu que outra liderança contasse o que estão sentindo
neste momento.
A polícia federal já está há três dias na região,
buscando informações sobre os professores desaparecidos e autores das
violências contra os índios.
Fazendeiro
foragido: Conforme informações da região, o fazendeiro da fazenda
São Luiz, Firmino Escobar, onde se localiza o tekoha Ypo’i, evadiu-se.
Como cresce a hipótese de assassinato dos dois professores, certamente a
consciência dos responsáveis deve ter pesado, dando lugar à fuga. Conforme
os indígenas ele já teria retirado todas as suas coisas da fazenda.
Indígenas das aldeias de Jaguapiré e Sassoró, município de Tacuru, estão a
caminho da aldeia Pirajuí para ajudar na busca dos professores
desaparecidos. Igualmente os da aldeia de Amambaí. Juntos procuram
notícias sobre os desaparecidos.
Notícias sobre
os corpos encontrados: A partir do inicio da tarde começaram a
chegar as informações de que os corpos dos dois professores indígenas
foram encontrados. Apesar de não se dispor de informações mais detalhadas
é essa a lamentável informação. O pior. Não queríamos até há pouco
acreditar nesta hipótese. Esta confirmação demonstra a continuidade dessa
guerra declarada contra os Guarani e Kaiowá no reconhecimento de suas
terras. Não restam dúvidas quanto ao processo genocida em curso. Chama
atenção o fato de jovens professores indígenas estarem sendo assassinados
por lutarem pelo sagrado direito de seu povo à terra. Escrevem com letras
de sangue seu compromisso com a vida e futuro de seu povo. Talvez o gesto
heróico de Rolindo e Genivaldo seja o início de um processo de
reconhecimento das terras Kaiowá Guarani. Que os responsáveis pela
perpetuação desse conflito, pela não demarcação das terras, exigidas à 30
anos pelo Estatuto do índios e há 16 anos pela Constituição, sejam
responsabilizados pelas centenas de vidas sacrificadas ao altar de um
chamado “progresso”, que não verdade tem significado decreto de
morte de povos, comunidades e lideranças indígenas.
Notícia em http://www.mndh.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1790&Itemid=56
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Gazeta News/Amambaí: 08-11-09
Bombeiros vão auxiliar nas buscas a índio
desaparecido
Atendendo a um pedido de apoio da Polícia Federal, uma equipe de
mergulhadores do Grupamento Bombeiros de Ponta Porã, composta também por
bombeiros do 2º SGB de Amambai, se deslocou, nesse domingo (8) para a
região de Paranhos, na fronteira com o Paraguai, para ajudar nas buscas ao
corpo de um indígena, supostamente morto por produtores rurais, durante
confronto na tentativa de invasão de uma fazenda, fato ocorrido no dia 31
de outubro.
Na ocasião cerca de 18 indígenas oriundos da Aldeia
Pirajuí, em Paranhos, teriam tentado invadir a Fazenda São Luiz.
Durante a frustrada tentativa de invasão teria ocorrido confronto com
produtores rurais. Vários indígenas teriam retornado à aldeia com
ferimentos, supostamente causados por balas de borracha e dois primos, os
professores guarani-kaiowá, Olindo e Jenivaldo Vera, teriam
desaparecido.
No final da tarde desse sábado (7) o corpo de um
homem já em avançado estado de decomposição, que supostamente seria de um
dos indígenas desaparecidos, foi localizado boiando no Córrego Ypoi, a
cerca de 300 metros do local onde teria ocorrido o suposto confronto entre
índios e produtores no dia 31. O corpo foi encaminhado para um IML
(Instituto Médico Legal) para a realização de exames necroscópicos para
levantar a causa a morte e identificar se o corpo encontrado é de fato de
um dos indígenas desaparecidos.
Com a chegada da equipe do Corpo de
Bombeiros, a idéia da Polícia Federal, que mantém uma equipe no local
procedendo às investigações do caso, é realizar uma varredura no córrego
para tentar localizar o corpo do segundo índio desaparecido.Segundo o
Corpo de Bombeiros os trabalhos de busca teriam início na tarde desse
domingo e sem um prazo previsto para se encerrar.
Vilson Nascimento;
notícia em http://www.agazetanews.com.br/not-view.php?not_id=36112
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O Estado de São Paulo: 08-11-09
Um novo pensamento selvagem?
Matis viraram estrelas após localizar o avião da FAB.
Nenhuma novidade para quem sabe vender seu peixe à mídia
Foto de Divulgação da antropóloga Barbara
Arisi /O Estado de SP
Barbara Arisi*
Lévi-Strauss, em entrevista ao antropólogo Eduardo
Viveiros de Castro na revista acadêmica Mana , comentou que "(as
sociedades indígenas) estão esquentando, ao passo que as nossas esfriam.
Na França isso é muito claro: o interesse pelo patrimônio, os esforços
para reencontrar as raízes...". Os matis estão em plena época "quente" de
suas relações com os mercados internacionais de turismo e televisão. E, o
que é mais interessante, esquentam justamente pela valorização e foco em
seus "patrimônios", interessados em ganhar dinheiro e prestígio com sua
cultura material e imaterial.
Há pouco, viraram centro da atenção da mídia
internacional por terem localizado um avião da FAB que realizou pouso
forçado nas proximidades de suas aldeias. Eles estão acostumados com "dar
no New York Times". Já foram capa de duas edições da National
Geographic e estrelas de uma dezena de documentários para redes como
BBC, Discovery e Fuji. Apenas entre abril e outubro últimos, pude observar
em meu trabalho de campo o trabalho de duas equipes de tevê: a MBC, da
Coreia do Sul, e a Animal Planet, dos EUA. Nada que se compare ao que vira
o Xingu durante o Kuarup, mas os matis ganharam entre os produtores
televisivos a fama de serem "os de mais difícil acesso entre os índios
mais espetaculares". Creio que essa posição se deve também ao fato de o
Vale do Javari ser a região do mundo onde, provavelmente, encontra-se o
maior número de povos isolados (ou autônomos) do planeta.
Trabalhadores na Frente de Proteção do Vale do
Javari, localizada como posto de vigilância na confluência dos rios Ituí e
Itacoai, os matis foram os principais tradutores e intermediários dos
korubos - conhecidos pela imprensa como os "caceteiros", aqueles que
encarnam nos anos recentes o símbolo de "índios brabos", contatados em
1996, com direito à cobertura ao vivo da National Geographic. Os matis,
além de ficarem amigos de vários desses cineastas estrangeiros, eram
incentivados pelo sertanista Sydney Possuelo a usar seus adornos faciais e
zarabatanas para caça. Aprenderam também técnicas de filmagem. De um
cameraman norte-americano, ouvi o comentário surpreso de que eles eram os
mais "media savvy" (conhecedores da mídia) entre todos os atores
profissionais com os quais já havia gravado, mesmo quando comparados a
profissionais de Hollywood. "Eles sabem a hora de parar o movimento para
dar tempo de o câmera se reposicionar para a próxima sequência", disse o
cameraman. "Possuem domínio extremo da linguagem fotográfica e
cinematográfica. É incrível."
Tenho algumas hipóteses do porquê de
eles serem assim tão senhores de suas relações com o mundo dos brancos.
Uma delas tem relação com um mito, onde um homem é decapitado ao afirmar -
no mundo subaquático de um lago, onde vivem os parentes de sua mulher -
que ele vem de um povo pequeno. Sua mulher fica com sua cabeça, e o corpo
é levado para a maloca, na qual é cortado em tiras bem finas. Tiras do
fígado, do estômago e do coração são dispostas sobre cada um dos assentos
(sekte) do lugar. O sol ainda não raiou, está quase quase, quando começa a
se levantar, de cada assento, um homem. Os negros nascem do fígado; os
brancos, do estômago; os matis; do coração. Estes são os verdadeiros
"tsasibo wintë", termo de sua língua nativa que também nomeia sua
associação, recém-criada. Tsasibo são os caçadores que caminham longe, que
trazem muita carne para casa (caminhar e caçar provêm do mesmo verbo,
"kapuek"). Wintë significa coração. O coração é mais valorizado do que o
fígado e o estômago, portanto seus descendentes mereceriam ganhar uma
melhor posição e, por que não?, mais daquilo que os brancos parecem
valorizar enormemente - dinheiro e bens.
Hoje, os matis têm sumo
interesse em, via associação, negociar sua cultura: apresentações das
festas da Queixada e do Mariwin, demonstrações do uso da zarabatana para
estrangeiros na vizinha Letícia (Colômbia), encenar seu dia a dia e
procuram controlar o acesso dos não índios ao que consideram seu
patrimônio intelectual, qual seja, mitos, saber tradicional sobre plantas
e animais, festa da tatuagem, vacina de sapo ("kampok"). Basta clicar
matis no Images do Google para encontrar sites onde suas fotos são
vendidas para ter uma noção concreta de onde eles tiraram parte dessa
ideia.
