Amazoé Amazoé Amazoé Amazoé Amazoé AmazoéAmazoéAmazoéAmazoé  
Página Inicial
NOTÍCIASÍNDIOSNOTÍCIASÍNDIOSNOTÍCIASÍNDIOSNOTÍCIAS
 

 

Terra Magazine/Blog da Amazônia: 31/01/12

Na Amazônia peruana, fotos inéditas de índios isolados em close-up

SURVIVAL -D.CortijoFotos de Diego Cortijo - www.indigenasaislados.org/ reprodução SURVIVAL

Fotos em close-up de uma família de índios isolados da tribo Mascho-Piro, habitante do Parque Nacional de Manú, no sudeste do Peru, foram divulgadas nesta terça-feira (31) pela ONG inglesa Survival International.
É o que se viu até agora de mais detalhado dos índios isolados registrado em fotos, mas avistar os Mascho-Piro nos últimos meses tem sido cada vez mais recorrente.
Muitos culpam a extração ilegal de madeira dentro e no entorno do parque, e os helicópteros de voos baixos dos projetos de extração de gás e petróleo, por deslocarem os indígenas de suas florestas. Os Mashco-Piro são uma das cerca de 100 tribos isoladas ao redor do mundo.

Leia mais:
Índios isolados são fotografados pela 1ª vez no Acre
Sertanista teme retaliação de madeireiros peruanos
Novas fotos inéditas dos índios isolados do Acre

O perigo de contatar tribos que optaram por se manter isoladas foi reafirmado pela recente morte de um indígena Matsigenka. Nicolás “Shaco” Flores foi morto por uma flecha de índios isolados próximo ao Parque Nacional de Manú no Perú. Ele vinha deixando comida e presentes para um pequeno grupo de índios Mashco-Piro nos últimos 20 anos.
Glenn Shepard, antropólogo e amigo de Flores, escreveu em seu blog (veja) e no website Anthropology News, que “a morte de Shaco é uma tragédia”.
- Ele era um homem simpático, corajoso e experiente. Ele acreditava estar ajudando os Mashco-Piro, contudo, com essa tragédia, os mesmos demonstraram a sua vontade de serem deixados em paz - acrescentou Shepard.
Beatriz Huertas, especialista peruana em tribos isoladas, disse à Survival que o caso é “incomum, complexo e extremamente delicado”.
- O contato pode acontecer a qualquer momento. Nós temos que implementar medidas preventivas e planos de contingência com as autoridades locais o mais breve o possível para garantir que isso não aconteça mais uma vez - disse Huertas.
No ano passado, a Survival escreveu ao ministério peruano para áreas protegidas, expressando a sua preocupação em relação a um vídeo mostrando turistas deixando roupas para os índios nas margens dos rios.
A área foi posteriormente fechada para turistas e um aviso de emergência foi enviado aos moradores locais. O Departamento de Assuntos Indígenas do Perú planeja criar um posto de guarda para a proteção de tanto os residentes da região quanto os índios isolados.
- Um ano depois, essas fotos fornecem provas ainda mais esmagadoras sobre a existência de tribos isoladas. Não é mais aceitável por governos, empresas ou antropólogos em negá-la. O primeiro contato é sempre perigoso e frequentemente fatal – tanto para a tribo quanto para aqueles que tentam o contato. A vontade dos indígenas de se manterem não contatados deve ser respeitada - disse o diretor da Survival, Stephen Corry.

SURVIVAL/D.Cortijo

Altino Machado em: http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2012/01/31/

 

Notícia original (em inglês) na página da Survival International:

http://www.uncontactedtribes.org/news/8055

 

 

Agência Brasil/Jornal do Brasil: 28/01/12

Justiça pede que índios guaranis desocupem terra que era demarcada

A Justiça deu prazo de 15 dias para que um grupo de índios guarani-kaiowá da Terra Indígena Laranjeira Nhanderu, em Mato Grosso do Sul, desocupe a área, que é reivindicada por fazendeiros. A justificativa, segundo informação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) na região, foi que a Fundação Nacional do Índio (Funai) não apresentou o relatório de identificação da terra.
Segundo a índia Luciene Almeida, filha de uma liderança local, policiais federais estiveram na aldeia nesta sexta-feira (27) para levar a ordem de reintegração de posse e comunicar que os índios teriam 15 dias para sair das terras. Na aldeia vivem 170 índios, sendo 100 crianças e 30 idosos.
“Não temos para onde ir. Estamos aqui há quatro anos e já tivemos que ficar na beira da estrada duas vezes”, disse Luciene, se referindo a outras duas ordens de desocupação que a tribo teve que cumprir. A Funai informou à Agência Brasil que assinou com o Ministério Público um termo de ajustamento para concluir a identificação da terra indígena até o fim de 2011, mas o processo foi paralisado várias vezes por determinação da Justiça. Além disso,garantiu que a procuradoria do órgão recorrerá da decisão para que os índios guarani-kaiowá continuem na área.
Já em 2012, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deu parecer recomendando que a demarcação de terras indígenas deve continuar em Mato Grosso do Sul. Ele se manifestou em recurso que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que suspendeu a demarcação de terras no estado atendendo a um pedido da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Femasul).
Para Gurgel, a demarcação assegura o interesse público e deve ser mantida, pois permite a promoção da ordem, economia esegurança pública. “Busca-se eliminar um conflito fundiário que não é risco hipotético, mas fato consumado. Do contrário, perduraria uma situação de grave ameaça à integridade física de inúmeros cidadãos e ao próprio patrimônio público.”


http://www.jb.com.br/pais/noticias/2012/01/28/justica-pede-que-indios-guaranis-desocupem-terra-que-era-demarcada/

 

 

Ministério Público Federal- MPF/PA: 27/1/2012

MPF/PA: índios Aikewara bloqueiam rodovia BR-153

Eles reivindicam medidas de controle e mitigação ambiental dos impactos causados pela estrada, que corta a terra indígena onde vivem

Índios aikewara – eles também são chamados Suruí, mas preferem a primeira denominação – estão bloqueando desde ontem o tráfego na BR-153, na altura de São Domingos do Araguaia, no sudeste do Pará. O protesto reivindica o cumprimento de medidas de controle e mitigação ambiental para os impactos causados pela rodovia, que corta a Terra Indígena Sororó, onde eles vivem.

Desde 1998, segundo a comunidade, a estrada causa graves problemas para os indígenas. Apesar da estrada ser federal, a pavimentação foi feita pelo governo paraense. Por esse motivo, o Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) chegou a firmar um acordo com a Secretaria de Transportes do Pará (Setran) para que medidas compensatórias fossem adotadas no sentido de compensar os índios e proteger seu território contra os impactos do asfaltamento.

Como o Estado do Pará não deu cumprimento ao acordo, a Procuradoria da República em Marabá expediu recomendação à Setran para que as medidas fossem definidas e implementadas. O processo de discussão do plano de ações foi então retomado, mas até agora não foram efetivamente implantadas as ações de proteção ambiental indicadas no laudo antropológico.

Segundo o MPF/PA, a Setran e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ainda não se entenderam. Enquanto o Estado do Pará diz que as responsabilidades devem ser compartilhadas, o DNIT alega que tais impactos serão compensados com o Plano Básico Ambiental apresentado à Funai em razão da pavimentação da BR-230, que também contemplaria as mitigadoras relativas à BR-153.

Em 2010, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Corpo de Bombeiros do Pará constataram, depois de um incêndio de grandes proporções na área, que 30% da Terra Indígena já havia sido devastada por queimadas, na maior parte das vezes causadas por cigarros acesos e lixo jogado pelas janelas dos veículos que transitam na rodovia.

Os índios reivindicam, além do cumprimento da obrigação de compensar pelos impactos da rodovia, a construção de casas na aldeia, melhorias na escola e também no posto de saúde, que só foi construído em razão de uma ação civil pública ajuizada pelo MPF em Marabá contra a Funasa.

Recentemente, a Procuradoria da República em Marabá ajuizou outra ação para regularizar o atendimento e promover diversas outras melhorias na assistência à saúde das comunidades indígenas da região.

Os indígenas dizem que, se nada disso for cumprido, a estrada deve ser desviada para não passar mais dentro da terra deles.

Em reunião hoje na sede do MPF em Marabá, DNIT, Ibama, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Corpo de Bombeiros assumiram diversos compromissos que serão levados aos índios para negociar o desbloqueio da estrada.

O DNIT ficou responsável por colaborar com a Setran para executar o plano de ações emergenciais e controle ambiental na área. “Ibama, Funai e Bombeiros se comprometeram a elaborar e apresentar, até a última semana de fevereiro, um programa conjunto de prevenção e combate a incêndios e queimadas na TI Sororó”, registra a ata da reunião. A Funai vai treinar nos próximos 15 dias os servidores para atuar no combate a queimadas.

Mineração - Também estava presente a empresa Dow Corning, responsável por um empreendimento de fabricação de silício metálico, que é vizinho à terra indígena e estaria provocando impactos na vida dos índios. O MPF já havia cobrado providências da Funai.

Na reunião, a empresa se comprometeu a colaborar e vai apresentar à Funai o EIA-RIMA do empreendimento e suas licenças ambientais para que sejam feitos estudos destinados a identificar possíveis impactos aos Aikewara/Suruí, que deverão ser compensados pela empresa.


Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação
Fones: (91) 3299-0148 / 3299-0177
E-mail: ascom@prpa.mpf.gov.br
Site: www.prpa.mpf.gov.br
Twitter: http://twitter.com/MPF_PA

http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_indios-e-minorias/mpf-pa-indios-aikewara-bloqueiam-rodovia-br-153

 

 

O Estado de S.Paulo:  27/01/12

Vale é eleita por ONGs 'pior empresa do mundo'

Mineradora brasileira teve mais votos na internet que a Tepco, companhia responsável pela usina de Fukushima

MÔNICA CIARELLI / RIO - O Estado de S.Paulo
Pela primeira vez, uma companhia brasileira ganhou o inglório título de pior empresa por uma premiação criada desde 2000 pelas ONGs Greenpeace e Declaração de Bernia, a "Public Eye People's". O prêmio, também conhecido como o "Oscar da Vergonha" será anunciado hoje durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.
Com cerca de 25 mil votos, a Vale venceu por uma diferença de menos de mil votos a japonesa Tepco, responsável pela usinas nucleares de Fukushima. Também estavam na "disputa" a mineradora americana Freeport, o grupo financeiro Barclay's, a empresa sul-coreana de eletrônicos Samsung e a suíça de agronegócios Syngenta.
A indicação da Vale foi feita por um grupo de instituições sociais e ambientalistas formado pela Rede Justiça nos Trilhos, a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, o International Rivers e a Amazon Watch.
No site da premiação, a indicação da mineradora era justificada no site da premiação por uma "história de 70 anos manchada por repetidas violações dos direitos humanos, condições desumanas de trabalho, pilhagem do patrimônio público e pela exploração cruel da natureza".
Na época em que foi escolhida finalista, a Vale não se pronunciou sobre o assunto. A empresa se limitou a informar que disponibiliza anualmente um relatório de sustentabilidade. Para 2012, a companhia prevê investir US$ 1,648 bilhão, sendo US$ 1,354 bilhão na proteção e conservação ambiental e US$ 293 milhões em programas sociais.

Mônica Ciarelli - O Estado de S.Paulo; http://www.estadao.com.br/noticias/

 

 

SURVIVAL INTERNATIONAL/ÍNDIA: 26/01/2012

Dois anos depois do desaparecimento dos Bo, outra tribo das Ilhas Andaman se depara com a extinção

SURVIVALBoa Sr morreu há exatamente dois anos. Era a última sobrevivente do povo indígena Bo. 
© Anvita Abbi/Survival

Dois anos após as Ilhas Andaman, da Índia, perderem a última falante da língua Bo, uma lingüista tem  advertido que os Jarawas podem deparar-se com um destino similar, se não for fechada a rodovia que atravessa sua reserva.

A professora Anvita Abbi é especializada em línguas ameaçadas de extinção e recentemente  publicou um dicionário que documenta quatro das mais antigas línguas do mundo.

Ela afirmou: "A não ser que abramos rotas marítimas alternativas, não poderemos proteger a vida, a cultura, a língua e a identidade de uma das civilizações mais antigas do planeta".

Esta dura perspectiva se produz exatamente dois anos depois da morte de Boa Sr, que pressupôs a extinção do "bo", uma das dez línguas granandamanenses.

Os Granandamaneses eram os vizinhos dos Jarawas, até que o Governo Indiano os reassentou compulsoriamente na Ilha do Estreito, em  1970.

Chegaram a ser 5.000 pessoas. Agora são apenas 56.

Antes de sua morte, Boa Sr se lamentou com Anvita Abbi pela perda de sua língua. Avaliouu: "Os Jarawas têm sorte porque evitam o contato com os habitantes das cidades. Dá gosto ver que não são dependentes dos forâneos para obterem sua comida e sua vivência. Nossas crianças não sabem nada de caça, e já não podem se alimentar por si mesmos".

Para relembrar o segundo aniversário de sua morte, a Survival International publicou um novo e único vídeo de Boa Sr , no qual esta fala da importância de conservar uma língua.

Ver o vídeo de Boa Sr

Boa diz: "Se não falam comigo agora, o que farão quando eu morrer? Não esqueçam nossa língua, conservem-na!".

Anvita Abbi explicou à Survival que Boa Sr "não tinha idéia de que os Jarawas logo se deparariam com o mesmo destino que os Granandamaneses".

O diretor da Survival International, Stephen Corry, declarou: "Em um momento no qual as provas de que se fazem safaris humanos tem gerado indignação global, é vital que o Governo Indiano feche a Rodovia Andaman Trunk. Ainda que as declarações do ministro Chidambaram de 'não impor nada à tribo' sejam alentadoras, isto só se garantirá de verdade se a rodovia for fechada. O legado da morte de Boa Sr deveria ser advertência suficiente ".

Notícia online: http://www.survival.es/noticias/8051

 

 

Notícias Terra/Blog da Amazônia: 26/01/12

Falso pastor é indiciado por ter mantido índios em cárcere privado

A.Soares/FUNAIFalso pastor algemado em Lábrea (AM) pela Polícia. Foto Armando Soares/FUNAI

O falso pastor Antonio Alenquer Pereira Pontes, que passou 10 dias desaparecido com 14 índios da etnia Paumari (cinco adultos, sete adolescentes de 12 a 16 anos, um menino pequeno e um bebê de colo) , foi indiciado em Lábrea (AM) por cárcere privado, ameaça, estelionato e falsa identidade.
Pontes é acusado de ter mantido os índios sob terror e intimidação durante uma viagem supostamente destinada a ir buscar material e mercadorias prometidas por ele aos habitantes da aldeia Crispim, no Rio Purus.
- Toda hora ele dizia que ia me bater com uma corda. Meu pai nunca me bateu. Eu não entendia por que esse homem queria me bater, nem por que ele dizia que seríamos todos presos. Nós não matamos ninguém. Nós tínhamos que ficar o tempo todo escondidos na canoa e cada vez que passava um motor ele dizia que era a polícia nos procurando. A gente não podia conversar, nem olhar um para o outro. Ele só deixava a gente sair do barco para fazer as coisas que ele mandava – relatou uma adolescente.
Os indígenas contaram que não chegaram a passar fome, mas não podiam dormir por causa do medo e dos carapanãs (pernilongos) no rio.
- Agora passo o dia chorando porque foi muito sofrimento que passamos nas mãos desse homem – relatou à antropóloga Oiara Bonilla a adolescente paumari que viajava com o falso pastor.
Pontes dizia aos índios que era filho de desembargador e que mandaria matar a todos na aldeia caso fosse preso. Os índios eram obrigados a servi-lo, tendo, por exemplo, que retirar seus sapatos e meias, sem reclamar.
- Ele também disse para nós que era um “mentalista”, que ele lia a mente das pessoas. Disse que ensinaria as mulheres a se tornarem “mentalistas” como ele.
Alguns paumari estão prestando novos depoimentos na delegacia de Lábrea nesta quarta-feira (25). A polícia quer esclarecer alguns pontos e obter mais detalhes sobre o ocorrido ao longo dos dez dias em que os índios estiveram viajando com o falso pastor.
A prisão dele aconteceu após a antropóloga Oiara Bonilla denunciar o caso no Blog da Amazônia. A antropóloga é pesquisadora do Museu Nacional e trabalha junto aos Paumari desde 2000.
- Nos próximos dias, os paumari estarão voltando para a aldeia, e provavelmente conversarão e refletirão muito sobre o ocorrido, para que fatos como esse nunca mais se reproduzam. O triste episódio também serve como alerta para todos nós, pois aponta para a extrema fragilidade e exposição que a região do Sul do Amazonas vive. Ela estará cada vez mais exposta com o avanço do desmatamento e da frente agropecuária do norte de Rondônia – comentou a antropóloga.


Por: Altino Machado
Fonte: Blog da Amazônia 

 

 

Instituto Socioambiental: 24/01/2012

Lucio Flavio Pinto lança Tucuruí, a barragem da ditadura

O jornalista paraense faz um resgate histórico da construção da polêmica barragem de Tucuruí, no Pará, uma das grandes obras do período da ditadura militar no Brasil. Tucurui, a barragem da ditadura relata os lances que envolveram a hidrelétrica desde o início em 1974 até o término em 1985, mostrando que apesar da censura e da ditadura, o debate sobre a obra chegou à opinião pública por meio da imprensa.

Capa -Lúcio Flávio Pinto

Construída no Rio Tocantins, entre Belém (PA) e Marabá (MA), a hidrelétrica de Tucuruí, um dos grandes projetos de infraestrutura da ditadura militar na Amazônia, foi alvo de polêmicas e debates por parte da sociedade brasileira via imprensa e o jornalista Lucio Flavio foi o autor de grande parte delas.
Quando foi inaugurada em setembro de 1984, seu custo ultrapassar em US$ 2,1 bilhões o custo inicial, totalizado US$ 4,7 bilhões. Oficialmente o governo só admitiu US$ 4,5 bilhões de custo, mas Lucio Flavio afirma que ultrapassaram mais de US$ 10 bilhões.
De acordo com seu relato, a hidrelétrica estoca em seu reservatório 45 milhões de metros cúbicos de água que movimentam 23 turbinas. Seis delas suprem de energia duas grandes empresas: a Albrás, em Belém, e a Alumar, em São Luiz do Maranhão. Três turbinas abastecem o Estado do Pará e o restante é exportado, transformando o estado em terceiro maior exportador de energia bruta do País.
Quase 30 anos se passaram. A ditadura não existe mais e o Brasil é um país democrático. Entretanto, os planos de construção de hidrelétricas na Amazônia herdados da ditadura, acabaram sendo retomados. Primeiro pelo governo Lula e agora pelo governo Dilma Rousseff. Em tempos de retomada de obras de infraestrutura como Belo Monte, no Rio Xingu e muitas outras, o relato de Lúcio Flavio pode ser precioso para aprofundar a reflexão e o debate sobre tais projetos.
Tucuruí, a barragem da ditadura é uma publicação do Jornal Pessoal, periódico que Lucio Flavio edita quinzenalmente há 24 anos. Nos últimos 19 anos, suas denúncias e reportagens lhe valeram – e ainda lhe valem – inúmeros processos judiciais, agressões e violência.
Para mais informações sobre o livro contate jornal@amazon.com.br
 

 

http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3492

 

 

Ministério Público Federal - MPF/MS: 23/01/2012

MPF/MS: políticos e fazendeiros respondem na Justiça por homicídio de indígenas

Denúncia do MPF é aceita e seis réus respondem por duplo homicídio e ocultação de cadáveres

O processo em que o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF/MS) acusa seis pessoas pelo envolvimento no ataque à comunidade indígena Ypo'i (Paranhos, sul do estado) e a morte dos professores indígenas Jenivaldo Vera e Rolindo Vera, foi aceito pela Justiça. Agora, os denunciados são, formalmente, réus em processo penal e vão responder por homicídio qualificado – sem possibilidade de defesa da vítima -, ocultação dos cadáveres, disparo de arma de fogo e lesão corporal contra idoso. Para a Justiça, a denúncia do MPF reúne provas de materialidade do crime e indícios de autoria.