Nos últimos anos, os estudos antropológicos trataram de
relações de troca e comércio de cultura material e imaterial entre
indígenas e não indígenas dentro de alguns grandes marcos teóricos que
podemos repartir em três: a indigenização da modernidade (todos esses
movimentos de novas transformações indígenas, os caiapós se apoderando de
câmeras de vídeo, por exemplo), a domesticação das mercadorias e a
pacificação do branco (estratégias indígenas de decorar panelas de
alumínio com desenhos identitários a fim de incorporá-las à vida doméstica
ou formas nativas de amansar devagarinho esses brancos que tentam
estabelecer contato pelo poder das armas) ou, ainda, as relações
neocoloniais do capitalismo global com o mundo tribal (de que forma os
europeus inventaram tanta história para se colocar até em mitos indígenas,
tudo para, ao fim e ao cabo, seguirem no lugar de donos das
ex-colônias).
Porém, considero como limitação teórica dos
estudiosos que tratam das transformações indígenas nesse mundo tão global
e líquido, com base nos dois primeiros paradigmas, a afirmação de que os
índios, mesmo após tanto evento a transformar suas estruturas, seguem a
grosso modo sendo bem índios, os antropófagos culturais de sempre, sem
rastrear realmente desdobramentos em aldeias e cidades. Os do terceiro
paradigma denunciam as relações hierárquicas e de opressão, mas param
aí.
Fica a pergunta: o que aprendemos do fato de, em 2006, os matis
pedirem à BBC, em troca da reportagem com eles, microscópio, motor de
popa, etc. e, de mim, aulas de português e de matemática aplicada,
ensinando, por exemplo, como comprar roupas e comida e vender zarabatanas?
A antiga barganha de conversa nativa por tabaco foi substituída pelos
matis pela de conhecimentos especializados. O evento do avião e de
receberem os cumprimentos dos demais indígenas por prestar ajudar aos
poucos que os assistem na área de saúde ilustra bem como os matis são e se
revelam sujeitos de sua própria história. Se os achamos extraordinários,
resta-nos agora apenas negociar com eles.
*Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia
Social UFSC
Texto em www.estadao.com.br
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SURVIVAL/Paraguai:08-11-09
Floresta de povo não-contatado devastada por tratores
para a produção de carne

O território Ayoreo está sendo rapidamente destruido para
a produção bovina.©GAT/ Survival
© Survival
A única tribo de índios isolados na América do Sul fora da Amazônia
está tendo suas florestas devastada de forma rápida e irregular por
fazendeiros que querem suas terras para pasto de gado de corte.
Os Ayoreo-Totobiegosode é a única tribo de isolados no mundo atualmente perdendo suas terras
para a produção de carne. As operações de fazendeiros foram expostas por
fotos de satélite tomadas no dia 1 de Novembro. Desde 2 de Novembro, a
Survival lança um anúncio publicitário sobre o desmatamento numa grande
estação de rádio do Paraguai, a Rádio Nhandutí. Os fazendeiros, de empresa
brasileira Yaguareté Porã SA, estão operando em terras dos Ayoreo, no
Paraguai, apesar de ter sua licença suspensa pelo Ministério do Meio
Ambiente desde por procedimento ilegal anterior. Eles estão derrubando a
floresta que é a habitação do povo Ayoreo-Totobiegosode, usando
escavadeiras que alegam pertencer a Kauenhowen Jacobo, dono de uma
empresa de retroescavadeiras em uma colônia menonita nas
proximidades.
"Esta é uma séria ameaça para a Totobiegosode. O
desmatamento ilegal realizada pela Yaguaretê no Paraguai, continua sem
qualquer controle ", afirma a ONG paraguaia GAT, que atua para proteger as
terras dos Ayoreo. No ano passado a Yaguaretê, em conjunto com outra
empresa brasileira, a River Plate SA, destruiram milhares de hectares de
terras da tribo.
Alguns dos Totobiegosode já foram contactados e têm
parentes entre os que permanecem isolados. O diretor da Survival, Stephen
Corry, afirmou: “Os Totobiegosode são os não contatados mais
vulneráveis do mundo. Uma tragédia se desenrola diante dos nossos olhos -
e das lentes da câmera do satélite. O presidente Lugo não deve sentar e
assistir como os indivíduos mais vulneráveis do Paraguai estão assistindo
a suas casas e vidas destruídas. "
Notícia (em inglês) em http://www.survivalinternational.org/news/5212
Veja mais sobre os Ayoreo Totobiegosode na Survival.Es (em espanhol):http://www.survival.es/indigenas/ayoreo
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ADITAL:
06-11-09
Roraima tem o maior número de rotas de tráfico
de pessoas em todo o país
A região Norte é a que apresenta o maior número de rotas do tráfico de
pessoas de todo o país, segundo dados divulgados pela Pesquisa sobre o
Tráfico de Mulheres, crianças e adolescentes para fins de exploração
sexual (Pestraf). De acordo com o relatório, existem 76 rotas só na Região
Norte, que lidera o ranking. Em seguida, vem o Nordeste com 69 rotas,
Sudeste com 35, Centro-Oeste com 33 e por último a região Sul, com 28
rotas.
Segundo relatos na região, cerca de R$ 1.500 é o preço que vale
uma menina no mercado do tráfico de seres humanos para fins de exploração
sexual em Roraima, estado da região Norte do Brasil. Se for menor de 18
anos e sem experiência no mercado do sexo, a menina vale ainda mais. As
meninas traficadas, geralmente, com idade entre 12 e 17 anos são levadas
para prostíbulos em Manaus, capital do Amazonas, ou para o Suriname.
Em Manaus, as adolescentes traficadas são preparadas para trabalhar
nas regiões de garimpo da Venezuela e na Guiana. As dez rotas
identificadas na Venezuela são abastecidas por Roraima. Uma das rotas
identificadas no estado é uma estrada de terra que passa por trás de
pontos fiscais da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério da
Agricultura. Uma situação grave e absurdamente cruel.
Desde 2002,
Roraima aparece nas 145 rotas de exploração infantil e de adolescentes,
nacionais e internacionais. Segundo o Procurador Geral da República em
Roraima, Rodrigo Golívio Pereira, também Coordenador Geral das
investigações sobre o tráfico de pessoas no Estado, o trânsito intenso de
aliciadores se dá pelo fato de Roraima fazer fronteira com diversos
países. Os aliciadores, geralmente, usam nomes falsos e, por serem
simpáticos e atenciosos, as famílias não procuram saber quem são. O
aliciamento começa na conquista da confiança da família, por meio de
presentes e falsas promessas de emprego com ganhos vultosos para a
adolescente aliciada.Os criminosos também utilizam documentos
falsificados. De acordo com denúncia de uma vítima do tráfico, o esquema
de venda de documentos falsificados em Boa Vista, capital de Roraima,
envolve policiais. A denunciante foi ameaçada e está desaparecida.Nomes e
documentos falsos são artimanhas que dificultam o trabalho de investigação
da Polícia Federal. Além disso, a falta de informação sobre aliciadores e
traficantes e o medo de sofrer ameaças ou represálias, vítimas e
familiares permanecem em silêncio. De acordo com Rodrigo, a polícia tenta
trabalhar com os recursos disponíveis, mas as dificuldades são inúmeras.
"Além de usarem nomes falsos, os aliciadores desaparecem rapidamente",
informa.
Porém, o procurador ressalta que é importante haver a denúncia para que
se inicie o trabalho de investigação. "Os parentes das vítimas é que devem
denunciar, mas eles têm medo da exposição", explica.Em oposição ao alto
índice de casos de tráfico de seres humanos em Roraima, o número de
denúncias é baixo, segundo o Procurador da República. Ele esclarece que
quem se apresentar na Polícia Federal ou no Ministério Público para fazer
denúncia e pedir sigilo, terá garantida a proteção de sua identidade.
Mas essa é a única proteção disponível em Roraima. Segundo Rodrigo,
não existe no estado o Programa de Proteção às Vítimas e Testemunhas. Em
caso da vítima sofrer ameaça, as autoridades roraimenses buscarão apoio
com o Governo Federal. O Procurador afirma que o tráfico de pessoas está
na pauta de prioridades do Ministério Público Federal. Ele ressalta que
este é um crime que fere a dignidade humana e ataca, geralmente, pessoas
pobres.
Para colocar em andamento uma investigação, Rodrigo explica que
são necessárias provas mínimas de autoria como identidade do criminoso,
ligação com crime e prova de que o fato aconteceu. Para provar, o
denunciante precisa dar todas as informações como nome e características
das pessoas, locais e datas, para que os policiais federais possam
investigar. Os atuais inquéritos em andamento são sigilosos para manter a
segurança das vítimas e não prejudicar o trabalho investigativo.