Os réus são Fermino Aurélio Escolbar Filho, Rui Evaldo Nunes Escobar e Evaldo Luís Nunes Escobar - filhos do proprietário da Fazenda São Luís -, Moacir João Macedo - vereador e presidente do Sindicato Rural de Paranhos-, Antônio Pereira - comerciante da região, e Joanelse Tavares Pinheiro – ex-candidato a prefeito de Paranhos.

O MPF também requisitou abertura de novo inquérito na Polícia Federal de Ponta Porã para investigação da participação de outras pessoas nos crimes, além de indícios de utilização de veículo oficial da Prefeitura de Paranhos no deslocamento do grupo que atacou os indígenas. Este novo inquérito ainda não foi finalizado.

Ataque - As mortes ocorreram durante expulsão de área reivindicada pelos indígenas como de ocupação tradicional da etnia guarani-kaiowá (Tekoha Ypo´i), na Fazenda São Luiz, em Paranhos, em 31 de outubro de 2009. Conforme a denuncia, quatro dos réus - Evaldo, Moacir, Antônio Pereira e Joanelse – e outras pessoas ainda não identificadas, contando com o auxílio dos réus Fermino e Rui, chegaram ao local em caminhões e caminhonetes, efetuando disparos com pelo menos sete armas de fogo de vários calibres (12, 32, 36, 9mm Luger, 30 e 38) e agredindo o grupo de 50 indígenas. Mário Vera, à época com 89 anos, recebeu pauladas nas costas, ombros e pernas. Os dois professores foram mortos e os corpos, ocultados.

O corpo de Jenivaldo foi encontrado uma semana depois, em 7 de novembro, dentro no Rio Ypo´i, próximo ao local do conflito. Segundo boletim de ocorrência, Jenivaldo “estava sem camisa, com cueca e calção, descalço, com perfuração de arma de grosso calibre frontal no peito e nas costas”. A perícia comprovou que a morte foi causada por um tiro nas costas, que saiu pelo peito, causando a hemorragia fatal. Apesar das buscas realizadas pela Polícia com o auxílio do Exército e do Corpo de Bombeiros, o corpo de Rolindo não foi encontrado até hoje.

Depois de expulsos em 2009, os indígenas guarani-kaiowá reocuparam a área de reserva legal da Fazenda São Luís em 19 de agosto de 2010. Eles estão amparados por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) que cassou ordem de reintegração de posse “até a produção de prova pericial antropológica”, ou seja, os estudos que confirmem os indícios de ocupação tradicional da região por aquele grupo étnico. Segundo o Tribunal, "existem provas de que a Fazenda São Luiz pode vir a ser demarcada como área tradicionalmente ocupada pelos índios".

Referências processuais na Justiça Federal de Ponta Porã:

Denúncia criminal: 0002988-16.2011.4.03-6005

Reintegração de Posse: 0002584-96.2010.4.03.6005


Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul
(67) 3312-7265 / 9297-1903
(67) 3312-7283 / 9142-3976
www.prms.mpf.gov.br
ascom@prms.mpf.gov.br
www.twitter.com/mpf_ms


http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_indios-e-minorias/mpf-ms-politicos-e-fazendeiros-respondem-na-justica-por-homicidio-de-indigenas-1

 

 

 

Terra Magazine/Blog da Amazônia: 23/01/12

Doze crianças indígenas morrem no Acre com sintomas de diarreia, desidratação e febre

Altino Machado-Blog da AmazôniaCriança indígena no centro do município de Sena Madureira (AC)


O secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (MS), Antônio Alves de Souza, viajou nesta segunda-feira (23) para aldeias indígenas no município de Santa Rosa do Purus (AC), onde 12 crianças já morreram desde o dia 15 de dezembro do ano passado com sintomas  de diarreia, desidratação e febre.
O MS já contabilizou cerca de 186 casos notificados por Doença Diarreica Aguda (DDA), mas até o momento não foi confirmado caso ou óbito por rotavírus nas comunidades indígenas da região. Souza interrompeu suas férias para assumir o comando das ações emergenciais que estão sendo traçadas para conter um possível surto de DDA.
Centenas de indígenas de várias etnias acamparam durante cinco meses, entre 2010 e 2011, na porta da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em Rio Branco, denunciando desvio de verbas e exigindo melhorias na assistência à saúde indígena prestada pelos governos federal e estadual no Acre.


Leia mais:
Índios do Acre protestam contra “descaso” no atendimento de saúde
Índios protestam no Acre contra atendimento de saúde nas aldeias


- Entregamos para as autoridades um documento com as reivindicações. Uma delas envolvia a parte de saneamento básico. Pedimos prevenção, muito mais que obras. Estipulamos prazos, mas até agora sequer recebemos um retorno - disse Francisco Ninawá Huni Kuin, um dos líderes do protesto.
Três equipes estão nas aldeias realizando investigações epidemiológicas e sanitárias, fazendo orientações preventivas e prestando ações assistenciais às populações indígenas da região  acometida pela DDA.
O secretário Especial de Saúde Indígena disse que o “plano estratégico emergencial” poderá ser efetivado como ações permanentes na região. Todo o esforço neste momento, segundo Souza, deve ser concentrado para que se evitem mais mortes pelo mesmo diagnóstico, que até o momento já somam 12 entre crianças com menos de dois anos de idade.
Na semana passada, uma equipe enviada pelo Ministério da Saúde desembarcou no Acre para dar início às investigações dos óbitos e de todos os casos notificados pela Secretaria de Saúde de Santa Rosa do Purus.
A equipe, composta de sete profissionais, somou-se aos técnicos do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Purus (DSEI), que já trabalham em campo, num total de seis profissionais, e mais dois técnicos da Secretaria de Saúde do Acre, compondo no total 15 profissionais.
O Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do Estado do Acre estabeleceram como estratégias para conter novos casos de DDA a reidratação imediata das crianças por meio de soro via oral e a distribuição de cerca de 150 filtros de barro para consumo de água às famílias das aldeias com incidência da doença.
A lista de insumos emergenciais inclui também a distribuição de hipoclorito às mães para o tratamento da água, suplemento alimentar para combater os casos de desnutrição infantil nas aldeias, aquisição de cestas básicas de alimentação e administração de vitamina “A” para crianças.

Altino Machado/ Terra Magazine, em: http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2012/01/23/

 

 

CIMI: 20/01/2012

Morre criança da etnia Apurinã e número de óbitos cresce no Acre

CIMI-AC CIMI-AC

Renato Santana

Uma criança indígena de nove meses da etnia Apurinã morreu na manhã desta sexta-feira (20) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança, em Rio Branco, capital do Acre. Além dos Apurinã, que vivem no Alto Rio Inauini, os Huni Kuin (Kaxinawá) e Madjá (Kulina), do Alto Rio Purus, também registraram mortes.

De acordo com as lideranças indígenas que compõem o Conselho Distrital de Saúde, sobe para 16 o número parcial de crianças mortas no estado vítimas dos mesmos sintomas: diarreia, febre e vômito. O dado confronta o divulgado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que aponta 13 vítimas.

Entretanto, os indígenas apontam que tomam como base não só o órgão do Ministério da Saúde, mas também as informações de vítimas que não chegaram ao Pólo de Saúde.

“Tem outra criança que está na UTI e o estado dela é de gravidade. Como eu tenho dito, registramos casos de crianças que morreram nas aldeias destes mesmos sintomas”, frisa Ninawá Huni Kuin, conselheiro de saúde.

O Ministério da Saúde deslocou uma equipe de Brasília (DF) para o Acre com o intuito de investigar de forma mais detalhada a doença, mas Ninawá informa que os agentes ainda não chegaram. Mais de 20 aldeias já foram atingidas entre as comunidades indígenas do Alto Rio Purus, Alto Rio Envira e Alto Rio Inauini – com distância entre si que chegam a mil quilômetros.

Rotavírus
As suspeitas recaem sobre uma epidemia de rotavírus. No entanto, as autoridades não confirmam. “Até o momento, não foi confirmado caso ou óbito por rotavírus ou outra doença nas comunidades indígenas da região de Santa Rosa do Purus”, diz nota divulgada nesta quinta-feira (19) pela Sesai.
“Estamos com muita dificuldade para acessar informações. Essa criança morreu e logo o corpo foi levado para a aldeia”, destaca o missionário Lindomar Padilha, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
Conforme dados da Agência Brasil, de 1º a 18 de janeiro, 70 crianças indígenas foram identificadas com doença diarreica aguda. Em dezembro de 2011, foram dez mortes. Até a última terça-feira (17) o governo federal confirmava oito mortes, mas passou a falar em 13 óbitos nessa sexta-feira.