Para
denunciar, a pessoa pode enviar um e-mail para o Ministério Público
Federal através do endereço: denuncia@prrr.mpf.gov.br, ou
através do telefone: (95) 3198.2048. A sede da Procuradoria da República
em Roraima é Rua General Penha Brasil, 1255, São Francisco. O horário de
funcionamento é de 8h às 14 h, de segunda a sexta-feira.
Tatiana Félix;
notícia em http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=42670 |
ADITAL - 06-11-09
Indígenas equatorianos denunciam
violações aos direitos humanos
Associações indígenas e de direitos humanos denunciaram
na última quarta-feira (4), perante a Comissão Interamericana de Direitos
Humanos (CIDH), em Washington (EUA), as violações aos direitos
fundamentais dos povos indígenas do Equador, e a existência de normas e
políticas públicas que contrariam e vulneram os direitos reconhecidos aos
indígenas na Constituição de 2008 e no Direito Internacional.
Durante a audiência, os peticionários evidenciaram que o
Estado aprovou leis importantes que afetam os recursos naturais
localizados em territórios indígenas sem consultar e assegurar a
participação dos povos nativos equatorianos e sem observar os impactos dos
projetos nos direitos dos grupos, como a Lei de Minas, a Lei de Águas, o
Código Territorial e o Código Ambiental.
Notícia em: http://www.adital.org.br/site/index.asp?lang=PT
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G1-Globo.com: 05-11-09
Obama promete reverter 'marginalização' dos
índios norte-americanos
Presidente teve encontro com líderes tribais em
Washington.Reunião anual com indígenas era promessa de campanha do
democrata.

Líder indígena fala durante encontro com o presidente
Obama em Washington. (Foto: AFP)
O presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu nesta
quinta-feira (5) a líderes indígenas norte-americanos acabar com o descaso
e as promessas não cumpridas do governo em relação às tribos, e afirmou:
"vocês não serão esquecidos". Obama, que contou com grande apoio indígena
na eleição presidencial do ano passado, cumpriu uma promessa de sua
campanha ao levar para Washington centenas de representantes de tribos
indígenas reconhecidas, que apresentaram suas reivindicações a altos
funcionários do governo.
Reconhecendo a relação historicamente difícil com os
índios, Obama prometeu trabalhar com os líderes tribais para enfrentar
problemas de saúde, criminalidade, educação e meio ambiente. "Poucos
grupos foram mais marginalizados e ignorados por Washington, e por tanto
tempo, quanto os indígenas, os primeiros americanos", disse Obama. "Estou
totalmente comprometido em forjar com vocês um futuro novo e melhor."
"Vocês não serão esquecidos enquanto eu estiver nesta Casa Branca", disse
ele a uma multidão de mais de 500 pessoas reunida no Departamento do
Interior.
A maioria das pessoas trajava roupas de trabalho
convencionais; alguns usavam ornamentos tradicionais na cabeça, coletes
bordados e penas nos cabelos. Um líder tribal do estado norte-americano de
Wisconsin deu a Obama o nome indígena de "Aquele que Cuida dos Outros", e
um homem que usava enfeites de guerra na cabeça disse ao presidente que
queria dar o enfeite a ele.
Em uma sessão de perguntas e respostas, várias pessoas
agradeceram a Obama por tentar restaurar a confiança das tribos, mas
pediram que ele fizesse mais. Obama falou de sua própria trajetória,
observando que nasceu de mãe adolescente e que foi abandonado pelo pai
quando tinha dois anos de idade. "Entendo o que significa ser um
outsider", disse.
Observando que o desemprego em algumas reservas
indígenas chegava a 80% e que um quarto dos indígenas americanos vive na
pobreza, Obama assinou diante da plateia um memorando presidencial
instruindo membros do gabinete a apresentarem, no prazo de 90 dias,
propostas para melhorar as relações com as tribos indígenas. Ele disse que
o documento vai reativar uma ordem da época de Bill Clinton que foi
ignorada pela administração de George W. Bush.
Notícia em http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1368133-5602,00-OBAMA+PROMETE+REVERTER+MARGINALIZACAO+DOS+INDIOS+NORTEAMERICANOS.html
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Globo Amazonia: 05-11-09
Yanomamis brasileiros e venezuelanos cortam
relações por causa da nova gripe
Governo da Venezuela confirmou oito mortes pela doença
entre índios. Funasa diz que vírus não chegou aos yanomamis do Brasil.
Por temer o contágio pelo vírus da gripe A (H1N1), os
índios yanomamis brasileiros evitam visitar seus parentes nas aldeias
venezuelanas. Segundo o líder indígena Davi Yanomami, há duas semanas, os
índios de Platanal, no sul da Venezuela, enviaram mensagens informando que
muitos já estavam infectados pela doença no país vizinho.
“Nossos
parentes pediram para a gente se preparar para a gripe e não ir para lá.
Agora, ninguém está visitando ninguém”, conta.
De acordo com o Ministério do Poder Popular para os Povos
Indígenas da Venezuela, oito índios morreram infectados pela gripe A no sul do
país, nos últimos 15 dias, e outros 17 casos da doença foram confirmados
na Venezuela. A Funasa, responsável pela saúde indígena no Brasil,
descarta que o vírus da nova gripe esteja circulando entre os yanomamis do
Brasilde Roraima e do Amazonas, que somam cerca de 18 mil pessoas. De
acordo com a fundação, uma barreira sanitária natural dificulta o contato
dos indígenas brasileiros com os venezuelanos possivelmente
infectados.
O distanciamento entre os índios do Brasil e da Venezuela
representa uma mudança nos costumes desse povo,os Yanomamis. “A vida
social dos yanomamis é de visitar malocas que ficam a dias de caminhada
pela floresta. A fronteira [entre Brasil e Venezuela] para eles não faz
sentido", diz Fiona Watson, ativista da ONG inglesa Survival
International, especializada na defesa de povos indígenas.
Baixa imunidade
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as
populações indígenas como grupos que enfrentam um perigo maior de
hospitalização e morte, quando infectadas pelo vírus H1N1. De acordo com a
OMS, estudos apontam um risco de quatro a cinco vezes maior entre esses
povos, em relação à população em geral. O médico especialista em doenças
infecciosas, Ulisses Confalonieri , professor da Universidade Federal
Fluminense (UFF), afirma que os yanomamis são mais suscetíveis a certas
doenças, porque a imunidade depende do contato por um longo período com
vírus e bactériascontinuado com agentes que causam as infecções.
“No Brasil, muitos jovens morreram infectados pela gripe A, porque
nunca tinham haviam tido contato com o vírus H1N1. Com os yanomamis, pode
acontecer o mesmo. Como eles vivem isolados da sociedade, em geral, são
menos resistentes a essa doença”, diz. Preocupado com a disseminação
do vírus entre os yanomamis brasileiros, apesar de eles já terem se
distanciado dos parentes venezuelanos, o líder indígena Davi Yanomami diz
que as autoridades precisam estar alertas.
“Eu quero que os
médicos brasileiros fiquem prevenidos e preparados para não faltar remédio
e equipamentos quando a gripe chegar. Nosso governo tem que ficar atento
para não deixar nossas crianças e o nosso povo morrerem”, diz. Em nota, a
Funasa informou que mais de 260 profissionais da saúde atendem os
yanomamis em Roraima e no Amazonas, e que um novo alerta foi dado às
equipes para que reforcem a atenção com relação às medidas preventivas
para os povos indígenas. A fundação disse, ainda, está preparada com avião
e helicóptero, caso precise fazer remoção de indígenas para tratamento em
Boa Vista, a capital mais próxima na capital.
Mariana Fontes e Iberê Thenório: notícia em http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1367414-16052,00-YANOMAMIS+BRASILEIROS+E+VENEZUELANOS+CORTAM+RELACOES+POR+CAUSA+DA+NOVA+GRIP.html
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O Estado de São Paulo: 05-11-09
Começa hoje 5ª edição do Amazonas Film
Festival
Aventura, natureza e meio ambiente - eis aí a temática
preferencial do Amazonas Film Festival, que começa hoje em Manaus e segue
até o dia 13. Em sua 5ª edição, o festival tem atraído a atenção da
comunidade internacional - pelos filmes exibidos, claro, mas
principalmente pelo local onde ele acontece. Afinal, a Amazônia é objeto
de curiosidade - e de preocupação - em todo o mundo. Este ano virão os
diretores Alan Parker e Claude Lelouch, e as atrizes Neve Campbell e
Parker Posey. Entre os brasileiros convidados, as atrizes e cineastas
Carla Camurati e Ana Maria Magalhães e o diretor Mauro Lima (de Meu
Nome Não É Johnny).
Entre os filmes de ficção selecionados para a competição, dois já
exibidos na recém-encerrada Mostra de Cinema de São Paulo - Terra
Vermelha, de Marco Bechis, e Tulpan, de Sergey Dvortsevoy,
do Casaquistão. O brasileiro Verônica, de Maurício Farias, será a
atração de hoje, no Teatro Amazonas, logo após a cerimônia de abertura.
Competem ainda An Emperess and the Warriors, de Tony Ching
Siu-Tung (Hong Kong), Captive, de Alexey Uchitel (Rússia), For a Moment, Freedom, de Arash T. Riahi (Áustria, França), Johnny Mad Dog, de Jean-Stéphane Sauvaiere (França, Libéria), Tahaan - A Boy With a Grenade, de Santsh Siva (Índia), Etnri
- Blue Heavens, de Marie Jaoul de Poncheville (Alemanha, França,
Quirguistão). Nove concorrentes, portanto. Mesmo número dos longas
documentais, além de mais oito curtas em 35 mm e 16 em suporte digital.
Entre os documentários, os destaques vão para Addicted to
Plastic, de Ian Connacher (Canadá), e Ice People, de Anne
Aghion (Israel). Se somarmos esses filmes aos da produção local e mais as
obras fora de concurso, o resultado será cerca de 150 filmes, exibidos
durante sete dias de festival.
Alan Parker será o presidente de um
júri internacional, que terá a atriz Ana Maria Magalhães e o diretor Mauro
Lima como presenças brasileiras. Parker é autor de filmes de sucesso como O Expresso da Meia-Noite, The Commitments, Mississippi em Chamas e Evita. É a grande presença
internacional do evento, ao lado de Claude Lelouch, este diretor de Um
Homem, Uma Mulher e Retratos da Vida. Também Lelouch fez
extraordinário sucesso, em especial com Um Homem, Uma Mulher,
Palma de Ouro em Cannes e Oscar de melhor filme estrangeiro. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Notícia em http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,comeca-hoje-5-edicao-do-amazonas-film-festival,274077,0.htm
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G1-Globo.com: 05-11-09
Obama promete reverter 'marginalização' dos
índios norte-americanos
Presidente teve encontro com líderes tribais em
Washington.Reunião anual com indígenas era promessa de campanha do
democrata.

Líder indígena fala durante encontro com o presidente
Obama em Washington. (Foto: AFP)
O presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu nesta
quinta-feira (5) a líderes indígenas norte-americanos acabar com o descaso
e as promessas não cumpridas do governo em relação às tribos, e afirmou:
"vocês não serão esquecidos". Obama, que contou com grande apoio indígena
na eleição presidencial do ano passado, cumpriu uma promessa de sua
campanha ao levar para Washington centenas de representantes de tribos
indígenas reconhecidas, que apresentaram suas reivindicações a altos
funcionários do governo.
Reconhecendo a relação historicamente difícil com os
índios, Obama prometeu trabalhar com os líderes tribais para enfrentar
problemas de saúde, criminalidade, educação e meio ambiente. "Poucos
grupos foram mais marginalizados e ignorados por Washington, e por tanto
tempo, quanto os indígenas, os primeiros americanos", disse Obama. "Estou
totalmente comprometido em forjar com vocês um futuro novo e melhor."
"Vocês não serão esquecidos enquanto eu estiver nesta Casa Branca", disse
ele a uma multidão de mais de 500 pessoas reunida no Departamento do
Interior.
A maioria das pessoas trajava roupas de trabalho
convencionais; alguns usavam ornamentos tradicionais na cabeça, coletes
bordados e penas nos cabelos. Um líder tribal do estado norte-americano de
Wisconsin deu a Obama o nome indígena de "Aquele que Cuida dos Outros", e
um homem que usava enfeites de guerra na cabeça disse ao presidente que
queria dar o enfeite a ele.
Em uma sessão de perguntas e respostas, várias pessoas
agradeceram a Obama por tentar restaurar a confiança das tribos, mas
pediram que ele fizesse mais. Obama falou de sua própria trajetória,
observando que nasceu de mãe adolescente e que foi abandonado pelo pai
quando tinha dois anos de idade. "Entendo o que significa ser um
outsider", disse.
Observando que o desemprego em algumas reservas
indígenas chegava a 80% e que um quarto dos indígenas americanos vive na
pobreza, Obama assinou diante da plateia um memorando presidencial
instruindo membros do gabinete a apresentarem, no prazo de 90 dias,
propostas para melhorar as relações com as tribos indígenas. Ele disse que
o documento vai reativar uma ordem da época de Bill Clinton que foi
ignorada pela administração de George W. Bush.
Notícia em http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1368133-5602,00-OBAMA+PROMETE+REVERTER+MARGINALIZACAO+DOS+INDIOS+NORTEAMERICANOS.html
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Amazonia.Org: 04-11-09
Funasa descarta gripe suína entre
Yanomamis brasileiros
Mesmo com a confirmação de 17 casos de gripe suína entre
índios do Sul da Venezuela e a morte de oito contagiados pela doença nos
últimos 15 dias, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) descarta a
circulação do vírus entre os Yanomami no território brasileiro. Além
disso, o órgão garante estar preparado para efetuar o tratamento dos
indígenas, caso a doença se manifeste no lado de cá da fronteira. As
informações são do jornal Folha de Boa Vista. Conforme o coordenador
regional da Funasa, Marcelo Lopes, desde que se iniciou o surto de gripe
do tipo A (H1N1) no país, a fundação implantou o protocolo do Ministério
da Saúde no território indígena. Após informações de que havia
suspeitas da gripe entre os indígenas venezuelanos, no último final de
semana, um novo alerta foi feito, utilizando serviço de radiofonia, para
que as equipes de saúde reforcem a atenção com relação às medidas
preventivas.
Em toda a terra indígena Yanomami há mais de 260
profissionais da saúde não-indígenas e 150 agentes indígenas que atendem
37 polos-bases, sendo dois na fronteira com a Venezuela. Lopes
explicou que os polos estão abastecidos com medicamentos próprios para
combater a gripe suína. "Temos também uma quantidade emergencial de
remédios em nossa farmácia e contamos com o órgão central de distribuição
do Governo do Estado, que recebe medicamentos do Ministério da Saúde",
completou.O coordenador Marcelo Lopes explicou que a Funasa está preparada
com avião e helicóptero caso precise fazer remoção de indígenas para
tratamento na Capital, mas que a existência da barreira sanitária natural
dificulta o contato com os indígenas venezuelanos possivelmente
infectados.
Entretanto, o vírus H1N1 está se espalhando pelo povo
indígena Yanomami na Venezuela. Os 17 casos da doença e as oito
mortes ocorreram nas regiões amazônicas de Platanal e Ocamo, no Sul do
país, e foram confirmados pelo Ministério do Poder Popular para os Povos
Indígenas da Venezuela. A ONG brasileira Instituto Socioambiental
(ISA) especula que mais de 400 índios apresentam os sintomas da gripe.De
acordo com o ministério venezuelano, um batalhão de saúde comandado pela
Presidência da República foi incumbido de combater o avanço da
doença. Além dos 50 médicos que já trabalham na regi&ada em
curso. Chama atenção o fato de jovens professores indígenas estarem sendo
assassinados por lutarem pelo sagrado direito de seu povo à terra.
Escrevem com letras de sangue seu compromisso com a vida e futuro de seu
povo. Talvez o gesto heróico de Rolindo e Genivaldo seja o início de um
processo de reconhecimento das terras Kaiowá Guarani. Que os responsáveis
pela perpetuação desse conflito, pela não demarcaçãtilde;o amazônica,
outros 50 teriam sido enviados ao local para atender os índios
infectados. O governo informa, ainda, que o Exército venezuelano
está usando helicópteros para monitorar as comunidades próximas à região,
de difícil acesso.
As notícias dão conta ainda de que na região de
Parima, mais próxima da fronteira com o Brasil, não foi registrado nenhum
caso. A região em questão é de floresta tropical montanhosa, de
difícil acesso, situada na área da fronteira com o Brasil, onde se
encontram numerosas comunidades Yanomami desprovidas de assistência
sanitária.
Notícia em http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=333600
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SURVIVAL-VENEZUELA: 04-11-09
Índios Isolados da Amazônia morrem em epidemia de gripe
suína(YANOMAMI)

Yanomami é a maior tribo relativamente isolada na
Amazônia
© 1980 Victor Englebert / Survival
Sete índios yanomami da Venezuela morreram sob a
suspeita de um surto de gripe suína nas últimas duas semanas. Outro milhar
de Yanomami podem estar contagiados por esta cepa virulenta de gripe. O
governo venezuelano isolou a área, e enviou equipes médicas para tratar os
Yanomami. O escritório regional da Organização Mundial de
Saúde confirmou a presença do vírus H1N1.