Notícia em http://www.cimi.org.br/site/pt-br/

 

 

Survival  International – 20/01/12

Descobrem “provas de um ataque” onde presumidamente uma menina indígena foi “queimada viva”

CIMI-MA/SurvivalO CIMI encontrou este acampamento de madeireiros a 400 metros de awás não contatados.
© Gilderlan Rodrigues/CIMI MA

Uma investigação sobre o presumido assassinato de uma menina indígena não contatada nas mão de madeireiros trouxe a tona  alarmantes “provas de um ataque” nas profundezas da selva amazônica.
As averiguações sugerem que os medeireiros estavam operando a 400 metros de distância de um acampamento de indígenas awás isolados, onde supostamente teriam sido encontrados os restos calcinados de una menina.
A ONG brasileira CIMI, a Ordem dos Advogados do Brasil e a  Sociedade de Direitos Humanos do Maranhão, que realizaram uma investigação conjunta, também encontraram “muitos indícios de que os awás haviam estado no lugar do presumido incidente”.
A equipe descobriu os restos de quatro fogos, assim como claras evidências de que os awás estiveram buscando mel, e os suportes que usam para subirem nas árvores.
Porém, segundo o CIMI, “os tratores dos madeireiros passaram por cima do acampamento dos awás, destruindo tudo. Pelos indícios sabemos que se tratava de um veículo grande”.
Os awás isolados vivem na Amazônia brasileira em um território indígena, porem a exploração madeireira ilegal está acabando com grande parte de sua floresta.

Acesse o filme sobre a destruição madeireira nas terras Awá na página da Survival: http://www.survivalinternational.org/films/edge


O CIMI acredita que umas quatro famílias viveriam no acampamento, a seis quilômetros de membros do povo indígena guajajara, que informaram que teriam encontrado o corpo carbonizado.
Clovis Guajajara confessou a delegação que estava “muito transtornado com a destruição”, e que acredita que os  awás se assustaram e fugiram quando viram a clareira aberta na selva pelos madeireiros.

O departamento de Assuntos Indígenas do Brasil, FUNAI, está efetivando sua própria investigação, e diz que a morte da menina ainda não foi confirmada.
Os awás tem sofrido uma série de brutais ataques nas mãos dos madeireiros, que os ameaçam de morte.
Survival International está pressionando ao Governo do Brasil para que expulse aos muitíssimos madeireiros ilegais que ameaçam erradicar a alguns dos últimos indígenas caçadores-coletores nômades do planeta.


Notícia (em espanhol) em: http://www.survival.es/noticias/8034

 

 

 

Agência Brasil-EBC -19/01/12

Ministério da Saúde ainda investiga mortes de 13 crianças indígenas no Acre

Carolina Pimentel

O Ministério da Saúde ainda não sabe a causa das mortes de 13 crianças indígenas das etnias Kaxinawá e Kulina no Acre, ocorridas entre o final do ano passado e janeiro. A maioria das vítimas tinha menos de um ano de vida.
As crianças tiveram febre alta, vômito e diarreia, sintomas de doença diarreica aguda. Há suspeita de que as mortes tenham sido causadas por rotavírus, mas as autoridades de saúde não confirmam. O rotavírus é uma doença diarreica aguda transmitida por contato de pessoa a pessoa por meio de água, alimentos e objetos contaminados.
“Até o momento, não foi confirmado caso ou óbito por rotavírus ou outra doença nas comunidades indígenas da região de Santa Rosa do Purus”, diz nota divulgada hoje (19) pela Secretaria Especial de Saúde Indígena.
Na noite de ontem (18), a secretaria havia informado somente oito mortes.


De 1º a 18 de janeiro, 70 crianças indígenas foram identificadas com doença diarreica aguda. Dessas, três morreram e duas continuam internadas para tratamento, que é a base de reidratação oral. Em dezembro passado, foram dez mortes.
Os casos ocorreram em 20 das 46 aldeias na região do município de Santa Rosa do Purus, onde há 3 mil índios. Próximo da fronteira com o Peru, a secretaria alega que o acesso às tribos é difícil, feito por barco.
Equipes de saúde do ministério em Alto Rio Purus e dos governos estadual e municipal foram deslocadas paras aldeias em busca de novos casos e para investigar os motivos das mortes. A orientação é reidratar os doentes com sintomas suspeitos. Já os desidratados e desnutridos são removidos.


Para o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), as mortes mostram o descaso das autoridades com os indígenas no Acre. “O grave é que ninguém faz nada e fica um jogo de empurra-empurra entre as instituições que deveriam estar cuidando da saúde dos povos indígenas”, disse a entidade.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-01-19/

 

Agência Brasil – EBC: 18/01/2012

SESAI não confirma surto de rotavírus entre crianças indígenas de aldeias no Acre

Brasília – A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Saúde, divulgou nota hoje (18) informando que não há confirmação de um surto de rotavírus entre crianças indígenas na região de Santa Rosa do Purus, no Acre.
Do dia 15 de dezembro até o momento, a secretaria notificou a morte de oito crianças indígenas por diarreia aguda, diz a nota. Segundo o ministério, a causa das mortes não foram confirmadas por exames de laboratório e continuam sob investigação.
Notícias veiculadas pela imprensa apontam para um possível surto de rotavírus nas aldeias. Perguntado hoje sobre o assunto, o ministro Alexandre Padilha declarou não haver confirmação e que não é a primeira vez que se registra casos de diarreia aguda na região.
A Sesai informou que as crianças mortas eram das etnias Kaxinawá e Kulina e viviam nas aldeias de Nova Família, Morada Nova, Novo Repouso, Nova Fronteira, Nova Aliança, Kanamari e Moema.

Carolina Pimentel; notícia em http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-01-18/

 

 

 

MXVPS - Xingu Vivo: 17/01/11

Índios Arara pedem ao MPF investigação em Belo Monte por poluição nas águas do Xingu

O Ministério Público Federal (MPF) recebeu denúncias hoje dos índios Arara de que a qualidade das águas do Xingu – de que eles dependem para beber e cozinhar – já foi afetada pelo início das intervenções físicas no rio, confirmadas ontem pela Norte Energia SA (Nesa).
A empresa, responsável pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, começou em janeiro a fazer as ensecadeiras – dispositivos para conter as águas do rio e permitir as obras de engenharia – jogando aterro, barro e cascalho no leito do Xingu. Os índios foram surpreendidos pela mudança na água, que se tornou barrenta e cheia de sedimentos.
“A comunidade indígena está preocupada com a qualidade da água do rio Xingu, pois não possuímos poço e utilizamos a água do Xingu para beber e cozinhar. A água já está barrenta e os indígenas já estão ingerindo essa água”, diz o documento assinado pelas lideranças Arara.
“As medidas que deveriam ter sido adotadas antes da construção da barragem não foram tomadas pois o Programa Básico Ambiental ainda não foi aprovado e não começou a ser implementado”, acrescenta a carta enviada ao MPF.
O documento pede “providências urgentes e imediatas para garantir a qualidade da água consumida pela aldeia” e o envio de uma equipe para analisar a qualidade da água e construir poços artesianos nas aldeias Arara da Volta Grande, Paquiçamba e Muratu (do povo Juruna, também afetado).


Vistoria – O procurador da República Cláudio Terre do Amaral, que atua em Altamira, quer que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e a Agência Nacional de Águas (ANA) façam vistoria urgente no local das obras, com análise da qualidade da água que chega nas aldeias indígenas. Ele também pediu providências para sanar os problemas.
Também foram enviados questionamentos à Nesa e à Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre o início das obras físicas no rio sem o cumprimento das condicionantes. Para essa parte das obras, o Ibama emitiu uma Autorização de Supressão de Vegetação que permite a derrubada de cinco mil hectares de floresta, o que corresponde a cinco mil campos de futebol.


Veja aqui a carta dos índios Arara e aqui a Autorização de Supressão de Vegetação emitida pelo Ibama.
As informações são do MPF-PA

Notícia em http://www.xinguvivo.org.br/2012/01/17/

 

 

O Eco: 17/01/12

Belo Monte: começam primeiras obras de represamento

Karina Miotto

O EcoConstrução da primeira ensecadeira no Sítio Pimental. Crédito: João Zinclar/O Eco

Depois dos primeiros estudos feitos na década de 70 e de longas batalhas judiciais, o Brasil começa a ver sair do papel, em um momento que pode ser classificado como histórico, as primeiras obras que viabilizarão a hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu. Neste domingo, 15, a equipe do Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS) registrou a construção de uma ensecadeira, espécie de barragem provisória que desvia o curso d´água para permitir atividades de construção civil no leito do rio. A barragem definitiva terá 6,8 km de extensão. A obra teria começado logo após o ano novo e está localizada no Sítio Pimental, a cerca de 40 km a jusante de Altamira, no Pará. Conforme informações da Norte Energia, "neste sítio fica o conjunto de obras que efetivamente barra o rio Xingu".

Juízes votam a favor de Belo Monte e construção continua

De acordo com o Ministério Público Federal do Pará (MPF/PA) os impactos desta construção têm sido sentidos por etnias indígenas. Hoje, 17, o MPF/PA recebeu uma carta dos Arara, que vivem na Terra Indígena Arara da Volta Grande do Xingu, pedindo providências em relação às intervenções devido à quantidade de terra e cascalho jogados no rio. Eles afirmam que estão ingerindo o líquido, já barrento, e que não possuem poços artesianos. Pedem que providências sejam tomadas em sua defesa e da Terra Indígena Paquiçamba, onde vivem os Juruna.

"Queremos garantir a regularidade destas ensecadeiras, já que as condicionantes permanecem sem cumprimento. Vamos questionar o Ibama, a Norte Energia e a Funai a respeito das mesmas, pois a água do Xingu já tem afetado indígenas", afirma Helena Palmquist, assessora de imprensa do MPF/PA. "Queremos que o Ibama e a Agência Nacional de Águas façam uma vistoria urgente no local das obras e na qualidade da água que está chegando nas aldeias, assim como informem quais medidas estão sendo tomadas para garantir água potável a estas pessoas", diz.
Em um comunicado oficial, a Norte Energia afirma que “devido às características da região, com chuvas constantes nesta época do ano, é natural que uma pequena parte da terra seja carreada pelo rio. Isto será eliminado, nos próximos dias, com a conclusão da ensecadeira”. A empresa não se manifestou a respeito de medidas para minimizar o impacto causado sobre populações indígenas.