Há temores de que a
epidemia possa alastrar-se pelo território Yanomami e matar muitos outros
índios.Os Yanomami são os maiores grupos indígenas relativamente
isolados na floresta amazônica, com uma população de cerca de 32.000
pessoas, que se estendem pela fronteira Venezuela-Brasil. Devido a esse
isolamento, têm muito pouca resistência às doenças externas transmitidas.
tais como a gripe.
Nas
décadas de 1980-90, quando garimpeiros invadiram suas terras,
cerca de um quinto dos Yanomami no Brasil morreram de doenças como a
gripe e a malária, introduzidas pelos garimpeiros. Sua sobrevivência só
foi assegurada após uma grande campanha internacional, liderada pelos
próprios Yanomami, pela Survival International e pela CCPY ,
Comissão Pró-Yanomami. A saúde indígena é extremamente precária em
ambos os lados da fronteira. Muitas comunidades Yanomami não têm acesso ao
atendimento a saúde, e sendo a região de floresta montanhosa, apresenta
muitos desafios na prestação de assistência médica de emergência. O
território Yanomami fica na fronteira do norte do Brasil e sul da
Venezuela e é o maior território indígena em floresta tropical do
mundo.
No mês passado, a Survival publicou um relatório destacando a ameaça que em especial gripe suína que apresenta para os
povos indígenas ao redor do mundo. Stephen Corry, diretor da Survival ,
declarou: 'A situação é crítica. Ambos os governos devem tomar medidas
imediatas para deter a epidemia e melhorar radicalmente os cuidados de
saúde aos Yanomami. Se não, poderemos mais uma vez ver centenas de
Yanomami morrendo de doenças tratáveis. Isso seria absolutamente
devastador para essa tribo isolada, cuja população mal se recuperou das
epidemias que dizimaram sua população há 20 anos atrás. "
Notícia (em inglês) em: http://www.survivalinternational.org/news/5173
Veja mais sobre os Yanomami no “Povos
Indígenas no Brasil”, do Instituto Socioambiental: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami
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UOL.Notícias:03-11-09
Morre aos 100 anos o antropólogo Claude Lévi-Strauss
Lévi-Strauss, que foi também um dos fundadores da USP,
sofria de Mal de Parkinson/Foto UOL
O etnólogo e antropólogo estruturalista Claude
Lévi-Strauss morreu na noite de sábado para domingo (1º) aos 100 anos, de
acordo com um porta-voz da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais
de Paris, na França. Ainda não há informações sobre a causa da morte do
antropólogo. O falecimento foi divulgado pela editora Plon.
Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos
grandes pensadores do século 20. Ele, que completaria 101 anos no próximo
dia 28, tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram
fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e
membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade
de Paris.
De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na
etnologia sua verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na
recém-fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias
expedições ao Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no
livro "Tristes Trópicos" (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta
como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do
Brasil."Ele soube partir do empirismo para dialogar e colocar a
antropologia em pé de igualdade com outras ciências humanas, como a
filosofia. Lévi-Strauss é um autor fundamental", afirma Renato Sztutman,
professor do Departamento de Antropologia da USP e mestre e doutor em
Antropologia Social na área de etnologia indígena.
Exilado nos
Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Lévi-Strauss
foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira
acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre
(1905-1980), e assumiu, emnas das Américas do Sul e do Norte.
O
antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento
dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização
social dessas tribos chama-se estruturalismo. "Estruturalismo", diz
Lévi-Strauss, "é a procura por harmonias inovadoras".A corrente
estruturalista da antropologia, da qual Lévi-Strauss é o principal
teórico, surgiu na década de 40 com uma proposta diferente da antropologia
de viés funcionalista, predominante até então. "O funcionalismo se
preocupava com o funcionamento de cada sociedade e em saber como as coisas
existiam na sua função social. O estruturalismo queria saber do trabalho
intelectual. Olhar para os povos indígenas e buscar uma racionalidade e
uma reflexão propriamente nativa", diz Sztutman.Suas pesquisas, iniciadas
a partir de premissas linguísticas, deram à ciência contemporânea a teoria
de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao
cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc.
Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a
um mecanismo do cérebro. Escreveu, em "O Pensamento Selvagem", que a
língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo
ser humano. "Ele abriu um caminho para pensar a filosofia indígena,
valorizar o lado intelectual dos povos estudados, e não ficar naquela
coisa 'nós (ocidentais) temos uma grande teoria e eles não'. Lévi-Strauss
abriu caminho para valorizar o aspecto intelectual de outras populações",
acrescenta Sztutman.
Lévi-Strauss não via o ser humano como um habitante
privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará
apenas alguns traços de sua existência quando estiver
extinta.
Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integrou
também muitas academias científicas, em especial européias e
norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de
Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec,
Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre
outras.
Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional
Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: "Fico emocionado
porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou
muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um
pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai
terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter
presente".
Notícia em http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/11/03/ult1859u1791.jhtm
Veja as principais obras do antropólogo na Folha
Ilustrada:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u647000.shtml
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SURVIVAL ESPANHA: PENAN- 02-11-09
Golpe na industria de óleo de palma na Malásia após a
proibição de um anúncio no Reino Unido
Os indígenas PENAN de Bornéo aplaudem a proibição da circulação no
Reino Unido de um anúncio de azeite de palma procedente da Malásia,
supondo-se um duro golpe para a credibilidade desta indústria.Membros do
povo de indígenas
caçadores-colectores Penan , de Bornéo, receberam com satisfação a
proibição: “As plantações de palma de azeite não nos tem beneficiado,
em absoluto; tão somente nos tem roubado nossos recursos naturais e nossa
terra”.
Os Penan vivem em Sarawak, na parte malásia de Ilha
de Bornéo, e estão lutando para deter o desflorestamento dos bosques dos
quais dependem, desflorestamento que abre caminho para as plantações de
palma de azeite. Survival International solicitou ao Governo da Malásia
que detenha as plantações e derrubadas em suas terras sem seu
consentimento.
A Agência de Padrões Publicitários do Reino Unido
proibiu a publicação do anúncio, lançado pelo Conselho de Óleo de Palma da
malásia em uma revista . Este afirmava que que o óleo de palma da Malásia
era “sustentável” e que contribuía para o “alívio da pobreza,
especialmente das populações rurais”. O regulador publicitário determinou
que estas e outras afirmações que se fazem no anúncio são enganosas e não
podiam ser corroboradas.
Notícia completa (em espanhol) em: http://www.survival.es/noticias/5165

Penan colhe fruta na selva.
© Andy Rain/Nick
Rain/Survival
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Instituto Socioambiental - ISA: 02-11-09
Índios Kayapó dizem não à Belo Monte
em reunião na TI Capoto-Jarina
Em reunião histórica encerrada na noite de ontem (2/11)
na aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina (MT) 284 indígenas de
15 diferentes etnias, disseram não à construção da usina hidrelétrica de
Belo Monte, no Rio Xingu, e ameaçam ir à guerra caso as obras se
iniciem.
Foram seis dias de encontro para discutir o projeto da
hidrelétrica de Belo Monte. Motivado pelo fato de o projeto estar sendo
levado adiante sem diálogo com as comunidades indígenas e pela recente
declaração do ministro Edson Lobão, das Minas e Energia, sobre a
existência de "forças demoníacas" contrárias aos projetos hidrelétricos.
Com a reunião já marcada, os Kayapó souberam do parecer da Funai favorável
a Belo Monte, criando mais tensão ainda entre eles. O encontro foi
liderado pelo cacique Raoni Metuktire e organizado pelo Instituto Raoni
com apoio da Associação Floresta Protegida (AFP), Conservação
Internacional (CI), Instituto Socioambiental (ISA) e Greenpeace.
Durante as reuniões as lideranças expressaram seus
anseios, dúvidas e sugestões sobre Belo Monte e as falas se intercalaram
com manifestações culturais dos diversos grupos presentes, tanto de dia
quanto de noite.
Um dos desdobramentos do encontro foi a produção de
uma carta que será entregue para o presidente Lula e o presidente da Funai
por uma comissão de cinco indígenas escolhidos na reunião, e já a caminho
de Brasília. O texto tem um tom firme e deixa claro que caso o projeto de
Belo Monte seja implementado, haverá guerra com mortes entre brancos e
índios, e o governo será responsabilizado.
Foram feitas apresentações sobre o projeto antigo de Belo
Monte que os Kayapó conheceram em 1989 e sobre as modificações propostas
no novo projeto apresentado em 2009, incluindo riscos e relacionando
alguns problemas. Os destaques foram o desequilíbrio que a barragem pode
causar na Bacia do Xingu, o aumento do desmatamento que pode ocorrer na
região de Altamira e em diversos pontos da Bacia do Xingu, não apontados
nos Estudos de Impacto Ambiental entregues ao Ibama, além das ameaças
imediatas para as Terras Indígenas nas proximidades de Altamira.
Um dos
desdobramentos do encontro foi a produção de uma carta que será entregue
para o presidente Lula e ao presidente da Funai, Márcio Meira, por uma
comissão de cinco indígenas escolhidos na reunião, e já a caminho de
Brasília. Leia a carta na íntegra. A comissão de indígenas que irá
a Brasília deve ainda tentar agenda com diversas outras autoridades para
falar sobre o caso. O caso da construção de Belo Monte foi apresentado
ontem (2/11), em Washington (EUA), à Comissão Interamericana de Direitos
Humanos (Saiba mais).
Na Aldeia Piaraçu, os Kayapó realizam encontro
histórico com mais de 280 participantes (foto ISA)

Notícia em http://www.socioambiental.org/noticias/nsa/detalhe?id=2988
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Instituto Socioambiental-ISA: 01-11-09
Gripe entre os Yanomami da Venezuela
foi notificada junto à OPAS
Organizações indigenistas venezuelanas
informam que o Ministério da Saúde daquele país notificou os casos
suspeitos de gripe suína junto à Organização Panamericana de Saúde (OPAS).
Continuam restritos a Mavaca, Ocamo, Platanal e comunidades próximas. Não
há informações de notificação às autoridades brasileiras.
Seriam mil casos suspeitos de gripe suína
atendidos até agora em Mavaca, Ocamo, Platanal e comunidades vizinhas de
acordo com informações de orgnaizações indigenistas da Venezuela. As
notícias dão conta ainda de que na região de Parima, mais próxima da
fronteira com o Brasil não foi registrado nenhum caso. Não se sabe se as
autoridades brasileiras já foram avisadas. A região em questão é de
floresta tropical montanhosa, de difícil acesso, situada na área da
fronteira com o Brasil, onde encontram-se numerosas comunidades Yanomami
desprovidas de qualquer assistência sanitária.
Notícia em http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2986
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G1.Globo.com: 01-11-09
Encontrado corpo de militar
desaparecido do avião da FAB
Aeronáutica confirmou a morte de João de Abreu
Filho, da Funasa. Suboficial Marcelo dos Santos Dias era mecânico da
aeronave.
Comando da Aeronáutica informa que as equipes
de resgate localizaram às 11h34 (horário de Brasília), deste domingo (1º),
o corpo do suboficial Marcelo dos Santos Dias, o único que, entre as
vítimas do acidente com
o C-98, continuava desaparecido. O corpo foi encontrado próximo da
aeronave acidentada. A aeronave, com 11 pessoas, realizou, na
quinta-feira, um pouso forçado no Igarapé Jacurapá, na margem direita do
Rio Ituí, afluente do Rio Javari, estado do Amazonas. Seis dos nove
ocupantes que sobreviveram foram internados no Hospital
Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul (AC), e seguiram para Tabatinga
(AM) neste sábado (31). Um deles foi para Manaus e cinco foram para
Atalaia do Norte (AM).
Notícia em http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1362757-5598,00-ECONTRADO+CORPO+DE+MILITAR+DESAPARECIDO+DO+AVIAO+DA+FAB.html

Local onde foram encontrados os sobreviventes
do acidente aéreo´
Foto Divulgação/FAB
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G1-Globo: 31-10-09
Avião pousou em rio e uma pessoa está
desaparecida, diz FAB
Aeronave com 11 pessoas havia desaparecido na
quinta.Nove ocupantes sobreviveram.
O avião que havia desaparecido na região
amazônica pousou em um rio, segundo a assessoria de comunicação da
Força Aérea Brasileira (FAB). Estavam na aeronave 11 pessoas, incluindo quatro
tripulantes e sete funcionários da Fundação Nacional da Saúde
(Funasa). A Funasa informou que nove pessoas sobreviveram. Elas passam
bem. A FAB confirmou o número e informou que um funcionário da Funasa está
preso nas ferragens, com indícios de óbito. Um militar está
desaparecido.
A fundação divulgou os nomes da equipe que estava a
bordo. São eles: os técnicos Diana Rodrigues Soares, João de Abreu Filho,
Marcelo Nápoles de Melo, Maria das Dores Silva Carvalho, Maria das Graças
Rodrigues Nobre e Marina de Almeida Lima, além da enfermeira Jositéia
Vanessa de Almeida. Eles participavam de uma campanha de
vacinação. Os militares são: 1° Tenente Carlos Wagner Ottone Veiga;
2° Tenente José Ananias da Silva Pereira; Suboficial Marcelo dos Santos
Dias; e 1° Sargento Edmar Simões Lourenço. Ainda de acordo com a
FAB, a aeronave foi localizada por indígenas da tribo Matis, em meio à
Floresta Amazônica, entre as aldeias Aurélio (da Tribo dos Matis) e Rio
Novo (da Tribo dos Murugos), próximo ao Rio Ituí, afluente do Rio
Javari.
Desaparecimento
O avião
desaparecido era um Cessna C-98 Caravan da Força Aérea Brasileira. A FAB
informou na noite desta quinta-feira (29) que recebeu um sinal de
emergência do avião 58 minutos após a decolagem. A aeronave seguia de
Cruzeiro do Sul (AC) para Tabatinga (AM).
Notícia em http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1361138-5598,00-AVIAO+POUSOU+EM+RIO+E+UMA+PESSOA+ESTA+DESAPARECIDA+DIZ+FAB.html

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Agência Brasil: 30-10-09
Funcionários da Funasa a bordo de avião
desaparecido vacinariam índios de 40 aldeias
Brasília - Após confirmar a presença de
funcionários a bordo do avião que desapareceu ontem (29) entre o Acre e o
Amazonas, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) informou que os
passageiros foram designados pelo órgão para realizar um trabalho de
imunização em índio de 40 aldeias da região. Ao todo, 3,7 mil indígenas do
Vale do Javari receberiam as vacinas.
De acordo com a Funasa, a
Operação Gota é resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o
da Defesa, por intermédio do Comando da Aeronáutica. O objetivo é oferecer
a populações de áreas rurais e indígenas de difícil acesso vacinas do
calendário básico.
Sete aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB)
realizam, neste momento, buscas pelo avião que desapareceu depois de ter
partido de Cruzeiro do Sul, no Acre, com destino a Tabatinga, no sudoeste
do Amazonas. O avião é um C-98 Caravan. A confirmação do desaparecimento foi feita pelo Comando da
Aeronáutica.
Paula Laboissiere, Agência Brasil: notícia em http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/10/30/materia.2009-10-30.6795515267/view
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ISA-Instituto Socioambiental: 30-10-09
Suspeita de surto de gripe suína
atemoriza Yanomami da Venezuela
Notícias de uma forte epidemia de gripe,
possivelmente de tipo A (H1N1), entre os Yanomami da Venezuela estão sendo
relatadas pelos índios a seus parentes da região fronteiriça no Brasil. As
informações sobre o caso, ainda insuficientes,aguardam confirmação
oficial.
Na última semana, índios Yanomami da Venezuela
têm avisado a seus parentes que vivem na fronteira com o Brasil, em
Roraima, que estaria havendo entre eles um surto de gripe de gravidade não
habitual . Fala-se em mais de 400 casos sintomáticos que estão sendo
tratados com medicamentos para a gripe A (H1N1) e sete mortes ocorridas em
menos de quinze dias. O foco central estaria localizado nas regiões de
Ocamo (1.048 pessoas), Mavaca (1.336) e Platanal (1.002) e se alastraria
pela região do Alto Rio Orinoco.
Os Yanomami também informaram que dezenas de
profissionais de saúde foram enviados para o local pelo governo
venezuelano na tentativa de conter o avanço da doença. Nesta região de
floresta tropical montanhosa de difícil acesso, situada na área da
fronteira com o Brasil, encontram-se numerosas comunidades yanomami
desprovidas de qualquer assistência sanitária. O vírus da gripe suína ou
gripe A (H1 N1) se dissemina com extrema velocidade, causando graves
problemas respiratórios que, se não tratados a tempo, podem ser letais.
Teme-se que o efeito desta nova estirpe de gripe entre populações
indígenas isoladas e de grande mobilidade possa ser de extrema gravidade.
Organizações indígenas e indigenistas do Brasil estão particularmente
preocupadas com a expansão em grande escala da doença e com a falta de
equipamentos, pistas de pousos e postos de saúde em parte da TI Yanomami,
em ambos países, para dar conta de uma possível epidemia de gripe A nesta
região fronteiriça.