Notícia em http://www.oeco.com.br/

Confira também no artigo do Movimento Xingu Vivo Para Sempre as imagens das obras, de João Zinclar : http://www.xinguvivo.org.br/2012/01/16/belo-monte-inicia-primeiro-barramento-do-xingu-2/

 

 

 

IHU-Unisinos: 16/01/2012

Tapajós: o rio da vez para construção de hidrelétricas

Margie Moss- EcoDebateFoto Margi Moss- Projeto Brasil das Águas

O ano de 2012 começou com uma má notícia para a conservação da biodiversidade amazônica e das florestas brasileiras. Foi publicada no Diário Oficial da União, no dia 06, Medida Provisória (MP 558) para redução da área de quatro unidades de conservação (UC) na Amazônia brasileira e alteração de outras duas. Como principal motivo dessa iniciativa, está a construção de duas das mega-usinas hidrelétricas previstas no Complexo Tapajós, São Luiz (6.133 MW) e Jatobá (2.336 MW).

A reportagem é da WWF, 12-01-2012.

As unidades de conservação ameaçadas desta vez são a Área de Proteção Ambiental do Tapajós (PA), Floresta Nacional do Crepori (PA), as Florestas Nacionais de Itaituba I e II (PA) e Parque Nacional da Amazônia (AM/PA).

Para Maria Cecília Wey de Brito, secretária-geral do WWF-Brasil, a modificação de áreas e limites de unidades de conservação por meio de medida provisória é lamentável, pois é mais uma ação que coloca em risco a riqueza ambiental do país.

“As unidades de conservação são criadas por meio de decreto presidencial ou estadual, após avaliação detalhada sobre sua importância ecológica, mas somente só podem ser alteradas e reduzidas diretamente por lei, sem que esta alteração comprometa a razão original de sua criação”, explica Wey de Brito. “Deveriam ser objeto do mesmo tratamento técnico e jurídico em caso de alteração de limites. O governo não pode querer, a cada nova obra ou interesse, modificar as UCs a ‘toque de caixa’ por meio de MPs”, completa.  

O WWF-Brasil defende que o governo aborde a questão hidrelétrica, de forma inovadora, no Brasil todo e na Amazônia em particular, com uma visão integrada da bacia hidrográfica que se pretende explorar, considerando o impacto cumulativo dos projetos à luz das áreas prioritárias de conservação da bacia em questão, para minimizar não só os impactos de um projeto específico, mas também o impacto do programa hidrelétrico que se pretende implantar.

O próprio setor elétrico brasileiro já desenvolveu uma metodologia de análise do impacto cumulativo de represas, a Avaliação Ambiental Integrada (AAI), aplicada a diversos casos inclusive no Rio Xingu. No entanto, para a bacia do Tapajós, a metodologia do governo não foi até agora considerada e aplicada. Esse é um passo que deveria anteceder qualquer tomada de decisão sobre construção de hidrelétricas em rios do Brasil.

A necessidade de conservação da biodiversidade, dos serviços dos ecossistemas e da vida na escala de uma bacia como a do Rio Tapajós, que representa quase 6% do território nacional, depende da manutenção de alguns rios que corram livremente – sem qualquer contenção –para garantir a integridade social, econômica e cultural das comunidades que lá habitam e cujas vidas dos rios dependem.

Outras alternativas

Ao invés de construir barragens em cada um dos grandes rios da Amazônia, causando imensos impactos ambientais e sociais, o Brasil deveria explorar muito mais seu potencial em fontes renováveis modernas, de baixo impacto, como a energia dos ventos, a energia solar, a de biomassa, e deveríamos investir em medidas de aumento de nossa eficiência energética.

“Somente em energia eólica, estima-se em mais de 400 GW o potencial brasileiro, o que é mais de 3 vezes superior à toda demanda atual de eletricidade no Brasil. Como todos os novos projetos, nos próximos anos, chegaremos a usar pouco mais de 1% deste potencial, o que é insignificante diante do que temos à nossa disposição.  Além disso, o pleno aproveitamento da biomassa da cana-de-açúcar para geração de eletricidade poderia substituir a energia gerada por algumas usinas hidrelétricas, como Belo Monte ou São Luis do Tapajós", explicou Carlos Rittl, coordenador do programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.

"Alternativas e o potencial nós temos. Mas para aproveitá-los e para reduzir os impactos da expansão de geração de energia, é necessário haver decisão e vontade política", concluiu.

Notícia em : http://www.ihu.unisinos.br/noticias/

 

 

 

Blog da Amazônia/Altino Machado: 16/01/12

No Amazonas, falso pastor desaparece com 13 índios da etnia paumari

Um homem que se apresentou como pastor e “parente” dos índios Paumari, da Aldeia Crispim, no Rio Purus, no Amazonas, desapareceu, segundo denúncia dos moradores, com 13 índios da etnia - cinco adultos, seis adolescentes de 12 a 16 anos, um menino pequeno e um bebê de colo.


No sábado (14), recebi um telefonema de uma mulher paumari, moradora da Aldeia Crispim, situada na Terra Indígena Paumari do Lago Marahã, no município de Lábrea (AM). Ela estava muito preocupada com sua filha mais nova e seus netos que haviam sido levados por um homem que se apresentou na aldeia como pastor.
A história que a mulher relatou foi a seguinte: No dia 24 de dezembro, os habitantes paumari da Aldeia Crispim, receberam a visita de um homem, desconhecido, que dizia-se pastor e descendente de índios macuxi.
O suposto pastor chegou acompanhado de um morador da aldeia, que ele conhecera em Lábrea poucos dias antes. O pastor pregou e encantou a todos com sua lábia e a qualidade de suas pregações.
Apresentou-se como compositor de musicas evangélicas e também como advogado que poderia ajudá-los, tanto no desenvolvimento de sua igreja, como na construção de uma escola melhor e na obtenção de inúmeros bens.
O suposto pastor e compositor vendeu dezenas de CDs aos moradores da aldeia Crispim, prometeu que os ajudaria a obter uma antena de rádio, luz elétrica, computadores, máquinas de lavar roupa e fornos para aliviar as tarefas quotidianas. Disse, ainda, que graças a ele, poderiam também instalar internet na aldeia.


Após vários dias de pregações e promessas, pediu ajuda aos paumari, pois seu cartão de crédito tinha sido bloqueado e precisava de dinheiro para voltar, para ir buscar tudo o que tinha prometido. Segundo o relato da mulher, várias pessoas da aldeia teriam emprestado dinheiro para o suposto pastor, inclusive pedindo empréstimos no banco da cidade.
Finalmente, o suposto pastor convidou o morador que o havia levado para a aldeia a acompanhá-lo em sua viagem de volta para buscar o material prometido. Partiu levando o homem paumari e toda a sua família (esposa, filhos, nora e neto), uma jovem mãe solteira, duas sobrinhas dela, sua filha mais velha e seu filho pequeno.
Prometeu que as moças seriam empregadas como secretária, lavadeira e babá e receberiam R$ 1,2 mil por mês. E partiram de barco, supostamente até a cidade de Canutama no início da semana passada, e teriam seguido pelo Rio Mucuim, na direção de Porto Velho, e parado no quilômetro 70 da estrada Lábrea-Porto Velho. (...)

Leia a denúncia completa da antropóloga Oiara Bonilla no Blog da Amazônia:

http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2012/01/16/no-amazonas-falso-pastor-desaparece-com-13-indios-da-etnia-paumari/

 

 

 

CIMI: 13/01/2012

“Tratores de madeireiros passaram por cima do acampamento Awá, destruindo tudo”, diz missionária do Cimi

Renato Santana

Vestígios Awá - CIMIAmarrações indígenas: vestígios deixados pelos Awá em acampamento destruído por madeireiros - CIMI

Com apenas duas horas de caminhada, mata adentro na Terra Indígena Araribóia, município de Arame (MA), a comissão composta por integrantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) avistou a primeira clareira de devastação da floresta deixada pelos madeireiros.
 
Dali por diante foram mais quatro horas de provas da ação ilegal dos invasores da terra indígena até o desfecho no local que há uma semana é o centro de intensa repercussão nacional e internacional: o acampamento destruído do povo Awá-Guajá em situação de isolamento, dentro de uma grande clareira com cerca de 40 toras derrubadas de árvores.

“Tratores de madeireiros passaram por cima do acampamento Awá, destruindo tudo. Pelas marcas podemos dizer que era um grande veículo”, diz Rosimeire Diniz, missionária do Cimi que esteve no local. O grupo organizará um relatório com todas provas coletadas e entregará ao Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF). (...)

Leia reportagem completa e fotos em http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&action=read&id=6047

 

 

 

Último Segundo –IG: 11/01/2012

Funai volta atrás e reabre investigações sobre morte de criança indígena no MA

Dois dias após classificar assassinato como “boato”, órgão diz que enviará técnicos de Brasília para continuar investigação


Wilson Lima, iG Maranhão

A coordenação geral da Fundação Nacional do Índio (Funai) determinou a continuidade das investigações sobre o possível assassinato de uma criança indígena Awá-Guajá de oito anos de idade na Terra Indígena Araribóia, na cidade de Arame, a 469 quilômetros de São Luís. Segundo denúncia do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), além da execução, madeireiros que atuam ilegalmente na região queimaram a criança e a colocaram em uma cova em outubro do ano passado.