Situação pode se agravar no
Brasil: A indefinição do modelo de assistência à saúde para os
Yanomami no Brasil pode agravar o quadro caso a suspeita se confirme e
ultrapasse as fronteiras. Não é de hoje que a má qualidade da assistência
de saúde aos Yanomami vem sendo denunciada frequentemente . Isso ocorreu
recentemente, quando o líder Davi Kopenawa Yanomami se encontrou com o
ministro da Saúde, José Gomes Temporão levando as reivindicações de
lideranças indígenas e organizações de apoio pela criação da Secretaria
Especial de Saúde Indígena. (Leia mais). A nova secretaria abarcaria a saúde
indígena, retirando-a da responsabilidade da Fundação Nacional da Saúde
(Funasa), que vem sendo acusada de mau gerenciamento dos recursos
públicos, corrupção e incapacidade técnica (Saiba mais). Mesmo assim, o governo brasileiro ainda não
criou a nova secretaria.
Para saber mais sobre os Yanomami, acesse a
página "Povos Indígenas no Brasil", do Instituto Socioambiental: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami
Mapa da fronteira Brasil-Venezuela
com aldeias Yanomami;em destaque, as áreas afetadas pela suposta H1N1-Mapa
ISA
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G1.globo.com: 29-10-09
Índios interditam balsa que liga
Brasil ao Paraguai
Houve congestionamento nos dois países. Grupo
de 100 indígenas ocupou posto da Receita, em Guaíra (PR).
Um grupo de aproximadamente 100 índios da
aldeia Tekoá Marangatu interditou o acesso à balsa que liga o Brasil ao
Paraguai. Segundo a Polícia Federal (PF), os manifestantes ocuparam o
posto da Receita Federal na aduana de Porto Sete Quedas, em Guaíra (PR),
na manhã desta quinta-feira (29). Houve grande congestionamento nos dois
lados do Rio Paraná, principalmente de caminhões, que fazem o transporte
de cargas entre os dois países. Segundo a PF, os
índios ocuparam o Posto da Aduana da Receita Federal localizada
no Porto Sete Quedas, em Guaíra (PR).
Os índios protestaram contra a
falta de atendimento médico, melhoria nas condições de higiene,
alimentação e educação. Eles também pediram ajuda na reconstrução de
moradias destruídas pelas últimas chuvas na região.
Notícia em http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1360133-5598,00-INDIOS+INTERDITAM+BALSA+QUE+LIGA+BRASIL+AO+PARAGUAI.html
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Survival Espanha-PERÚ: 28-10-09
Governo do Perú quer desmantelar organização
indígena nacional
O Governo peruano planeja dissolver a organização
nacional que representa os povos indígenas da Amazônia Peruana, conhecida
por sua sigla, AIDESEP .
A
proposta, sem precedentes, da dissolução da AIDSEP foi formulada pelo
Ministro da Justiça peruano,e se baseia na afirmação de que a organização
está “infringindo flagrantemente” seus estatutos e minando a “ordem
pública”. Em uma entrevista em 24 de outubro passado, a presidenta em
exercícicio da AIDESEP, Daysi Zapata, declarou que as comunidades
indígenas iniciariam uma marcha até a capital, Lima, se o Governo não
retificar nos próximos 20 dias.O presidente eleito da AIDESEP, Alberto
Pizango, que atualmente permanece em asilo político na Nicarágua,
declarou:”O Governo está demonstrando que é contrário aos povos
indígenas, que tão somente reclamam seu direito de viver dignamente.Não é
possível que o Governo trate de calar aos povos indígenas dissolvendo a
AIDESEP. Os povos estão muito indignados com esta situação.Se o Governo
tivesse vontade real de de solucionar os problemas, não estaria
perseguindo os dirigentes, nem tentando dissolver uma organização fundada
em 1980 que é a expressão legítima do movimento indígena amazônico e
merece grande respeito”.
A proposta de dissolver a AIDESEP
foi feita apenas três dias após a polícia atacar um protesto pacífico em
Bagua, ao norte do Perú, que formava parte dos protestos coordenados pela
AIDESEP em toda a Amazônia. O ataque teve saldo de 30 mortos e 200
feridos. A proposta de dissolução da AIDESEP foi criticada pelas prinipais
organizações peruanas de Direitos Humanos, que a descreveram como
“arbitrária”, “abusiva” e que “ agudiza temerariamente” o conflito social
na Amazônia.
A policía atira contra manifestantes
indígenas em Bagua, Perú.
© Thomas Quirynen and Marijke
Deleu
Notícia completa em http://www.survival.es/noticias/5168
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Amazonia.Org: 28-10-09
Indígenas e comunidades se organizam
contra usina de Belo Monte
Às vésperas da concessão da licença e do
leilão da usina de Belo Monte, no rio Xingu (PA), os povos indígenas e
movimentos sociais da bacia do rio Xingu se movimentam contra a construção
da barragem. Na última segunda-feira (26), um painel de especialistas
apresentou seus estudos sobre os impactos do empreendimento a uma platéia
de cerca de 250 pessoas, em Altamira (PA). Hoje (28), os Kayapós
iniciam uma semana de protesto na comunidade de Piaraçu, e no dia 05 de
novembro povos indígenas e população local organizarão um encontro em
Volta Grande do Xingu. As comunidades protestam contra a provável emissão
da Licença Prévia (LP), que segundo o presidente do Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) será concedida na
próxima semana. O calendário do Plano de Aceleração do Crescimento
(PAC) previa a emissão da licença para a última segunda-feira. "O tema
Belo Monte diz respeito a toda a sociedade brasileira. Esse projeto
vai resultar em grande impacto para a população local e indígena, mas vai
mexer também com a vida das pessoas que não moram na região, porque é um
projeto de bilhões, que será custeado pelos contribuintes", explica
Antônia Melo, militante do movimento Xingu Vivo para Sempre e moradora de
uma das comunidades que será impactada. Além disso, as populações
atingidas pelo projeto pretendem debater o parecer da Fundação Nacional do
Índio (Funai). Na semana passada, a Funai aprovou os Estudos de
Impacto Ambiental (EIA/Rima) da usina, o que revoltou as lideranças
locais.
Segundo Luis Cláudio Teixeira, do Conselho
Indigenista Missionário (Cimi), o parecer é completamente
equivocado. "A Funai não considerou muitas coisas desse EIA/Rima
elaborado pelas empresas interessadas, e também não considerou os
questionamentos que vem sendo feitos por técnicos e pesquisadores, que
apresentam fundamentos técnicos, não políticos, sobre esse
empreendimento". Teixeira critica a Fundação por usar o projeto de Belo
Monte como moeda de troca para outras reivindicações dos povos indígenas,
como o atendimento a saúde e educação, que deveriam ser atividades de
rotina. Além disso, o representante do Cimi questiona a participação
da Funai nas audiências públicas realizadas pelo governo para debater com
as comunidades o empreendimento. "A Funai é uma agência mediadora entre o
Estado brasileiro e as populações indígenas. Nessas audiências, ela
não agiu como mediadora, ela agiu como defensora de Belo Monte.
Desde o início eles pretendiam garantir compensações, sem considerar os
efeitos a longo prazo para os povos indígenas".
As audiências públicas são questionadas pelo
Ministério Público Federal. Segundo os procuradores, os locais em
que elas foram realizadas não comportaram toda a população envolvida, e
muitas comunidades ficaram de fora dos debates e questionamentos. Para os
movimentos sociais, com as decisões mais recentes - como o parecer da
fundação e o anúncio, por parte do Ibama, de que a licença sairá de
qualquer maneira - o governo está fazendo exatamente o contrário do que o
presidente Lula havia prometido às comunidades em julho. "O
presidente falou que não ia empurrar o projeto 'goela abaixo'. No
entanto, é isso o que o governo está fazendo", disse Antônia.
Bruno Calixto; notícia em http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=332924
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O Estado de São Paulo: 28-10-09
Emenda de ruralistas inclui anistia no Código
Florestal
BRASÍLIA - Em uma sessão tensa, marcada pelo
protesto de ambientalistas, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos
Deputados deu hoje espaço à bancada ruralista para apresentar um
substitutivo ao novo Código Florestal e incorporar ao texto uma anistia a
todos os proprietários rurais que desmataram no País até 31 de julho de
2006.
O texto, que espelha as orientações da Confederação Nacional de
Agricultura (CNA), foi apresentado como substitutivo pelo novo relator,
Marcos Montes (DEM-MG), na sexta-feira, mesmo dia em que assumiu o posto
em substituição ao anterior, Jorge Khoury (DEM-BA). Depois de protestos de
ambientalistas, gritaria e confusão, a votação foi suspensa.
A confusão
começou com um protesto de três ambientalistas da ONG Greenpeace, que se
acorrentaram uns aos outros e ligaram uma sirene na comissão para tentar
evitar a votação. Expulsos do plenário, a reunião foi suspensa por 20
minutos até que os ânimos se acalmassem. O relator e o presidente da
comissão, Roberto Rocha (PSDB-MA), insistiam em manter a votação até que,
respondendo a um pedido do líder do PSDB, José Aníbal (SP), Rocha retirou
a proposta da pauta.