A notícia: Funai investiga morte de criança indígena no Maranhão
O desmentido: Funai diz que morte e queima de criança indígena é mentira
Leia as outras notícias sobre o caso


O anúncio oficial da continuidade das investigações acontece dois dias após a divulgação de um relatório da regional de Imperatriz do órgão, no Maranhão, que classificou a morte da criança como “boato” e “mentira”. No relatório, a coordenadora interina da Funai em Imperatriz, Raimunda Passos de Almeida, classificou a denúncia do Cimi como um “verdadeiro atentado à inteligência às pessoas de bem”.
A regional da Funai, após a investigação prévia do final de semana passado, deu o caso como encerrado. A apuração local foi encerrada após os técnicos ouvirem o líder indígena Clóvis Tenetehara, até então autor das denúncias. Aos técnicos da Funai, ele negou der dado qualquer informação a respeito. Fontes ligadas do Cimi acreditam que provavelmente o indígena mudou sua versão da história com medo de ser coagido por madeireiros em Arame.
No comunicado da Funai divulgado na noite desta quarta-feira (10), o órgão afirma que enviará três técnicos de Brasília visando aprofundar a pesquisa de campo e dar “continuidade ao levantamento de informações na Terra Indígena Araribóia”. A Funai informou também que pedirá apoio da Polícia Federal para ajudar na apuração do caso.
Desde novembro do ano passado, o órgão recebeu denúncias de conflitos entre madeireiros e indígenas na região onde a criança supostamente foi assassinada. Na época, servidores da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Awa-Guajá iniciaram uma investigação sobre os conflitos entre índios e madeireiros, mas não encontraram elementos que confirmassem as denúncias.
A Funai confirmou nesta quarta-feira que a invasão de terras indígenas por madeireiros na região é recorrente na região da Terra Indígena Araribóia. Desde 2007, o órgão alega que vem realizando operações de fiscalização em conjunto com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) nas Terras Indígenas Araribóia, Awa, Caru e Alto Turiaçu. “Essas ações resultaram em prisões de indígenas e não-indígenas, além da apreensão de produtos florestais ilegais, equipamentos e veículos utilizados pelos madeireiros”, declarou o órgão.
O caso da criança indígena supostamente morta e queimada por madeireiros também será apurado pelo Ministério Público Federal do Maranhão (MPF-MA). A decisão foi tomada em reunião tomada na tarde de terça-feira (10). A investigação ficará a cargo da procuradora Carolina da Hora Mesquita Höhn. O MPF também pediu auxílio da Polícia Federal no caso.
O Conselho Indigenista Missionário sustenta a denúncia de indígenas principalmente porque, durante a investigação, a própria Funai flagrou a invasão de madeireiros na região. O Cimi também questionou a falta de profundidade na apuração do caso pelos técnicos da Funai de Imperatriz.

http://ultimosegundo.ig.com.br/

 

 

Último Segundo-IG: 11/01/2012

Procuradoria ignora Funai e decide investigar morte de criança

ONG afirma que uma criança indígena de 8 anos foi morta. Após investigação de 2 dias, Funai disse que tudo não passava de boato

Após uma reunião realizada na tarde desta terça-feira (10), o Ministério Público Federal (MPF) no Maranhão anunciou que vai investigar a denúncia da suposta execução de uma criança indígena Awá-Guajá de oito anos de idade na terra indígena Araribóia, na cidade de Arame, a 469 quilômetros de São Luís.

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a criança foi morta e queimada por madeireiros. A regional de Imperatriz da Fundação Nacional do Índio (Funai), entretanto, classificou a informação como boato e mentira após uma investigação de dois dias.

Arame fica a 469 quilômetros de São Luís, capital do Maranhão
A  Polícia Federal também foi acionada para ajudar nas investigações. Uma equipe do Cimi se dirigiu na manhã desta quarta-feira (11) para a região de Arame, com o objetivo de levantar mais informações sobre o caso.
Depois que a Funai divulgou o relatório afirmando que a informação sobre a execução da criança indígena era um “atentado à inteligência às pessoas de bem”, o Cimi defendeu em comunicado oficial uma investigação mais completa do caso.
No relatório técnico do órgão, não fica claro, por exemplo, se os investigadores tiveram contato com os Awá-Guajá antes de refutar a denúncia da entidade. “Apenas investigações mais detalhadas feitas dentro da mata, local de caça dos Tenetehara e palco do episódio denunciado, poderão dizer como o assassinato desta criança indígena ocorreu e como se deu o ataque aos Awá-Guajá isolados”, aponta o Cimi.
Os representantes do Cimi dizem que não podem “jogar na vala” denúncias dos próprios indígenas sobre a morte da criança indígena. Além disso, o Cimi afirma que o relatório da Funai, mesmo não apontando indícios da morte do Awá-Guajá, comprova a condição de vulnerabilidade dos indígenas da região em relação aos madeireiros.


Impunidade: Um índio foi morto a cada seis dias no Brasil em 2010, diz estudo
Assassinato: Acusado de morte de índio é condenado à prisão no DF
Crueldade: Índios são queimados após ataque a bomba em ônibus escolar


Os investigadores da Funai refutaram a denúncia do Cimi depois de ouvir o indígena Clóvis Tenetehara. Tenetehara foi o líder indígena que alertou sobre a morte da criança aos representantes do Cimi tanto em Arame, quanto em São Luís. “Não sabemos o motivo pelo qual ele mudou de opinião. Eu seria leviana de emitir qualquer juízo de valor”, disse a coordenadora do Cimi no Maranhão, Rosana Diniz. Fontes ligadas ao Cimi, entretanto, afirmam que o indígena pode ter mudado de opinião após ser ameaçado por madeireiros que atuam na região.


http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/ma/procuradoria-ignora-funai-e-decide-investigar-morte-de-crianca/n1597566237048.html

 

 

CIMI: 10/01/2012

Nota pública sobre denúncia de violência na Terra Indígena Araribóia

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) vem a público esclarecer os desdobramentos da denúncia feita por indígenas Tenetehara (ou Guajajara) da aldeia Patizal, Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, sobre ataque sofrido pelos Awá-Guajá em situação de isolamento, entre setembro e outubro do ano passado na altura do município de Arame, onde os restos mortais carbonizados de uma criança foram encontrados pelos Tenetehara no meio da mata, durante caçada.

Tornaram-se públicas, pelas mãos do Cimi, informações passadas pelos próprios indígenas e são por elas que respondemos, porque não jogamos na vala comum dos boatos depoimentos que remontam anos de denúncias da ação de invasores, sobretudo madeireiros, na Terra Indígena Araribóia. Não obstante, o Cimi mantém plena confiança na denúncia e acredita que algo de muito grave ocorreu no interior da terra indígena, afetando diretamente a segurança e as garantias de vida dos Awá-Guajá isolados.

Apenas investigações mais detalhadas feitas dentro da mata, local de caça dos Tenetehara e palco do episódio denunciado, poderão dizer como o assassinato desta criança indígena ocorreu e como se deu o ataque aos Awá-Guajá isolados. No entanto, o Cimi acredita que não é necessário um corpo carbonizado para que medidas urgentes de proteção aos indígenas da Terra Indígena Araribóia – ou a qualquer outro povo em condição de isolamento ou de contato no país – sejam adotadas.

Conforme os próprios técnicos da Fundação Nacional do Índio (Funai) atestam, a ação de madeireiros ocorre livremente dentro da terra indígena – com o trânsito impune de caminhões apinhados de toras de ipê e demais espécies de árvores. Além da dilapidação do patrimônio nacional, o assédio dos madeireiros coloca em risco a vida e a segurança dos indígenas, impedindo-os de usufruírem do território tradicional.

Faz-se necessária uma ampla ação dos órgãos envolvidos para ultrapassar a fronteira dos monitoramentos das ações de madeireiros e partir rumo à proteção efetiva da terra indígena, impedindo a extração de madeira e a circulação impune de invasores que aliciam e ameaçam os indígenas. Do contrário, se madeireiros circulam sem impedimentos na Terra Indígena Araribóia, como não acreditar nos depoimentos de violência dos Tenetehara? (...)

Leia a nota completa ná página do CIMI: http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&action=read&id=6041

 

 

Folha de São Paulo: 10/01/2012

Denúncia de criança queimada no MA é boato, diz Funai

Jean-Philip Struck

A Funai (Fundação Nacional do Índio) afirma que a denúncia de que uma criança indígena da etnia awá-guajá foi queimada por madeireiros no Maranhão é infundada, e que as histórias sobre o suposto crime não passam de boatos. A fundação também chamou a divulgação do caso de "ato inescrupuloso" e "irresponsável".
A conclusão foi divulgada num relatório elaborado pela fundação, que deslocou no último fim de semana uma equipe de três servidores para a terra indígena Arariboia, no município de Arame (350 km de São Luís), local onde teria ocorrido o crime.


Funai investiga se criança indígena foi queimada viva por madeireiros


Segundo a Funai, a equipe conversou com o índio guajajara Luís Carlos Tenetehara, da aldeia Patizal, citado em textos divulgados na internet como o autor da descoberta do suposto corpo da criança indígena carbonizada.
De acordo com a fundação, o índio disse que a história não é verdadeira e que os índios awá-guajá, que vivem isolados, não deixaram de ser vistos pelos guajajaras, com quem dividem a mesma terra, após o suposto ataque por madeireiros.
A fundação também afirma que seus servidores, enquanto circulavam pela terra indígena, flagraram um caminhão conduzido por um não índio. Segundo os servidores, o motorista, que levava um indígena guajajara de carona, contou que tinha autorização dele para retirar madeira da terra indígena. Uma motosserra foi apreendida.


DENÚNCIA
A denúncia de que uma criança da etnia awá-guajá foi queimada por madeireiros começou a aparecer em blogs de notícias do Maranhão na semana passada. Poucas horas depois já começava a ganhar espaço em redes sociais.
Alguns dos textos afirmavam que o crime tinha ocorrido uma semana antes. Outros, de que havia acontecido em setembro ou outubro de 2011. E todos afirmavam que madeireiros atearam fogo na criança após atacarem os awá-guajá. Depois disso, os índios não teriam sido mais vistos.
O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) disse que índios afirmaram que o suposto crime foi denunciado há meses para a Funai.
A fundação nega, e diz que informações sobre o caso só chegaram ao seu conhecimento na semana passada, e que ineditamente começou a investigar a denúncia.
"É lastimável que a sociedade brasileira tenha sido ludibriada de maneira tão vil e levada a crer num fato inexistente que não pode ser sequer classificado como 'brincadeira de mau gosto'. O 'incêndio' causado pela má-notícia na internet foi o verdadeiro atentado à inteligência das pessoas de bem", disse a Funai, em nota.