Essa versão do código florestal, se aprovada,
permitirá que todo o desmatamento ilegal feito até 31 de julho de 2006
seja anistiado e as atividades agropecuárias existentes na área sejam
mantidas.
O projeto também retira da Amazônia Legal 4,2 milhões de
hectares de floresta que hoje estão nos estados do Tocantins e Maranhão.
Com isso, a reserva obrigatória cairia de 80% para 20%.
O substitutivo
repassa aos Estados o direito de determinar em suas leis o tamanho das
áreas de proteção em torno das áreas consideradas de proteção, como cursos
d''água. Amanhã, o governo federal determina o piso para isso.
Lisandra Paraguassú, Agência Estado; notícia
em www.estadao.com.br
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Agência Brasil: 27-10-09
Funai prorroga restrição de permanência em
terra indígena de Rondônia (isolado "TANARÚ")
Brasília - A Fundação Nacional do Índio
(Funai) prorrogou por três anos, a contar de hoje (27), a restrição ao
direito de entrada, locomoção e permanência de pessoas estranhas aos
quadros da Funai na Terra Indígena Tanaru, em Rondônia. A portaria está
publicada no Diário
Oficial da União.
A terra, com pouco mais de 8 mil hectares,
está localizada nos municípios de Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e
Pimenteiras d'Oeste. Só poderão entrar, se locomover e permanecer na área,
por tempo determinado, pessoas autorizadas pela Coordenação-Geral de
Índios Isolados (CGII).
A restrição de ingresso não se aplica às Forças
Armadas e policiais no cumprimento de suas funções institucionais. Ainda
assim, o ingresso e a permanência delas na área deverá ser sempre
acompanhada por funcionários da Funai.
A critério do órgão, as
autorizações poderão ser suspensas em função das condições ambientais,
climáticas. É proibida a exploração de qualquer recurso natural existente
na reserva. A proibição será fiscalizada pelas equipes da Frente de
Proteção Etnoambiemtal do Guaporé/CGII-Funai. A proibição se baseia no
reconhecimento dos direitos indígenas, estabelecidos pelo Estatuto do
Índio e pela Constituição Federal, sobre as terras que tradicionalmente
ocupam.
Cristina Machado; notícia em http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/10/27/materia.2009-10-27.6255553031/view
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Acorda-Pará:26-10-09
O Adeus à Yara Cecim
O Pará volta ao cenário da saudade, pois acaba
de perder uma de suas ilustres filhas, Yara Cecim, escritora nascida no
dia 13 de maio de 1916, no sitio Caxambu, às margens do rio Tapajós, no
município de Santarém, faleceu hoje às 07h30. Porém somente com sessenta
anos de idade veio a estrear como escritora e contadora de histórias,
valorizando os mistérios emaranhados no imaginário amazônico. Mulher
simples, mas de grande valor, nunca se deixou envolver pela tola vaidade
das fugazes glórias humanas, pois sabia que a maior virtude de um sábio é
a humildade, e como ribeirinha do Baixo-Amazonas nunca sofreu um arranhão
em sua vida literária.
Notícia em http://www.acordapara.com.br/
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Amazonia.Org: 26-10-09
Funai aprova usina de Belo
Monte
A Fundação Nacional do Índio (Funai) entregou
no último dia 14 ao presidente do Instituto do Meio Ambiente e Recursos
Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Messias Franco, um parecer favorável
ao Estudo e Relatório de Impactos Ambientais (EIA/Rima) da Usina de Belo
Monte, no rio Xingu (PA).
"Em referência à análise do componente
indígena dos estudos de impacto ambiental do AHE Belo Monte, esta Fundação
considera que o empreendimento em questão é viável", diz a carta. O
documento também levanta algumas condicionantes relacionadas aos índios
citadinos, à vazão do rio Xingu e à indústria madeireira da região.
A
aprovação da Funai em relação ao estudo do empreendimento aconteceu mesmo
após as comunidades indígenas criticarem o processo de elaboração EIA/Rima
da usina, que, segundo elas, não ouviu os povos indígenas e tradicionais
que serão afetados pelo empreendimento
De acordo com Telma Monteiro,
pesquisadora da organização Kanindé, o fato de a Funai ter aceitado o EIA
é negativo. "A Fundação jogou ao chão tudo aquilo pelo qual a
sociedade vem lutando, todos os esforços como os pareceres de
especialistas, cartas de autoridades, audiências públicas, recomendações
do ministério público", afirma.
Segundo a pesquisadora, o EIA possui
irregularidades como a falta de consulta ao Congresso Nacional e de
diálogo com a sociedade durante as consultas públicas.
Goela
Abaixo
Para o diretor da International Rivers, Glenn Switkes,
"o parecer da Funai é consistente com a exigência do Palácio do Planalto e
da Casa Civil de empurrar o projeto Belo Monte 'goela a baixo', quer dizer
a qualquer custo".
"Chama a atenção que a agência não argumenta pela
necessidade de retirar os povos indígenas (Juruna, Arara, Xipaia, Kuruaia
e outros) que moram na região da Volta Grande que deveria virar o maior
canteiro de obras do mundo. Sem água potável, sem peixes, sem terra
agricultável (pela diminuição do lençol freático), e sem condições de
navegar pelo rio Xingu, os povos indígenas viverão isolados entre muros e
canais artificiais", explica.
Segundo Switkes, a fundação foi "usada"
para legitimar o processo de licenciamento de Belo Monte. "O fato da
Funai dizer que 'as oitivas indígenas' requisitadas na Constituição
Nacional foram feitas mostra que fundação está sendo utilizada para
blindar o projeto Belo Monte contra eventuais ações na Justiça. É
vergonhoso", conclui.
Problemas
Telma diz que
impactos negativos podem ser acarretados pela obra, como: o aumento da
pesca ilegal, invasão de terras indígenas, aumento do desmatamento etc.
"Outro problema que trará a construção de Belo Monte é a iminência de
conflitos com os indígenas e o aumento da pressão sobre a vida dos povos
indígenas e dos recursos naturais que imemorialmente são de uso exclusivo
para sua sobrevivência", alerta.
Diante desses problemas, os índios da
região do Xingu já se movimentam e publicaram hoje uma nota de repúdio
contra o parecer técnico da Funai. "Não entendemos como a Fundação
Nacional do Índio, órgão do Governo Federal constituído para reforçar a
cidadania indígena, pode aprovar o projeto da Hidrelétrica de Belo
Monte. Enquanto isto, dezenas de líderes Kayapó vão realizar uma
assembléia nas cabeceiras do Rio Xingu, no final deste mês de outubro,
rejeitando completamente o projeto", dizem.
Veja:
Ofício da
Funai
Moção
de repúdio ao Parecer Técnico emitido pela Funai sobre a Usina de Belo
Monte
Saiba mais:
Funai
diz que Belo Monte é viável
Thaís Iervolino e Bruno Calixto:notícia em http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=332622
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Survival International –QUÊNIA: 23-10-09
Condenados: os Ogiek, do Quênia, prestes a se
tornarem "refugiados ambientais"
© Survival
Ogiek, povo ancestral do Quênia-foto
Survival
Foi confirmado que o povo Ogiek será expulso de suas terras ancestrais na floresta Mau, no Quênia, antes do final do ano.O
Secretariado Provisório para a Coordenação da Floresta Mau, do Governo do
Quênia , anunciou que desalojará todas as pessoas da floresta Mau em cinco
etapas. Os Ogiek serão incluídos na primeira fase das expulsões,
juntamente com os colonos que não têm escrituras. As notificações de
expulsão serão dadas até 26 de novembro, e todas as expulsões serão
concluídas até 31 de dezembro.
Nos últimos anos, a floresta Mau tem
sofrido uma devastação extrema causada principalmente pela ação de
madeireiros ilegais, minas de carvão e entrada ilegal dos colonos. A
destruição da Floresta Mau é ecologicamente e economicamente devastadora
para o Quênia, já que é uma fonte de água fundamental para o país.Em uma
tentativa de restaurar a floresta, O governo queniano ordenou a
expulsão de todos os assentados, sem fazer qualquer distinção entre os
novos colonos, muitas vezes ilegais, e os Ogiek, que habitam na floresta
há séculos.
Povo coletor de mel, os Ogiek vivem na floresta Mau por
gerações. Seu estilo de vida está intimamente ligado à floresta, assim
como à sua fauna e flora, e não são a causa da degradação.Se os Ogiek
forem expulsos de suas terras ancestrais sob um conceito inadequado de
conservação, se converterão nos próximos "refugiados ambientais" do
mundo.
Notícia em: http://www.survival.es/noticias/5167
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Instituto Socioambiental-ISA: 22-10-09
Morre o físico e educador francês
Maurice Bazin, pioneiro na divulgação científica.
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