Notícia da FolhaOnline/UOL em http://www1.folha.uol.com.br/poder/1032340

 

 

 

JANEIRO 2012 - CIMI/MA

Lideranças denunciam assassinato de criança Awá-Guajá na Terra Indígena Araribóia

Renato Santana
de Brasília

Awa Guajá/F.Watson/SURVIVALMenino Awá-Guajá - foto F.Watson-SURVIVAL

Lideranças indígenas do povo Guajajara (ou Tenetehara) da aldeia Zutiwa, Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, denunciam o assassinato de uma criança Awá-Guajá que pertencia a um grupo em situação de isolamento.

O corpo foi encontrado carbonizado em outubro do ano passado num acampamento abandonado pelos Awá isolados, a cerca de 20 quilômetros da aldeia Patizal do povo Tenetehara, região localizada no município de Arame (MA). A Fundação Nacional do Índio (Funai) foi informada do episódio em novembro e nenhuma investigação do caso está em curso.

As suspeitas dão conta de que um ataque tenha ocorrido entre setembro e outubro contra o acampamento dos indígenas isolados. Clovis Tenetehara costumava ver os Awá-Guajá isolados durante caçadas na mata. No entanto, deixou de encontrá-los logo que localizou um acampamento com sinais de incêndio e os restos mortais de uma criança.    

“Depois disso não foi mais visto o grupo isolado. Nesse período os madeireiros estavam lá. Eram muitos. Agora desapareceram. Não foram mais lá. Até para nós é perigoso andar, imagine para os isolados”, diz Luís Carlos Tenetehara, da aldeia Patizal. Os indígenas acreditam que o grupo isolado tenha se dispersado para outros pontos da Terra Indígena Araribóia temendo novos ataques.

Conforme relatam os Tenetehara, nos últimos anos a ação de madeireiros na região tem feito com que os Awá isolados migrem do centro do território indígena para suas periferias, ficando cada vez mais expostos aos contatos violentos com a sociedade envolvente. Além disso, a floresta tem sido devastada pela retirada da madeira também colocando em risco a subsistência do grupo, essencialmente coletor.

Estima-se que existam três grupos isolados na Terra Indígena Araribóia, num total de 60 indígenas. Os Tenetehara conservam relação amistosa e afastada com os isolados, pois dividem o mesmo território.  

Denúncias antigas

“A situação é denunciada há muito tempo. Tem se tornado frequente a presença desses grupos de madeireiros colocando em risco os indígenas isolados. Nenhuma medida concreta foi tomada para proteger esses povos”, diz Rosimeire Diniz, coordenadora do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Maranhão.

Para a missionária, confirmar a presença de isolados implica na tomada de medidas de proteção por parte das autoridades competentes. Rosimeire aponta a situação como de extrema gravidade e que não é possível continuar assistindo situações de violência relatas por indígenas.

Durante o ano passado, indígenas Awá-Guajá foram atacados por madeireiros enquanto retiravam mel dentro da terra indígena e os Tenetehara relatam a presença constante dos madeireiros, além de ameaças e ataques. “Não andamos livremente na mata que é nossa porque eles estão lá, retirando madeira e nos ameaçando”, encerra Luiz Carlos.

Notícia em:

     
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=6037&action=read

 

 

 

Terra Magazine: 06/01/2012

Líder indígena denuncia morte de criança queimada no MA

Eliano Jorge


Um representante dos indígenas Guajajara afirma que madeireiros mataram uma menina da etnia Awá-Gwajá, ateando fogo nela, numa área de mata, em Arame, no Maranhão. Ainda não há precisão sobre a data em que ocorreu o crime. A região vem registrando uma série de agressões a índios nos últimos meses.
Os Awá-Gwajá mantêm-se isolados, sem contato com outras tribos ou com os não-indígenas. A Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) alegam que souberam do assassinato apenas nesta semana e buscam mais informações.
Outro indígena, que também se identificou como pertencente à etnia Guajajara, em conversa com Terra Magazine, confirmou o homicídio:
- Dia 30, por aí assim. Foi dentro do mato. Os madeireiros estavam comprando madeira na mão dos índios (Guajajara) e acharam uma menininha Gwajá. E queimaram a criança. Só de maldade mesmo. Ela é de outra tribo, eles vivem dentro do mato, não têm contato com os brancos, são brabos.
Ele admitiu que sua etnia Guajajara descumpriu a lei ao negociar madeira, mas se queixou da invasão naquele território. Reclamando de "muita discriminação" e violência contra indígenas, atestou:
- Quase todo dia em Arame. Os brancos ficam batendo nos índios lá. Não acontece nada, ninguém resolve nada. A gente não sabe nem contar mais porque são muitos casos. Eles (da Funai) sabem. A gente informa e...
Sobre providências tomadas pela Funai, ele respondeu com desânimo: "Hum, pior". E incluiu a polícia: "Eles não resolvem nada". Recentemente, houve protestos de indígenas na região.
- O último caso que aconteceu foi que bateram num índio, na praça pública de Arame. Espancaram demais. Não se sabe com quem fala quando acontece isso. A polícia não resolve, né? Nem os casos deles (não-indígenas). Não tem quem socorra, para a gente falar depois quando acontece assassinato de índio. Fica por isso mesmo - lamentou o Guajajara.


Registros oficiais
Um funcionário da Funai que prefere o anonimato disse que a entidade enfrenta dificuldades por ter sofrido um processo de intervenção e interrompido suas atividades. Informa também que os dados de 2011 sobre agressões contra indígenas ainda não estão prontos. Porém, ratifica: "São muitos casos que acontecem durante o ano"
Relatório do Cimi aponta 452 assassinatos de indígenas no Brasil entre 2003 e 2010. Em 2007, foram noticiadas 92 homicídios. Em cada um dos três anos seguintes, foram 60. As estatísticas do ano passado devem ser divulgadas em março.


Veja também:
» Índios realizam protesto para provar que existem

» Tribo nômade no Maranhão enfrenta madeireiros e colonos

» Funai exonera lider indígena kayapó que se opõe a Belo Monte

» No Pará, assentados sofrem pressões de grileiros e madeireiros

» Em 25 anos, só 1 a cada 13 assassinatos no campo foi julgado

» MPF considera genocídio ataque a índios no MS

» AC: Funai suspeita de matança de índios isolados por paramilitares do Peru

» Em RO, líder indígena é ameaçado de morte

» Massacrados na "guerra justa", os Tarumã continuam vivos

Notícia em:

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5546425-EI6578,00-Lider+indigena+denuncia+morte+de+crianca+queimada+no+MA.html

 

 

 

MXVPS - Xingu Vivo : 06/01/12

Governo federal formaliza desapropriações no Pará sem consulta e explicações

Sem audiências públicas, consulta prévia e explicações o governo federal, por intermédio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), formalizou na última terça-feira (3) a desapropriação de 282 mil hectares de terras entre os municípios de Vitória do Xingu, Altamira e Brasil Novo, no Estado do Pará.
A resolução teve publicação no Diário Oficial da União (DOU) e de acordo com a Aneel a área é a última fronteira para o Consórcio Norte Energia efetivar o canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, além da construção do reservatório de água, criação de Área de Preservação Permanente (APP) e para reassentar populações afetadas pelo empreendimento.
Para Antonia Melo, liderança do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, a desapropriação promoverá um aporte de aproximadamente 10 mil pessoas aos cerca de 40 mil atingidos diretamente pela usina – a Norte Energia aponta para a realocação de apenas 4 mil famílias. “Essa decisão (da Aneel) envolve uma área gigantesca e afeta a vida de milhares de pessoas”, declara a liderança para a Agência Carta Maior.
Conforme denuncia o Movimento Xingu Vivo, o cadastro dos habitantes das terras desapropriadas sequer foi concluído para o estabelecimento de critérios. Desse modo, a quantidade de pessoas atingidas é apenas estimada.
Na compreensão de Antonia, trata-se de uma postura antidemocrática do governo, porque não ocorreu qualquer procedimento de consulta. “A decisão foi tomada em meio aos feriados de final de ano, quando as pessoas estão desmobilizadas”.
Utilidade pública
A decisão da Aneel tem ainda um caráter mais perverso, pois a resolução é em verdade uma Declaração de Utilidade Pública. Com isso, a Norte Energia está autorizada a invocar o caráter de urgência e a remover ribeirinhos, indígenas e pequenos agricultores de forma amigável ou por via judicial.
“Em relação às propriedades privadas referidas no artigo 1º, a Norte Energia S.A. fica autorizada a promover, com recursos próprios, amigável ou judicialmente, as desapropriações de domínio, podendo, inclusive, invocar o caráter de urgência para fins de imissão provisória na posse dos bens”, diz o texto da resolução publicada na última terça-feira no DOU.
A área de desapropriação também é contestada pelo Xingu Vivo, movimento que congrega centenas de organizações contrárias a Belo Monte. Como o governo sonega informações, acredita-se que ocorreu um superfaturamento na área a ser desapropriada, ou seja, que não estava previsto o montante de quase 300 mil hectares – equivalente a 282 mil campos de futebol e metade da área do Distrito Federal.
As desapropriações para Belo Monte tiveram início em abril de 2010, com 3,5 mil hectares destinados às obras – iniciadas em junho de 2011.
Dentro do esquema
Dom Erwin Kräutler, bispo da Prelazia do Xingu (PA) e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), afirma que está bem no esquema do atual governo tomar medidas sem consulta prévia.
“É o sistema do fato consumado. A consulta popular não existiu e isso está dentro da estratégia. Simplesmente se decide e faz. A coisa não é nova e desde o início o governo operou com esse esquema. Mais um capítulo dessa história triste e escandalosa de Belo Monte”, diz Dom Erwin.
Para o presidente do Cimi, as consequências da mega desapropriação poderão revelar as explicações não fornecidas pelo governo e os números parciais levantados pelo movimento de resistência.
“As medidas estão sendo tomadas na calada da noite. As pessoas impactadas não têm valor, porque o valor está na obra. O mais importante de toda essa história para o governo não são as pessoas, mas Belo Monte. O resto é resto”, enfatiza.
Protestos ignorados
Dom Erwin aponta que todo esforço e revolta da população e organizações sociais contra a usina acirraram ainda mais a postura do governo em defender o empreendimento – quando deveria ser o contrário. Nem a insatisfação do próprio governo paraense com a usina, pontua o bispo, serve para que o Palácio do Planalto se sensibilize.
“O presidente da Norte Energia (Carlos Nascimento) continua com o mesmo discurso de três anos atrás, pois diz na imprensa que o consórcio tem feito saneamento básico nas cidades atingidas e essa é uma mentira descarada. Ele nunca veio para cá para ver. O pior é que ele é daqui do Pará”, diz o bispo da Prelazia do Xingu.
Há 46 anos no Xingu, Dom Erwin viu de perto o “Milagre Econômico” da ditadura militar rasgar o Norte do país com um projeto de desenvolvimento similar ao tocado pela administração do atual governo. Desse processo surge o primeiro projeto de construção de uma usina hidrelétrica no rio Xingu, justamente onde hoje Belo Monte é imposta pelo governo – só que dessa vez em plena democracia.
“O projeto era da ditadura militar. Pensávamos que esse fantasma desapareceu quando os militares engavetaram o projeto. O próprio Lula e o PT se manifestaram expressamente contra. E por isso a nossa revolta e indignação: depois de eleito, o PT defende com unhas e dentes o que antes condenou. Quais são os reais motivos para executar um projeto que antes se condenava?”, questiona Dom Erwin.
As informações são do CIMI

Notícia em http://www.xinguvivo.org.br/2012/01/06/

 

 

 

O Eco: 06/01/2012

Através de MP, Dilma flexibiliza área de mais UCs

Daniele Bragança e Karina Miotto

Foi publicado hoje (6), no Diário Oficial da União, Medida Provisória que altera os limites de unidades de conservação na Amazônia. As Unidades de Conservação (UCs) que terão seu tamanho modificado são o Parque Nacional da Amazônia, Parque Nacional dos Campos Amazônicos, Parque Nacional Mapinguari, Floresta Nacional de Itaituba I e II, Floresta Nacional do Crepori e Área de Proteção Ambiental do Tapajós.  A maior parte das Unidades afetadas está localizada no Pará.  Em junho do ano passado, ((o)) eco Amazonia já havia antecipado o interesse do governo federal em alterar o limites de UCs para a construção de três hidrelétricas no rio Tapajós: São Luiz do Tapajós (6,1 mil MW de potência instalada), Jatobá (2,3 mil MW) e Cachoeira dos Patos (272 MW).


Obras provocam redução de unidades de conservação

Dilma altera limites de parques na Amazônia

Áreas protegidas da Amazônia x “progresso”

O objetivo das mudanças nos limites das áreas é atender aos interesses do Ministério de Minas e Energia para a construção do Complexo Hidrelétrico Tapajós e do Ministério dos Transportes, para a retomada das obras da polêmica BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA).  No entanto, de acordo com informações de Telma Monteiro, especialista em processos de construção de hidrelétricas na Amazônia, uma das maiores motivações do governo federal em construir o Complexo Tapajós é um conjunto de acordos referentes ao gerenciamento de águas, biocombustíveis e logística portuária firmados, desde 2008, entre Brasil e Holanda. 

"Estamos vendo um retrocesso na política ambiental no Brasil, passando pelo Código Florestal. Vimos também a redução do poder de fiscalização do Ibama e agora a redução de UCs sendo que ainda não foi criada nenhuma Unidade de Conservação nova neste governo. Vemos com grande preocupação os próximos anos. A perspectiva para o futuro é muito ruim. Neste contexto é ainda mais necessário que a sociedade civil esteja informada e mobilizada para dar um custo político a estas decisões", afirma Tatiana de Carvalho, engenheira Agrônoma da campanha Amazônia do Greenpeace.

Saiba mais:

Medida Provisória nº 558 , de 5 de janeiro de 2012, publicada hoje no Diário Oficial da União

Notícia em: http://www.oeco.com.br/br/salada-verde/25589

 

 

 

O Estado de S.Paulo: 30/12/11

Diálogos na Amazônia

O fotógrafo Araquém Alcântara e o chef Alex Atala lançam livro de expedições

 

Kunhãbyk Zo'é - Araquém de Alcântara

Kuñabyk Zo'é , por Araquém de Alcântara; foto gentilmente cedida pelo autor.

O fotógrafo Araquém Alcântara e o chef Alex Atala têm experiências em comum no território amazônico. O avô do último, um aventureiro inglês, foi mandado à Amazônia boliviana por uma empresa londrina que comprava látex dos caboclos. Passou alguns anos por lá, casando-se com uma índia boliviana. O próprio Alex, seguindo o exemplo do avô, já se aventurou em inúmeras expedições amazônicas, chegando a ser sequestrado por índios, experiência pela qual passou igualmente o fotógrafo Araquém, que completa 40 anos de carreira lançando com o chef Atala o livro Amazônia.


Também em parceria e pela mesma editora, TerraBrasil, fundada pelo fotógrafo, ele lança o livro Cachaça, que tem prefácio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e texto do sommelier Manoel Beato (leia abaixo). Não são apenas curiosas parcerias - uma com um especialista em gastronomia e outra com um respeitado degustador de vinhos que, desde 2008, apresenta o programa Adega Musical, na Rádio Eldorado. Os dois livros revelam um Brasil que poucos conhecem - e, como se diz, é preciso conhecer para preservar, não só a natureza da Amazônia, mas a cultura da degustação, tanto da comida amazônica como da mais típica bebida brasileira, a cachaça.


A história da relação entre Araquém, Atala e a Amazônia já tem mais de 30 anos. Ambos fizeram uma centena de viagens à região no período. Araquém se descobriu fotógrafo da natureza ao topar com uma onça bebendo água num igarapé, em 1979. Desde então, decidiu que iria fotografar não só a floresta amazônica como todos os parques nacionais, a exemplo do que fez Ansel Adams (1902-1984) nos parques americanos. Atala teve também num momento epifânico, intuindo que seu trabalho missionário seria o de cruzar o que ele chama de "a próxima grande fronteira do sabor". Hoje, inclui em seus pratos ingredientes da Amazônia, como a pripioca (uma raiz aromática), a folha do jambu, o tucupi e o cupuaçu, que apresentou à cultura gastronômica europeia, revolucionando suas tradições culinárias.
Assim como Araquém, que descobriu a dificuldade de se fotografar os parques amazônicos sem ser incorporado gradativamente ao ambiente, Atala concluiu que não daria para descobrir o gosto da Amazônia em restaurantes. Há dois anos, num lugar já fotografado por Araquém, Cabeça de Cachorro, no Noroeste da Amazônia - tema de um livro homônimo em parceria com o médico Drauzio Varella -, Alex topou com uma índia baré, a dona Brasi, que vendia seus quitutes na feirinha de São Gabriel da Cachoeira. Foi com ela que descobriu uma receita de tucupi com saúva depois levada a um encontro gastronômico na Bélgica. A princípio desconfiados do formigão, chefs e críticos de gastronomia fizeram cara feita para a saúva, mas essa resistência foi vencida na primeira garfada.


O livro Amazônia não é, porém, um exercício apologético. Araquém fotografa a exuberância da região com um olho e a sua destruição com outro - 20% da maior floresta do planeta, ou o equivalente a duas Alemanhas e três Estados de São Paulo, lembra o fotógrafo, já desapareceram. O registro da paisagem e dos seres que habitam a floresta, justifica o fotógrafo, faz parte de sua luta política pela preservação ambiental. Ela o fez decidir, na hora de escolher a foto da capa do livro, pela imagem de um indiozinho com um caju na boca e uma tiara feita com penas de urubu-rei, da tribo zoé. Esses índios, que ocupam terras próximas ao Rio Cuminapanema, no Pará, formam, segundo ele, uma tribo de 230 pessoas, só contatada em 1995.


Visitando os confins da Amazônia em suas expedições, o fotógrafo acumulou acervo de 150 mil imagens e já publicou cinco livros. "Comecei fotografando a Amazônia como se estivesse na janela de um foguete, mas estou indo cada vez mais longe em busca de tribos isoladas para fazer um livro que vai se chamar Iauaretê." O nome evoca o conto de Guimarães Rosa sobre um tio do narrador que se transforma em onça, bicho mágico na cosmovisão dos povos da floresta. Antes disso, a carreira de Araquém já registra sua primeira incursão internacional no cinema. Ele aparece no primeiro filme em 3D rodado na Amazônia por uma equipe francesa, a história de um macaco que cai de uma avião próximo ao Monte Roraima. E sobrevive. O filme de Thierry Ragobert, Amazônia, Planeta Verde, estreia em 2013.

Antonio Gonçalves Filho,  O Estado de S.Paulo; notícia em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,dialogos-na-amazonia,816718,0.htm

 

 

 

 

Os textos aqui publicados originam-se de diversas fontes da imprensa: com exceção de matérias assinadas, não representam posição ou opinião institucional do AMAZOÉ. Dúvidas ou questionamentos, favor reportar à fonte original, cujo link é apresentado sob cada reprodução.

<<<<<<< Notícias anteriores!

Página Inicial